Homem de 67 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica (DP...

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Q4039356 Medicina
Homem de 67 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) GOLD IV, é admitido na UTI por exacerbação aguda, apresentando dispneia intensa, uso de musculatura acessória e taquipneia. Gasometria arterial inicial mostra pH = 7,28, PaCO₂ = 68mmHg e PaO₂ = 60mmHg em oxigenoterapia suplementar, sendo iniciada ventilação mecânica não invasiva (VNI). Após uma hora de VNI, o paciente apresenta redução da frequência respiratória, menor uso de musculatura acessória e gasometria com pH=7,32 e PaCO₂ = 60mmHg, mantendo-se consciente e colaborativo. Com base nos princípios do uso da VNI em pacientes críticos, a conduta mais adequada nesse momento é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Na exacerbação aguda de DPOC com acidose respiratória hipercápnica, a resposta favorável nas primeiras 1 a 2 horas é indicada por melhora do esforço respiratório, redução da frequência respiratória e tendência de melhora do pH e da PaCO2. Esses achados sustentam a continuidade da VNI e afastam falha imediata do método.

Tema central: Manutenção da VNI
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque não há intolerância relevante à VNI que justifique sedação: o paciente permanece consciente, colaborativo e com melhora clínica. Além de desnecessária neste cenário, a sedação contínua pode mascarar deterioração e aumentar risco de depressão do sensório e da ventilação em um paciente hipercápnico.
B
Errada
Está errada porque a melhora observada após 1 hora é inicial e parcial, não resolução do quadro. A correção parcial do pH, associada à melhora do esforço respiratório e da PaCO2, é justamente critério para manter a VNI, já que o suporte ainda está atuando sobre a insuficiência ventilatória.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o caso mostra os marcadores de resposta precoce à VNI na exacerbação aguda de DPOC: menor trabalho respiratório, redução da taquipneia, melhora da acidose e queda da PaCO2, sem rebaixamento do sensório nem intolerância ao método. O critério decisivo não é normalizar imediatamente a PaCO2, mas demonstrar tendência objetiva de melhora clínica e gasométrica, o que sustenta a continuidade da VNI para consolidar a reversão da insuficiência ventilatória e evitar intubação desnecessária.
D
Errada
Está errada porque hipercapnia persistente isoladamente não define falha da VNI quando há queda da PaCO2, melhora do pH e redução do trabalho respiratório. A intubação é indicada diante de falha do método, piora clínica ou gasométrica, rebaixamento do sensório, incapacidade de proteger via aérea, intolerância ou instabilidade, achados ausentes no caso.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre valor absoluto ainda alto da PaCO2 e falha terapêutica. O critério correto é a tendência nas primeiras horas, somada à melhora clínica e à preservação da consciência, e não a normalização imediata da gasometria.
Dica para questões semelhantes
  • Na VNI para exacerbação de DPOC, julgue a resposta nas primeiras horas pela direção da melhora clínica e gasométrica, não pela normalização imediata dos números.
  • Queda da frequência respiratória, menor uso de musculatura acessória, aumento do pH e redução da PaCO2 favorecem manutenção da VNI.
  • Hipercapnia residual isolada não indica intubação se o paciente estiver melhorando e permanecer consciente e colaborativo.
  • Suspensão precoce da VNI após melhora apenas parcial e sedação contínua sem indicação clara são condutas inadequadas nesse contexto.

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