Paciente jovem, com quadro de sepse, foi submetido à laparo...
No terceiro dia pós-operatório encontrava-se grave, sedado, em ventilação assistida, com FiO2 de 70% e com uso de aminas em níveis ascendentes. A pressão intra-abdominal encontrava-se em torno de 26 mmHg.
Diante desse quadro, assinale a opção que indica a melhor conduta.
Gabarito comentado
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Tema central: O caso aborda a Síndrome Compartimental Abdominal (SCA), uma complicação grave em pacientes críticos, especialmente pós-operatórios, caracterizada por pressão intra-abdominal (PIA) ≥ 20 mmHg associada à disfunção de órgãos.
Justificativa da alternativa correta (C – Relaparotomia e peritoneostomia):
O quadro descrito (paciente grave, PIA de 26 mmHg, ventilação assistida, necessidade crescente de aminas) é típico de SCA com disfunção orgânica estabelecida. Nesses casos, a intervenção definitiva e de escolha é a descompressão cirúrgica, alcançada por relaparotomia e peritoneostomia.
Segundo a literatura e diretriz da Sociedade Brasileira de Clínica Médica: “A descompressão cirúrgica está indicada nos casos de disfunção orgânica com PIA sustentada acima de 20 mmHg” (RSBCM, v. 11, n. 2, 2013). Estudos (UpToDate; World Society of the Abdominal Compartment Syndrome, 2013) reforçam essa conduta.
Análise das alternativas incorretas:
A) Suspensão das aminas: Errada. As aminas são fundamentais para manter a perfusão dos órgãos em choque séptico/SCA. Suspender agravaria a instabilidade hemodinâmica.
B) Aumentar a sedação: Medida auxiliar, pode reduzir a pressão intra-abdominal por relaxamento muscular, mas é insuficiente isoladamente frente a PIA tão elevada com falência orgânica.
D) Relaxante muscular em infusão contínua: Também coadjuvante, apenas reduz discretamente a PIA e não resolve o quadro crítico.
E) Cateter nasogástrico e retal em sifonagem: São medidas iniciais na SCA leve para descompressão de alças, mas são ineficazes no controle de PIA > 25 mmHg com choque refratário; não substituem a cirurgia.
Estratégia interpretar: Questões desse tipo focam no nível de gravidade. Atenção a valores numéricos (“PIA de 26 mmHg”) e sinais de disfunção (uso de aminas!). Se o quadro for grave ou refratário, os métodos não invasivos perdem eficácia, indicando intervenção cirúrgica imediata.
Protocolos relevantes: O tratamento definitivo da SCA grave é cirúrgico. Recomenda-se descompressão imediata para prevenir morte e falência de múltiplos órgãos (WSACS, UpToDate, RSBCM).
Dica final: Reconheça urgências! Em “abdominal compartment syndrome” com disfunção, cirurgia de resgate é obrigatória. Tratamentos clínicos são reservados às formas leves ou enquanto se aguarda cirurgia.
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