“O fato de nunca ter posto os pés numa escola, não
significa que ‘seu’ João não tenha idéias bem precisas a
respeito da escola. Para ele, assim como para a imensa maioria dos adultos analfabetos, a escola é o lugar
onde os que não sabem vão aprender com quem sabe
(o professor) [...].
Sabendo por que busca a escola, o adulto elege
também seu conteúdo. Espera encontrar, lá, aulas de
ler, escrever e falar bem. Além, é claro, das operações
e técnicas aritméticas. Espera obter informações de um
mundo distante do seu, marcado por nomenclaturas que
ele considera próprias de quem sabe das coisas.
Mas não é só em relação ao que a escola ensina que
‘seu’ João e seus companheiros trazem muitas informações. Eles têm também muitas idéias a respeito de como
a escola ensina.
A aprendizagem, na visão popular, está centrada
na ação do professor. É ele que coloca o conhecimento
dentro dos alunos. Para isso, o professor usa alguns
recursos como: explicações, correções, cópias, repetições…Para essas idéias contribui, também, a distribuição das carteiras, todas voltadas para o professor.
Afinal, todo o conhecimento virá dessa figura central.”
(Barreto; Carlos, 2005).
Esta passagem ilustra como seus autores retratam
a visão que o público da educação de jovens e adultos (EJA) geralmente tem acerca da educação escolar.
Ao discutir a ação do professor da EJA diante desse
contexto, Barreto e Carlos (2005) afirmam que os professores que têm obtido maior sucesso em trabalhar essa
situação costumam, logo nas primeiras semanas de aula,