Durante um deslocamento de navio, Ana, filha de Martina, de ...

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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: TJ-CE Prova: FGV - 2025 - TJ-CE - Juiz Substituto |
Q3505816 Direito Constitucional
Durante um deslocamento de navio, Ana, filha de Martina, de nacionalidade russa, e de João, de nacionalidade angolana, nasceu em alto-mar em navio de bandeira estrangeira. Logo após o nascimento, em razão da proximidade e da necessidade de Ana ser submetida a cuidados médicos, a família veio para o território brasileiro, aqui permanecendo por dois meses. Em seguida, deslocaram-se para Angola, onde fixaram residência. Ao completar 18 anos, Ana, que tinha nacionalidade angolana e russa, fixou residência no território brasileiro. Dois anos depois, em razão de sua idoneidade moral e reputação ilibada, além do domínio da língua, foi convencida por amigos a se informar sobre a possibilidade de concorrer a um cargo eletivo, o que exigia reflexões quanto à sua nacionalidade.

Considerando os balizamentos estabelecidos pela sistemática constitucional, é correto afirmar que Ana 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A Constituição Federal, art. 12, II, a, dispõe: "a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;". Como Ana tem nacionalidade angolana, aplica-se essa regra favorecida, que exige a aquisição da nacionalidade na forma da lei. Isso sustenta a alternativa C.

Tema central: Naturalização de originários de países lusófonos
Análise das alternativas
A
Errada
A Constituição Federal, art. 12, I, a, estabelece: "a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país;". Ana nasceu em alto-mar, em navio estrangeiro, e não no território brasileiro. Além disso, não tem pai ou mãe brasileiros. A permanência posterior no Brasil não transforma esse nascimento em hipótese de nacionalidade brasileira originária.
B
Errada
A Constituição Federal, art. 12, I, c, prevê: "c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira;". A opção pressupõe filiação brasileira, inexistente no caso. Fixar residência no Brasil depois da maioridade não supre esse requisito, e a possibilidade de polipatria tampouco o dispensa.
C
Certa
Ana se enquadra na modalidade favorecida do art. 12, II, a, da Constituição Federal por sua nacionalidade angolana. O prazo constitucional exigido é de um ano ininterrupto, já superado pelos dois anos de residência informados, sem notícia de interrupção; a idoneidade moral também está presente. O cumprimento desses requisitos materiais não a torna automaticamente brasileira: ela precisa adquirir a nacionalidade mediante naturalização, na forma da lei. É nesse sentido que a alternativa C está correta.
D
Errada
A alternativa acrescenta requisito inexistente: a naturalização brasileira não está condicionada à renúncia às nacionalidades anteriores. Isso não significa garantir que Ana conservará as nacionalidades angolana e russa perante os respectivos ordenamentos, que não foram examinados.
E
Errada
A Constituição Federal, art. 12, II, b, dispõe: "b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.". Esses requisitos pertencem à naturalização extraordinária, modalidade distinta. Não são cumulativos com os da alínea a nem impedem Ana de utilizar a regra favorecida de um ano ininterrupto de residência e idoneidade moral.
Pegadinha da questão
Confundir a residência no Brasil após a maioridade com direito de opção, ignorando a exigência de pai ou mãe brasileiros, e tratar os quinze anos da naturalização extraordinária como prazo obrigatório para quem se enquadra na regra favorecida dos países de língua portuguesa.
Dica para questões semelhantes
  • Para reconhecer direito de opção pela nacionalidade brasileira, verifique primeiro se existe pai brasileiro ou mãe brasileira; residência e maioridade não substituem essa filiação.
  • Na naturalização de originário de país de língua portuguesa, aplique a exigência constitucional de um ano ininterrupto de residência e idoneidade moral, sem somar o prazo da modalidade extraordinária.
  • Separe o preenchimento dos requisitos materiais da aquisição da nacionalidade: a naturalização deve ocorrer na forma da lei, não automaticamente.
  • Não confunda ausência de exigência brasileira de renúncia com garantia de conservação das outras nacionalidades perante os países de origem.

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Comentários

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Não seriam necessários 4 anos de residência para que ela pudesse solicitar a nacionalidade?

A alternativa correta é a letra C.

Como estrangeira residente no Brasil que preenche os requisitos de idoneidade moral e domínio da língua, o caminho para Ana adquirir a nacionalidade brasileira é a naturalização, nos termos da lei (Art. 12, II, da CRFB/88).

Art. 12. São brasileiros: [...] II - naturalizados:

a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade mora

Os países de língua portuguesa, também conhecidos como países lusófonos, são nove no total:

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

GABARITO LETRA C.

Art. 12. São brasileiros:

(...)

II - naturalizados:

a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;

A pegadinha da questão é que Ana é angolana, país de língua portuguesa, e já mora há dois anos no Brasil, portanto já cumpriu os requisitos exigidos para naturalizar-se brasileira, conforme art.12, II, a da CF/88:

Art. 12. São brasileiros:

(...)

II - naturalizados:

a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;

Assim, para Ana poder concorrer a um cargo eletivo, ela deve se naturalizar brasileira, e não optar pela nacionalidade conforme está disposto na alternativa b.

Correta alternativa C

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