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“Em frágil prancha sobre mar de horrores,Porque meu seio de ...

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Q4198288 Português
LEIA os versos pertencentes ao poema “Tristeza” de Fagundes Varela (1841-1875) – Importante representante da última fase do Romantismo; e responda às questões seguintes.


[...]
Amo do nauta o doloroso grito
Em frágil prancha sobre mar de horrores,
Porque meu seio de tornou de pedra,
Porque minha’alma descorou de dores.
[...]

“Em frágil prancha sobre mar de horrores, Porque meu seio de tornou de pedra, Porque minha’alma descorou de dores”

Sabendo que os vocábulos destacados nos versos possuem formas distintas de emprego (POR QUE; PORQUE; POR QUÊ; PORQUÊ), das frases a seguir, o emprego desse vocábulo deve ocorrer pelo mesmo motivo do emprego nos versos, preenchendo a lacuna, sem infringir a norma culta em: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Nos versos, "Porque meu seio de tornou de pedra, / Porque minha’alma descorou de dores" traz "porque" escrito junto e sem acento com valor de conjunção causal, introduzindo a razão do enunciado anterior; por isso, a alternativa correta é a que reproduz esse mesmo uso.

Tema central: Emprego de porque
Análise das alternativas
A
Errada
A lacuna pede "por que": "Não me disseram por que não participaram do evento corporativo." Trata-se de interrogativa indireta sobre a razão de não terem participado. Portanto, não é o mesmo emprego dos versos, em que "porque" introduz causa como conjunção.
B
Certa
Em "Tudo acontece porque permitimos tais ações, sem questionamentos.", o vocábulo introduz a causa do que foi afirmado antes: tudo acontece em razão de permitirmos tais ações. Esse é o mesmo fundamento dos versos, nos quais "porque" também funciona como conjunção causal, escrita junto e sem acento. A coincidência exigida pela questão é de forma gráfica e de função sintático-semântica, e a alternativa B satisfaz as duas.
C
Errada
A forma correspondente, pelo lugar final antes do ponto de interrogação, seria "por quê". Além disso, a base registra que a construção é pouco natural, mas, mesmo assim, seu valor formal não coincide com o dos versos. Nos versos há conjunção causal "porque"; aqui, a posição final do segmento interrogativo exige outra forma.
D
Errada
A lacuna pede "porquê": "Tenho um porquê de estar com esse sentimento." O artigo "um" substantiva o vocábulo, que passa a funcionar como substantivo. Isso afasta o uso conjuntivo dos versos, em que "porque" não é substantivo, mas conjunção causal.
Pegadinha da questão
A banca explora o fato de todas as frases envolverem ideia de motivo ou razão, para induzir o candidato a marcar apenas pelo sentido geral. O que decide não é só a ideia de causa, mas a função gramatical e a forma gráfica: nos versos, o uso é de "porque" conjunção causal.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro identifique a função do termo no texto-base: nos versos, "porque" introduz causa, então a comparação deve preservar essa função.
  • Em interrogativa indireta, a forma tende a ser "por que", como em pergunta sobre a razão de algo.
  • Se a expressão estiver no fim de segmento interrogativo, a forma normativa é "por quê".
  • Se o vocábulo vier com artigo ou outro determinante, como em "um", ele está substantivado: usa-se "porquê".

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Comentários

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Gabarito B - Em ambos os casos, os ''porquês'' são explicativos.

A conjunção explicativa é a conjunção que introduz uma oração que explica, justifica ou esclarece a ideia apresentada na oração anterior.

  • O aluno-a-oficial Valverde deve revisar a legislação, porque a prova do CFO PMBA exige conhecimento detalhado.
  • Mantenha a disciplina nos estudos, pois a aprovação depende da constância na preparação.

CFOPMBA

"PORQUE explica, POR QUE pergunta, POR QUÊ termina, PORQUÊ é coisa."

A alternativa correta é a B: Tudo acontece (porque) permitimos tais ações, sem questionamentos, pois o "porque" nos versos de Fagundes Varela é uma conjunção explicativa/causal (escrito junto e sem acento), exercendo exatamente a mesma função sintática e semântica na frase da letra B.

A: Usa o "por que" separado e sem acento (equivalente a "por qual razão" ou "pelo qual"), pois preenche a lacuna com sentido interrogativo indireto ou relativo ("Não me disseram por que [razão] não participaram...");

B: Usa o "porque" junto e sem acento (conjunção explicativa/causal), idêntico ao caso do poema;

C: Usa o "por quê" separado e com acento no fim de frase interrogativa ("Não houve nenhum questionamento por quê?");

D: Usa o "porquê" junto e com acento, exercendo função de substantivo precedido de artigo ("um porquê").

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