Sobre o texto, assinale a alternativa incorreta:  

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Q2276662 Português
        Durante a Primeira Guerra Mundial, os soldados diziam que amputar uma perna era morrer duas vezes: a primeira durante a operação, a segunda de febre. De fato, infecções bacterianas do coto do membro amputado eram tão frequentes que a cirurgia só era indicada em casos de gangrena, sangramento incontrolável e outras situações extremas. A descoberta da caverna Liang Tebo, em Borneo, na Indonésia, acaba de revelar que esse tipo de cirurgia já era realizado há muito mais tempo do que imaginávamos. 
        Liang Tebo é uma caverna com 160 m³, formada por três câmaras com pinturas pré-históricas nas paredes da câmara superior, que datam de 41 mil anos atrás, no Pleistoceno tardio. Em 2020, escavações no assoalho dessa caverna encontraram um cemitério a 1,5 metro de profundidade. Entre as ossadas, chamou a atenção a de um adulto deitado de costas, com as pernas flexionadas, na qual faltava o pé esquerdo. O esqueleto foi batizado de TB1.
        Acompanhada com scanning a laser, a remoção cuidadosa dos ossos mostrou que 75% deles estavam preservados, bem como todos os dentes. Os estudos das cartilagens de crescimento [...] permitiram concluir que se tratava de um espécimen de Homo sapiens, com 19 a 20 anos de idade. [...]
        Mas, o que mais chamou a atenção dos paleontólogos foram as evidências de que a amputação do pé seccionou os ossos da perna – tíbia e fíbula – com incidência oblíqua, numa linha regular, como a das incisões cirúrgicas. Por acidente, uma amputação com essas características só poderia ser provocada por lâminas metálicas de uma máquina moderna. Esmagamento por acidente ou mordida de animal deixariam fragmentos ósseos irregulares, jamais um corte oblíquo linear. [...]
        A realização de uma cirurgia dessas proporções sugere que, no Pleistoceno tardio, milhares de anos antes do advento da agricultura, numa população de caçadores-coletores que habitavam cavernas, cirurgiões já tinham adquirido conhecimentos anatômicos sobre a disposição topográfica dos músculos, ossos, artérias, veias e nervos dos membros inferiores, que lhes permitia executar uma intervenção que só se tornaria rotina 30 mil anos mais tarde.

(drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/o-cirurgia o-mais-velho-do-mundo/).  
Sobre o texto, assinale a alternativa incorreta:  
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Tema central: Esta questão exige interpretação de texto, com foco nos conceitos de coerência e coesão textual. Você trabalha a capacidade de localizar informações explícitas e implícitas, analisar relações lógicas e identificar possíveis distorções do conteúdo apresentado pelo autor.

Justificativa da alternativa incorreta (B):
A alternativa B é a incorreta, pois inverte a informação chave do texto. De acordo com o trecho: “...incidência oblíqua, numa linha regular, como a das incisões cirúrgicas. Por acidente [...] ou mordida de animal deixariam fragmentos ósseos irregulares, jamais um corte oblíquo linear.”
A alternativa B afirma que a amputação resultou em fragmentos ósseos irregulares, porém o texto deixa claro que justamente o que chamou a atenção foi o corte oblíquo regular (linear), típico de instrumento cirúrgico. Portanto, houve distorção do sentido, violando a coerência textual – princípio fundamental para garantir sentido ao todo (Ingedore Koch).

Análise das demais alternativas:

A) CORRETA. O texto explicitamente informa que o cemitério foi encontrado a 1,5 metro de profundidade. Atenção à leitura fiel de dados numéricos!

C) CORRETA. Está no texto: a caverna possui pinturas e, nas escavações, encontraram mais ossadas além de TB1 (“entre as ossadas, chamou a atenção...”). Destaca-se a presença de outros indivíduos e elementos históricos.

D) CORRETA. O texto enfatiza o conhecimento anatômico dos antigos habitantes do local (“cirurgiões já tinham adquirido conhecimentos anatômicos…”), autorizando a análise histórica de suas habilidades técnicas.

Dicas de prova:

Atenção aos detalhes: palavras como “irregular”, “regular”, “único”, “primeiro” costumam ser foco de pegadinhas.
Faça sempre a correspondência exata entre o texto original e cada alternativa.
• Identifique se há inversão de ideias, adjetivos trocados ou negação sutil – como nesta questão.

Segundo Bechara (Gramática Escolar da Língua Portuguesa), boa interpretação depende tanto da leitura fiel das informações explícitas quanto da capacidade de rejeitar alternativas contraditórias à lógica do texto.

Gabarito: B (incorreta)

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