A Lei Complementar nº X (LCX), editada pela União no dia 15 ...

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Q4279859 Direito Tributário
A Lei Complementar nº X (LCX), editada pela União no dia 15 de dezembro do ano W, alterou a Lei Complementar nº Y (LCY), que estabeleceu as normas afetas a determinado imposto sobre o consumo de competência dos Estados membros. Entre as alterações, foi previsto que o direito a determinado crédito do imposto, que se iniciaria no dia 1º de janeiro do ano subsequente ao ano W por força da redação original da LCY, somente produziria efeitos 5 (cinco) anos depois.
Um contribuinte do imposto, que atua em determinado segmento econômico, ingressou com demanda individual almejando o aproveitamento do crédito tributário no dia 1º de janeiro do ano subsequente ao ano W, argumentando com a inconstitucionalidade da alteração promovida pela LCX.

Na situação descrita, é correto afirmar que a LCX
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A Constituição Federal, art. 150, III, c, veda cobrar tributos: "c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b;". No caso, a LCX adiou o início de nova hipótese de creditamento ainda não eficaz. À luz do Tema 382 do STF, essa postergação não configura instituição ou aumento de tributo; por isso, a noventena não é exigível e sustenta a alternativa D.

Tema central: Postergação do creditamento do ICMS
Análise das alternativas
A
Errada
A proteção do direito adquirido, prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, exige direito já incorporado ao patrimônio do contribuinte. A situação apresenta previsão abstrata de creditamento futuro, alterada antes de produzir efeitos, sem indicação de crédito individual já constituído. Não se demonstrou direito adquirido atingido pela alteração.
B
Errada
A capacidade contributiva, prevista no art. 145, § 1º, da Constituição Federal, não assegura a manutenção da data de início de uma hipótese legal futura de creditamento. O simples adiamento não demonstra tributação incompatível com a capacidade econômica do contribuinte, e não há outro elemento que caracterize essa violação.
C
Errada
A anterioridade nonagesimal pressupõe instituição ou aumento de tributo. Segundo o Tema 382 do STF, a postergação de novas hipóteses de creditamento do ICMS não representa aumento tributário. Assim, embora não transcorram noventa dias entre as datas indicadas, esse intervalo não é exigível na hipótese.
D
Certa
Na leitura que sustenta o gabarito, trata-se de nova hipótese de creditamento do ICMS ainda não eficaz. A lei complementar é o veículo adequado, pois a Constituição Federal, art. 155, § 2º, XII, c, atribui-lhe a função de "c) disciplinar o regime de compensação do imposto;". Também não houve instituição ou aumento do tributo, conforme o entendimento do STF no RE 603.917/SC, Tema 382. Por isso, não incidem as restrições das anterioridades anual e nonagesimal. O art. 150, III, b, da Constituição Federal proíbe a cobrança: "b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;". A alternativa D expressa ausência de ofensa à legalidade e às anterioridades, e não o efetivo transcurso de noventa dias.
E
Errada
O cadastramento como beneficiário em potencial não comprova aquisição do direito ao crédito. A garantia do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal depende de direito efetivamente adquirido, e a identificação administrativa de possíveis beneficiários não transforma automaticamente a expectativa de creditamento em direito incorporado.
Pegadinha da questão
Calcular a noventena antes de verificar se houve aumento do tributo. O adiamento de creditamento ainda não eficaz não se confunde com retirada de créditos já constituídos; na alternativa D, observar a anterioridade significa não a violar, e não ter aguardado noventa dias.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de contar prazos de anterioridade, verifique se a alteração institui ou aumenta o tributo.
  • Distinga previsão de creditamento ainda não eficaz de crédito individual já constituído.
  • Aplique o Tema 382 à postergação de novas hipóteses de creditamento do ICMS, sem generalizá-lo para qualquer restrição a créditos tributários.
  • Separe a disciplina nacional da compensação do ICMS, reservada à lei complementar, da instituição do próprio imposto.

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Comentários

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A postergação do direito do contribuinte do ICMS de usufruir de novas hipóteses de creditamento, por não representar aumento do tributo, não se sujeita à anterioridade nonagesimal prevista no art. 150, III, "c", da Constituição.

STF. Plenário. RE 603917, Rel. Rosa Weber, julgado em 25/10/2019 (Repercussão Geral - Tema 382)

Gabarito: D!

TEMA 382 – RE 603917: A postergação do direito do contribuinte do ICMS de usufruir de novas hipóteses de creditamento, por não representar aumento do tributo, não se sujeita à anterioridade nonagesimal prevista no art. 150, III, c, da Constituição. (FGV 2026) (FGV 2025)

Interessante como a FGV repete algumas questões, caiu uma igualzinha a essa na AGE-MG 2023

Gabarito: letra D.

TEMA 382 – RE 603917: A postergação do direito do contribuinte do ICMS de usufruir de novas hipóteses de creditamento, por não representar aumento do tributo, não se sujeita à anterioridade nonagesimal prevista no art. 150, III, c, da Constituição.

O raciocínio correto é de que a postergação de novas hipóteses de creditamento não representa aumento do tributo e, portanto, não se sujeita à anterioridade nonagesimal.

meu raciocínio em tributário é 90 por cento assim: sigo a tese mais favorável à fazenda. Acerto muita questão só com esse pensamento

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