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Q3293047 Medicina
Na insuficiência cardíaca sistólica avançada, o deslocamento do ponto de ictus cordis e a presença de B3 caracterizam a descompensação. Assinale a conduta que justifica estabilização inicial:
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Tema central: Insuficiência cardíaca sistólica descompensada. Achados como ictus deslocado e B3 indicam pressões de enchimento elevadas e sobrecarga volêmica, exigindo estabilização com foco em descongestão e redução de pós/pré-carga.

Alternativa correta: BUso de diuréticos e vasodilatadores, com suporte ventilatório quando necessário.

Justificativa clínica: Na descompensação, há congestão pulmonar e sistêmica. Diuréticos de alça IV (ex.: furosemida) reduzem rapidamente a volemia; vasodilatadores (nitroglicerina) diminuem pré e pós-carga, melhorando dispneia e perfusão quando a PAS está preservada. Suporte ventilatório não invasivo (CPAP/BiPAP) reduz o trabalho respiratório e a pressão transmural, melhorando oxigenação e sintomas. Esta é a abordagem de primeira linha recomendada por diretrizes (SBC 2021/2022; ESC 2021; ACC/AHA/HFSA 2022; UpToDate; Harrison’s).

Estratégia de prova: Leia “B3” e “ictus deslocado” como pistas de congestão e dilatação ventricular → pense em diurético IV + vasodilatador ± ventilação não invasiva, não em expansão volêmica ou suspensão abrupta de fármacos de base.

Análise das incorretas

A) Bloqueio abrupto de betabloqueadores: A retirada súbita pode causar rebote adrenérgico, piorando IC e aumentando arritmias. Diretrizes recomendam manter betabloqueador se não houver choque, bradicardia sintomática ou hipotensão grave; caso presente, reduzir/segurar temporariamente, não “bloquear abruptamente” (ESC 2021; ACC/AHA 2022).

C) Aumento intenso de volume plasmático: Em IC descompensada há excesso de volume; expandir piora edema pulmonar. Só considerar fluidos se hipovolemia documentada (ex.: VCI colabável no POCUS) ou situações específicas como infarto de VD. No geral, a conduta é diurese e vasodilatação (SBC/ESC/ACC).

D) Manter digital com potássio < 3,5 mEq/L: Hipocalemia aumenta a toxicidade da digoxina e risco de arritmias. Deve-se corrigir K (alvo 4-5 mEq/L) e magnésio antes de manter digital; priorizar “inotropismo” nessas condições é inseguro (UpToDate; Harrison’s).

Condutas-chave na estabilização: Oxigênio para SpO2-alvo, furosemida IV (1–2x dose oral prévia), nitroglicerina se PAS adequada, CPAP/BiPAP na congestão/edema, correção de K/Mg, monitorização clínica e hemodinâmica. Inotrópicos (dobutamina/milrinona) apenas se hipoperfusão/choque após otimização.

Pegadinhas: não “dar volume” por padrão; não suspender betabloqueador sem critérios; cuidado com digital em K baixo; “B3” sinaliza alta pressão de enchimento → trate a congestão.

Referências: Diretrizes SBC IC 2021/2022; ESC Heart Failure 2021; ACC/AHA/HFSA 2022; UpToDate – Management of acute decompensated heart failure; Harrison’s, cap. Insuficiência Cardíaca.

Gabarito: B.

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