Considerando o caso de uma criança de 5 anos com assimetria ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3194463 Medicina
Considerando o caso de uma criança de 5 anos com assimetria facial, que foi diagnosticada como esclerodermia localizada com “lesão em golpe de sabre”, qual é a melhor opção de medicação inicial?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Esclerodermia localizada infantil (morphea) na forma linear “golpe de sabre”, que acomete a face e estruturas profundas, com risco de assimetria facial, atrofia de partes moles e óssea, e possível comprometimento neurológico/oftalmológico. Nessas situações, é necessária terapia sistêmica para interromper a atividade inflamatória.

Alternativa correta: C — Metotrexato

Justificativa: O metotrexato (MTX) é a terapia de primeira linha para esclerodermia localizada linear ativa, especialmente em face, usualmente associado a corticoterapia sistêmica inicial para rápido controle da inflamação. Evidências e recomendações internacionais (PRES/SHARE 2019 para esclerodermia localizada juvenil; UpToDate) indicam MTX semanal (≈15 mg/m²/sem, máx. 25 mg) com ácido fólico, por 12–24 meses após controle clínico, reduzindo progressão e sequelas. Monitorizar hemograma e enzimas hepáticas.

Análise das alternativas incorretas

A — Glicocorticoide tópico: útil em placas superficiais limitadas. No “golpe de sabre”, o processo é profundo (derme, subcutâneo, fáscia e osso), e o tópico não atinge o alvo nem controla a atividade; risco de progressão e deformidade. Não é opção inicial isolada.

B — Fototerapia UV: UVA1 pode ajudar em morphea superficial e em tronco/membros. Na face/couro cabeludo a aplicação é difícil, a penetração é limitada para doença profunda e não previne atrofia óssea; além disso, logística e fototoxicidade pesam em crianças. Não é primeira linha.

D — Ciclosporina: imunossupressor com nefrotoxicidade e hipertensão. Evidência limitada em esclerodermia localizada infantil; não recomendada como terapia inicial frente à eficácia e segurança do MTX.

E — Micofenolato de mofetila: alternativa de segunda linha para refratários ou intolerantes ao MTX; há estudos observacionais, mas evidência menor que para MTX. Não é a melhor opção inicial.

Abordagem prática e exames úteis

- Avaliar atividade (halo violáceo, induração), extensão e profundidade; documentar com fotos.

- Solicitar, quando indicado: RM crânio/face (tecidos profundos e SNC), avaliação oftalmológica (uveíte/estrabismo), odontomaxilofacial; ANA, VHS/ PCR podem apoiar o acompanhamento.

Pegadinha de prova: “Localizada” não significa “tratamento local”. Lesão linear facial com assimetria indica doença profunda e ativa → exige imunossupressão sistêmica (MTX ± corticoide sistêmico inicial).

Referências: PRES/SHARE recommendations for juvenile localized scleroderma (2019); UpToDate – Juvenile localized scleroderma: Management; Diretrizes e consensos de Reumatologia Pediátrica.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo