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Q4398810
Português
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A disseminação acelerada de modelos de
linguagem como o ChatGPT nos ambientes
escolares instalou um diagnóstico que se repete
com variações mínimas entre professores, gestores
e formuladores de políticas públicas: os alunos
estão terceirizando seus trabalhos, redigindo
ensaios com um comando de voz e resolvendo
exercícios com a colagem de enunciados em
interfaces de inteligência artificial. À primeira vista,
isso parece configurar uma epidemia de preguiça
intelectual e desonestidade acadêmica em massa.
No entanto, uma investigação mais detida
revela que o alarme em torno da tecnologia oculta um mal-estar muito anterior e muito mais estrutural,
que diz respeito ao fim (telos) do próprio trabalho
escolar.
A educação básica institucional, ao
organizar-se como transmissão de um repertório
fixo de dados, fórmulas, datas, nomes e
classificações, converteu o ato de aprender
em uma sequência previsível de operações
de memorização e reprodução cujo significado
raramente é interrogado pelos próprios sujeitos do
processo.
Esse modelo, que o educador Paulo Freire
já criticava na década de 1960, chamando-o de
‘educação bancária’, é evidentemente muito
anterior à inteligência artificial. Mas opera,
na prática, também como um algoritmo. Que
estabelece um circuito fechado de depósito,
arquivamento e devolução de informações, onde
muitas vezes o aprendizado real não se faz
presente.
Aprendizado ‘decoreba’: o antecessor da IA
Assim, o uso da inteligência artificial pelos
alunos para realizar tarefas escolares não deveria
causar surpresa. Estudantes fogem do estudo
como o diabo foge da cruz. Antes da IA, já existiam
a cópia de textos da internet, trabalhos feitos
por colegas (ou até por profissionais), a “cola”
nas provas e outras estratégias para conseguir
aprovação sem ter real familiaridade com o
conteúdo ensinado.
Mesmo entre os alunos que não recorrem
a esses meios, muitos não compreendem de fato
o que respondem nas avaliações, pois se limitam
a decorar as informações que serão cobradas.
Nesse tipo de aprendizado “decoreba”, é comum o
estudante esquecer o que “aprendeu” logo depois
da prova.
Disponível em: theconversation.com/ia-nas-escolasevidencia-precariedades-ja-existentes-da-educacao-maspode-ser-oportunidade-de-mudanca-288883 Acesso em: 22
ago. 2026.
Com base nos elementos constitutivos
desse texto, como forma de composição, tema e
estilo, identificamos que ele tem características de: