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Comentário de Gabarito – Conceito e Limites da Contribuição de Melhoria
1. Interpretação e Legislação Aplicável
A questão versa sobre contribuição de melhoria, sua delimitação legislativa, limites de cobrança e individualização do ônus tributário aos contribuintes, conceitos previstos na Constituição Federal (art. 145, III) e Código Tributário Nacional (arts. 81 e 82).
2. Tema Central e Exemplo Prático
O cerne está em saber como apurar o valor devido a título de contribuição de melhoria após obra pública que valorizou imóveis. O CTN estipula que só podem ser cobrados valores proporcionais à efetiva valorização individualizada do imóvel, com limites claros: o custo global da obra e o acréscimo real de valor do imóvel (CTN, art. 81).
Exemplo prático: Se a obra custou R$ 250.000 e determinado imóvel aumentou seu valor em R$ 20.000, a cobrança máxima sobre ele é de R$ 20.000, ainda que o custo global permita cobrança maior.
3. Alternativa Correta (Letra E) – Justificativa
A alternativa E está correta pois o valor individual da contribuição de melhoria deve ser calculado considerando o fator de valorização individual do imóvel. Isso está de acordo com o art. 82, I, “e” do CTN, que define a necessidade de “determinação do fator de absorção do benefício da valorização para toda a zona ou para cada uma das áreas diferenciadas”. Geraldo Ataliba e Aliomar Baleeiro confirmam essa individualização na doutrina tributária.
4. Alternativas Incorretas – Análise Crítica
A) NÃO se aplica porque o limite individual é o acréscimo de valor para cada imóvel, não um índice em relação à soma das valorizações.
B) ERRADO pois não basta haver benefícios coletivos: é necessário valorização efetiva e mensurável para cada imóvel.
C) FALSA, pois o limite máximo é duplo: valorização individual e custo global da obra, não apenas uma delas.
D) NÃO pode haver cobrança linear sem respeito à valorização efetiva e individualizada (STF, RE 115.863).
5. Atenção às Pegadinhas
Evite erros ao interpretar limites “únicos” ou possibilidade de cobrança linear: são práticas vedadas pela lei, doutrina e jurisprudência.
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Comentários
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Art. 81 do CTN. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado.
Art. 82, § 1º, do CTN. A contribuição relativa a cada imóvel será determinada pelo rateio da parcela do custo da obra a que se refere a alínea c, do inciso I, pelos imóveis situados na zona beneficiada em função dos respectivos fatores individuais de valorização.
"Percebe-se que a valorização efetiva não foi a prevista pelo Estado e que o fato
gerador da contribuição (valorização) não ocorreu quanto ao primeiro imóvel. Além
disso, o valor cobrado a título de contribuição de melhoria ultrapassou o limite máximo
individual no tocante aos imóveis II e III.
Uma análise mais apressada poderia levar à conclusão de que os valores cobrados
dos proprietários dos imóveis IV e V estariam corretos, pois ficaram dentro dos limites
estabelecidos. Tal raciocínio é equivocado, pois seria injusto cobrar do proprietário do
imóvel IV 100% do valor acrescido e do proprietário do imóvel V apenas 80%
(100.000,00/125.000,00). É neste ponto que ganham relevância os “fatores individuais
de valorização”. O montante a ser cobrado de cada proprietário deve ser obtido pelo
produto entre o fator individual e o valor total a ser custeado. Assim, para o imóvel II,
por exemplo, o valor a ser pago seria o “fator individual de valorização” (20mil/270mil =
0.074 = 7,4%)1 multiplicado pelo custo a ser financiado pela contribuição (250 mil), ou
seja, aproximadamente R$ 18.518,51.
Nessa linha, dentre as alternativas propostas na questão, a assertiva considerada
correta afirmava o seguinte: “se o fator individual de valorização do imóvel II, apurado
com base na legislação própria, fosse igual a 0,074 (ou 7,4%), a contribuição de
melhoria relativa a esse imóvel poderia ser determinada e, posteriormente, lançada e
cobrada, mediante o rateio do custo total da obra por esse fator individual de
valorização”.
Em termos matemáticos, independentemente de eventuais fórmulas constantes da
legislação própria, é possível afirmar que o valor a ser pago pode ser determinado por
uma simples “regra de três”, dividindo-se o valor a ser financiado entre os
proprietários dos imóveis beneficiados proporcionalmente à valorização
individual de cada imóvel.
Percebe-se que a sistemática estatuída no Código garante a observância do
limite total (global), pois o valor rateado entre os beneficiários é uma parcela do custo
da obra (podendo chegar até 100% deste valor), mas não garante matematicamente
a observância do limite individual, pois pode ocorrer de o custo da obra ser muito
maior que a soma das valorizações individuais. Nesse caso, deve-se reduzir a parcela a
ser rateada à soma de tais valorizações, sob pena de desobediência à própria regra do
Código que impõe também o respeito ao limite individual.
Por fim, alerta-se aos que se preparam para concursos públicos que, não obstante o
raciocínio ora exposto já haver sido objeto da inteligente questão da Fundação Carlos
Chagas, também devem ser consideradas corretas as tradicionais afirmativas no sentido
simplório de que a base de cálculo da contribuição de melhoria é a diferença entre os
valores iniciais e finais dos imóveis beneficiados (valorização). É o que simploriamente
afirma a jurisprudência brasileira."
DIREITO TRIBUTARIO ESQUEMATIZADO 8 EDIÇÃO
RICARDO ALEXANDRE
Bastaria o candidato(a) saber que ao IMÓVEL I não poderia ser cobrado contribuição de melhoria ( visto que não teve valorização alguma) para eliminar, de imediato, as assertivas b, c, d, ficando assim entre as letras a) e e).
Observem que as letras b, c, d trazem a expressão "(...) Todos os cinco imóveis deveriam pagar contribuição de melhoria (...), o que torna essas 03 assertivas erradas.
Raphael esse raciocínio não funciona muito bem quanto ao item "C".
"O Estado poderá cobrar contribuição de melhoria de todos os imóveis que se valorizaram em decorrência da obra em questão, tendo como único valor máximo limite, para essa cobrança, o montante equivalente à valorização que cada imóvel sofreu em decorrência das obras realizadas. "
Perceba que até esse ponto a assertiva estaria correta posto que todos os imóveis que se valorizam em decorrência de obras públicas atraem a incidência das contribuições de melhoria. O erro não está nesse ponto, quanto ao item "c". Ficariam portanto três itens, "a", "c" e "e".Só complementando... A interpretação do item "c" nos conduz à ilação de que o imóvel "I" não estaria incluso na incidência da contribuição, portanto o item estaria se referindo aos demais imóveis (II, III, IV e V), posto que estes foram os imóveis que valorizaram.
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