Um paciente chega à clínica com febre alta, dores de cabeça ...
Gabarito comentado
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Tema central: quadro de síndrome meníngea aguda (febre + cefaleia intensa + rigidez de nuca), que aponta para Meningite Bacteriana. A menção à área rural com gado é um possível “distrator”; o achado-chave é a rigidez nucal.
Alternativa correta: C – Meningite Bacteriana
O conjunto febre alta, cefaleia intensa e rigidez de nuca caracteriza meningoencefalite/meningite aguda. Os agentes mais comuns em adultos são Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis. O contato com gado poderia lembrar zoonoses (brucelose, leptospirose), porém o padrão clínico típico é de meningite bacteriana aguda. Conduta inicial inclui: coleta de hemoculturas, avaliação para necessidade de TC antes da punção lombar (imunossupressão, sinais focais, rebaixamento importante), e início imediato de antibioticoterapia empírica e dexametasona (ideal antes ou com a primeira dose do antibiótico), conforme diretrizes IDSA/UpToDate/Harrison’s.
Diagnóstico (exames): no LCR espera-se pleocitose neutrofílica, proteína elevada, glicose baixa e pressão de abertura aumentada. Gram e cultura do LCR e hemoculturas ajudam a identificar o agente. PCR/antígenos podem auxiliar. (Referências: IDSA 2021; UpToDate; Harrison’s).
Tratamento de escolha (adulto imunocompetente): ceftriaxona (ou cefotaxima) + vancomicina; se >50 anos, etilista, gestante ou imunodeprimido, acrescentar ampicilina para cobrir Listeria. Dexametasona reduz complicações, especialmente em pneumocócica. Notificar e considerar profilaxia para contatos em meningocócica (rifampicina, ciprofloxacino ou ceftriaxona). Diretrizes: IDSA/CDC/Ministério da Saúde.
Por que as outras estão incorretas?
A – Tuberculose: a meningite tuberculosa é subaguda/crônica, com prodrômico arrastado, líquor linfocitário, proteína muito alta e glicose muito baixa; cursa com paresias de nervos cranianos e vasculite basal. Não é típica apresentação aguda com rigidez de nuca abrupta. (Harrison’s).
B – Tétano: quadro de trismo, espasmos musculares generalizados, risus sardonicus, sem pleocitose no LCR. Não causa síndrome meníngea clássica. História costuma envolver ferimento contaminado; contato com gado não define. (OMS/UpToDate).
D – Salmonelose: geralmente gastroenterite com diarreia, dor abdominal e febre; febre entérica pode ter sintomas sistêmicos, mas rigidez nucal não é característica. (Harrison’s).
Estratégia de prova: diante de febre + cefaleia intensa + rigidez de nuca, pense primeiro em meningite bacteriana. Exposições ambientais ajudam, mas não devem sobrepor a tríade meníngea. Lembre-se de iniciar antibiótico e dexametasona rapidamente, após hemoculturas, e realizar punção lombar quando seguro.
Referências: IDSA Guidelines for Bacterial Meningitis (2021); UpToDate – Acute bacterial meningitis in adults: Clinical features, diagnosis, and management; Harrison’s Principles of Internal Medicine; Ministério da Saúde – Protocolos de Manejo de Meningites.
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