Em um sábado à tarde, um homem comparece à portaria de uma ...

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Q4328684 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Em um sábado à tarde, um homem comparece à portaria de uma unidade de acolhimento apresentando documento de identidade e declarando ser tio materno de um dos acolhidos, com quem deseja conversar. O educador social de plantão consulta o prontuário e verifica que não há qualquer restrição judicial ao contato com familiares e que o parentesco alegado consta do estudo social. O livro de registro de visitantes está disponível na portaria, e a coordenação pode ser acionada por telefone.

Com base no caso apresentado, assinale a alternativa correta:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A Lei nº 8.069/1990, art. 92, § 4º, dispõe: "Salvo determinação em contrário da autoridade judiciária competente, as entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional, se necessário com o auxílio do Conselho Tutelar e dos órgãos de assistência social, estimularão o contato da criança ou adolescente com seus pais e parentes, em cumprimento ao disposto nos incisos I e VIII do caput deste artigo." Como não há restrição judicial ao contato no caso, essa regra conduz à alternativa D.

Tema central: Contato familiar no acolhimento
Análise das alternativas
A
Errada
A comunicação oral em reunião posterior não substitui a documentação pertinente ao atendimento, exigida pelo art. 94, XX e § 1º, do ECA. O erro está em tratar essa comunicação como suficiente para dispensar o registro, não na possibilidade de realização da visita. A lei, contudo, não exige que toda visita seja registrada especificamente no prontuário.
B
Errada
O parentesco indicado no estudo social não cria exceção ao dever de documentação do atendimento previsto no art. 94, XX e § 1º, nem justifica dispensar os controles de identificação apresentados no caso. Estimular o contato familiar não significa eliminar esses controles.
C
Errada
Inverte a regra do art. 92, § 4º: a determinação judicial contrária é uma ressalva ao estímulo do contato familiar, e não uma exigência de autorização judicial prévia para cada visita.
D
Certa
A alternativa D aplica a regra de estímulo ao contato familiar e ressalva eventual determinação judicial contrária. Também mantém o registro da entrada, compatível com o dever de documentação previsto na Lei nº 8.069/1990, art. 94, XX: "XX - manter arquivo de anotações onde constem data e circunstâncias do atendimento, nome do adolescente, seus pais ou responsável, parentes, endereços, sexo, idade, acompanhamento da sua formação, relação de seus pertences e demais dados que possibilitem sua identificação e a individualização do atendimento." O art. 94, § 1º, determina: "Aplicam-se, no que couber, as obrigações constantes deste artigo às entidades que mantêm programas de acolhimento institucional e familiar." O registro de entrada é a forma administrativa apresentada no caso; o ECA não exige literalmente livro de visitantes nem lançamento de toda visita especificamente no prontuário.
E
Errada
Cria uma proibição geral de visitas na unidade e uma exclusividade de locais externos que não constam do art. 92, § 4º. O dispositivo prevê auxílio do Conselho Tutelar e dos órgãos de assistência social quando necessário, não a transferência obrigatória dos contatos familiares para suas dependências.
Pegadinha da questão
Confundir ausência de restrição judicial com dispensa de registros ou, no sentido oposto, transformar a ressalva judicial em autorização prévia obrigatória. O auxílio eventual do Conselho Tutelar também não torna suas dependências o local exclusivo das visitas.
Dica para questões semelhantes
  • Diferencie determinação judicial contrária de autorização judicial prévia: o art. 92, § 4º, estabelece a primeira como ressalva, sem exigir a segunda para cada contato.
  • Concilie estímulo ao contato familiar com documentação do atendimento; um dever não afasta o outro.
  • Não atribua ao ECA uma forma específica de registro que ele não determina: o dever de manter anotações não equivale à exigência literal de livro de visitantes ou de lançamento de cada visita no prontuário.

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