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Ano: 2025 Banca: UFPR Órgão: UFPR Prova: UFPR - 2025 - UFPR - Médico - Clínico Geral |
Q3507003 Medicina
Um paciente de 56 anos, com histórico de hipertensão e doença pulmonar obstrutiva crônica, foi admitido no pronto-socorro com relato de náuseas, vômitos e diarreia há uma semana. Ao exame, o paciente estava afebril, com pressão arterial de 98/65 mmHg, frequência cardíaca de 118 batimentos por minuto e frequência respiratória de 28 incursões respiratórias por minuto. Os resultados laboratoriais foram os seguintes:

• Gasometria arterial: pH = 7,52; PaCO2 = 45 mmHg; PaO2 = 82 mmHg em ar ambiente.
• Soro: sódio = 145 mEq/L; potássio = 3,2 mEq/L; cloreto = 98 mEq/L; bicarbonato = 38 mEq/L; ureia = 15 mg/dL; creatinina = 1,2 mg/dL; glicose = 185 mg/dL.
• Cloreto na urina em gotas inferior a 10 mEq/L.

Considerando as informações apresentadas, qual é o distúrbio do metabolismo ácido-base? 
Alternativas

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Tema central: Distúrbios ácido-base e análise integrada de gasometria e eletrólitos, com avaliação da compensação respiratória na alcalose metabólica.

Raciocínio clínico passo a passo:

1) pH 7,52 = alcalemia.
2) HCO3- 38 mEq/L (elevado) indica alcalose metabólica primária.
3) Compensação esperada na alcalose metabólica: PaCO2 ≈ 0,7 × (HCO3– − 24) + 40. Para HCO3– = 38: 0,7×14 + 40 ≈ 49,8 mmHg (tolerância ~±2 a 5). A PaCO2 medida foi 45 mmHg, isto é, mais baixa do que o esperado para a hipoventilação compensatória, sugerindo componente adicional de alcalose respiratória (hiperventilação).
4) Cloreto urinário <10 mEq/L e vômitos sustentam alcalose metabólica responsiva a cloreto (contração de volume). Taquipneia (28 irpm) favorece o componente respiratório.

Conclusão (Alternativa C): Alcalose metabólica com alcalose respiratória. Há alcalemia com HCO3– elevado e PaCO2 abaixo do previsto para compensação. O cenário clínico (vômitos, hipotensão, ClU<10) aponta a origem metabólica; a taquipneia explica a alcalose respiratória concomitante. Referência: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate – Evaluation of metabolic alkalosis.

Por que as demais estão incorretas?

A) Alcalose respiratória com acidose metabólica: exigiria HCO3– baixo (compensatório), o que contrasta com HCO3– alto (38).

B) Acidose respiratória com alcalose metabólica: acidose respiratória implicaria PaCO2 elevada. Aqui a PaCO2 está abaixo do esperado para compensação da alcalose metabólica, não havendo acidose respiratória.

D) Acidose metabólica com alcalose respiratória: acidose metabólica requer HCO3– reduzido, o oposto do encontrado.

E) Alcalose metabólica sem compensação: haveria PaCO2 próxima de 40. Contudo, há resposta respiratória, embora insuficiente (PaCO2 menor que o previsto), caracterizando distúrbio misto e não ausência de compensação.

Pegadinhas da prova:

- Diarreia costuma causar acidose metabólica (perda de bicarbonato), mas aqui os vômitos e o ClU<10 dominam, gerando alcalose metabólica.
- Histórico de DPOC pode levar o candidato a esperar hipercapnia; porém a taquipneia e a PaCO2 abaixo do previsto indicam alcalose respiratória concomitante.

Estratégia para acertar na prova:

1) Defina o pH (alcalemia/acidemia). 2) Identifique o distúrbio primário (HCO3– vs PaCO2). 3) Aplique a fórmula de compensação. 4) Use cloro urinário para diferenciar causas de alcalose metabólica (responsiva a cloreto quando <10).

Conduta resumida (prática): reposição de volume com SF 0,9% e potássio, tratar vômitos e causa base. Diretrizes e revisões: UpToDate; Harrison’s.

Gabarito: C

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