Homem de 62 anos, internado em UTI por sepse abdominal, evol...

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Q4039355 Medicina
Homem de 62 anos, internado em UTI por sepse abdominal, evolui com insuficiência respiratória aguda. Submetido à ventilação não invasiva com FiO₂ elevada, apresenta-se com SpO₂ 90%, taquipneico e com uso de musculatura acessória. Está consciente e colaborativo, porém progressivamente fatigado. Não há sinais de via aérea difícil à avaliação inicial. A equipe decide por intubação orotraqueal e, considerando o manejo das vias aéreas em pacientes críticos hipoxêmicos, a conduta mais adequada nesse caso inclui:
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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é o manejo da intubação no paciente crítico hipoxêmico com baixa reserva fisiológica: diante de SpO₂ de 90% apesar de FiO₂ elevada em VNI, taquipneia, uso de musculatura acessória e fadiga progressiva, há falha iminente do suporte não invasivo e indicação de intubação, que deve ser feita com pré-oxigenação otimizada, manutenção do suporte ventilatório até a indução e mínima apneia para reduzir dessaturação peri-intubação.

Tema central: Via aérea hipoxêmica
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A descreve a estratégia tecnicamente correta para esse cenário. O problema central não é apenas passar o tubo, mas evitar deterioração gasométrica durante a sequência de intubação. Em paciente crítico hipoxêmico, a pré-oxigenação aumenta a reserva alveolar de oxigênio, a manutenção do suporte ventilatório até a indução evita perda desnecessária de oxigenação antes da laringoscopia, e o planejamento para mínima apneia reduz o risco de dessaturação rápida. Isso é exatamente o que o caso exige, porque a VNI já mostra falha clínica pela hipoxemia persistente, aumento do trabalho respiratório e fadiga progressiva.
B
Errada
Está errada porque consciência preservada não exclui necessidade de intubação. O enunciado traz hipoxemia persistente mesmo com FiO₂ elevada em VNI, taquipneia, uso de musculatura acessória e fadiga progressiva, conjunto que indica falha iminente do método não invasivo e necessidade de via aérea definitiva. Prolongar VNI nesse contexto é conduta potencialmente perigosa por atrasar a intubação indicada.
C
Errada
Está errada porque intubar paciente consciente sem sedação é conduta inadequada e potencialmente perigosa. O risco de hipoxemia nesse cenário não se resolve abolindo sedativos, mas sim com preparo respiratório correto: pré-oxigenação, manutenção da oxigenação até a indução e redução do tempo de apneia. O erro da alternativa é deslocar o foco do fator decisivo de segurança do procedimento.
D
Errada
Está errada porque retirar a VNI antes da pré-oxigenação piora a reserva de oxigênio de um paciente já hipoxêmico e favorece dessaturação antes e durante a intubação. Além disso, iniciar sedação antes de garantir estratégia adequada de oxigenação aumenta o risco peri-intubação. A base também não sustenta contraindicação absoluta à VNI por aspiração nesse caso; o paciente está consciente, colaborativo e não há descrição de vômitos ou incapacidade de proteger via aérea.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre estar consciente e ainda poder permanecer em VNI, além da falsa ideia de que a intubação mais segura no hipoxêmico é a mais rápida ou sem sedação. O ponto real é que, nesse cenário, a segurança depende de preservar oxigenação e minimizar apneia.
Dica para questões semelhantes
  • Em insuficiência respiratória hipoxêmica sob VNI, hipoxemia persistente, aumento do trabalho respiratório e fadiga progressiva indicam falha do método e favorecem intubação.
  • Na intubação do paciente crítico hipoxêmico, pense primeiro em dessaturação peri-intubação: pré-oxigenação e mínima apneia são o critério decisivo.
  • Não retire precocemente o suporte ventilatório de quem já tem baixa reserva de oxigênio, se a estratégia correta é manter oxigenação até a indução.
  • Consciência preservada não é critério de estabilidade respiratória quando há sinais objetivos de exaustão e hipoxemia.

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