Leia as frases a seguir. 1. “João é muito culto, conhece vá...
1. “João é muito culto, conhece várias línguas, entende de arte e de literatura.”
2. “Imagine! É claro que Joaquim não pode ocupar o cargo que pleiteia. Ele não tem cultura nenhuma. É semianalfabeto.”
3. “Não creio que a cultura alemã ou francesa seja superior à brasileira. Você acha que há alguma coisa superior à nossa música popular?”
Essas frases, que constam da obra Iniciação à Filosofia, de Marilena Chauí, e muitas outras que fazem parte do nosso dia a dia, indicam que empregamos a palavra cultura, e seus derivados, como culto e inculto, em sentidos muito diferentes e, por vezes, contraditórios.
A partir das frases citadas, é correto afirmar que:
Gabarito comentado
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Gabarito: Alternativa C
Tema central: a polissemia da palavra cultura — ela aparece como conhecimento individual (culto/inculto), como atributo coletivo (cultura nacional) e como julgamento de valor (superior/inferior). Compreender essas camadas é essencial em questões que pedem análise semântica e crítica.
Resumo teórico:
- Cultura como saber erudito: ligada a escolaridade, gosto e capital cultural (sentido comum/valorativo).
- Cultura como modo de vida coletivo: tradição, práticas e expressões de um povo (sentido antropológico; consultar Marilena Chauí, Iniciação à Filosofia, e definições de organismos culturais como UNESCO).
- Cultura como juízo de valor: hierarquização (superior/inferior) que pode produzir contradições quando o "popular" é simultaneamente desprezado e exaltado.
Por que a alternativa C está correta:
A alternativa C identifica corretamente que nas três frases a noção de cultura oscila entre superior/inferior e revela contradição: a música popular brasileira é, por um lado, manifestação cultural coletiva valorizada; por outro, o termo “inculto” aponta discriminação segundo padrões eruditos. Assim, a questão mostra os três sentidos e a tensão entre eles — exatamente o que C afirma.
Por que as outras alternativas estão erradas:
A: afirma que, na frase 2, cultura é prestígio de poucos mas admite difusão futura — leitura imprecisa; o enunciado usa “inculto” como desprezo, sem sugestão de transmissão futura.
B: diz que a terceira frase não agrega valor à nação; incorreto: ela compara culturas e valoriza a música popular brasileira, ou seja, atribui valor coletivo e nacional.
D: reduz a primeira frase a experiências pessoais apartadas da coletividade; na verdade, ela lista saberes eruditos (línguas, arte, literatura) — vínculo com capital cultural e saber formal.
E: transforma “culto/inculto” em capacidades cognitivas puras; equivocação: os termos têm forte carga social, valorativa e cultural, não apenas cognitiva.
Dica de interpretação: identifique em cada frase se o termo refere‑se ao indivíduo ou à coletividade e se há juízo de valor. Marque palavras-chave (ex.: “culto”, “inculto”, “nossa música”) para mapear sentidos.
Fonte principal recomendada: Marilena Chauí, Iniciação à Filosofia; para perspectivas culturais: UNESCO (declarações sobre diversidade cultural).
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