Um homem de 54 anos se apresenta para um exame de saúde. Ant...
Sobre a avaliação do caso do paciente e o gerenciamento de seu uso de álcool, deve-se:
Gabarito comentado
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Tema central: rastreio de uso não saudável de álcool em atenção primária e a intervenção breve (modelo SBIRT: triagem, intervenção breve e encaminhamento). O AUDIT‑C é um teste de triagem (0–12); em homens, ≥4 sugere uso de risco. Pontuação 8 indica alto risco e exige abordagem imediata.
Alternativa correta: B – informar limites de consumo, solicitar diário de ingestão e agendar seguimento. Essa é a conduta recomendada pelas diretrizes (USPSTF, OMS/WHO, Ministério da Saúde/IB – Intervenção Breve; UpToDate; Harrison). A intervenção breve inclui: feedback personalizado, aconselhamento motivacional, metas de redução/abstinência, registro diário do consumo e revisita em 2–4 semanas. Limites práticos (NIAAA/OMS): homens ≤2 doses/dia, ≤14/semana, evitando ≥4 doses em uma ocasião. No caso, a discussão imediata é essencial porque o álcool pode piorar hipertensão e controle glicêmico.
Raciocínio clínico: um screening positivo não confirma transtorno por uso de álcool (TUA); requer avaliação adicional (AUDIT completo/DSM‑5: perda de controle, craving, uso apesar de danos, abstinência etc.). Sem TUA estabelecido, a primeira linha é aconselhamento breve, não farmacoterapia. Se houver TUA moderado‑grave ou falha da intervenção breve, considerar medicações de 1ª linha (naltrexona ou acamprosato), conforme APA/NICE/OMS.
Por que as demais estão incorretas?
- A – Adiar a abordagem do álcool perde a “janela de oportunidade”. USPSTF recomenda intervenção breve no mesmo encontro. Além disso, reduzir álcool pode melhorar PA e HbA1c.
- C – Baclofeno: não é 1ª linha para redução de consumo; evidência mista e uso mais restrito (p.ex., doença hepática quando naltrexona é contraindicada). Iniciar antes de confirmar TUA não segue diretrizes.
- D – Gabapentina: pode ajudar em sintomas de abstinência/insônia/craving como adjuvante, mas é off-label para TUA e não é conduta inicial em triagem positiva sem diagnóstico.
- E – Topiramato: alguma evidência para reduzir uso, porém off-label e com efeitos adversos cognitivos; não substitui a intervenção breve nem é 1ª linha inicial.
Dicas de prova: ao ver AUDIT‑C positivo, pense em SBIRT: 1) confirmar padrão de consumo; 2) intervenção breve com metas e diário; 3) seguimento; 4) se suspeita de TUA, aplicar critérios DSM‑5 e só então considerar fármacos (preferindo naltrexona/acamprosato quando indicados). Atenção à “pegadinha” de iniciar medicações off‑label sem diagnóstico.
Referências essenciais: USPSTF 2018/2020; OMS – Alcohol brief intervention; Ministério da Saúde – Intervenção Breve (IB); UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: B
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