Poderia ser outro tema do poema: A

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Q2040505 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão.

Paisagens com cupins

No canavial tudo se gasta
Pelo miolo, não pela casca.
Nada ali se gasta de fora,
Qual coisa que em coisa se choca.

Tudo se gasta mas de dentro:
O cupim entra os poros, lento,
E por mil túneis, mil canais,
As coisas desfia e desfaz.

Por fora o manchado reboco
Vai-se afrouxando, mais poroso,
enquanto se desfaz, intestina,
o que era parede, em farinha.

E se não se gasta com choques,
Mas de dentro, tampouco explode.
Tudo ali sofre a morte mansa
Do que não quebra, se desmancha.

João Cabral de Melo Neto.
Poderia ser outro tema do poema: A
Alternativas

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Comentário do Gabarito – Interpretação de Texto

Tema central da questão: Interpretação de texto poético, exigindo a análise semântica e a identificação do tema predominante do poema, associando linguagem figurada (metáforas) à sua significação.

Análise do poema: O texto de João Cabral de Melo Neto descreve o modo sutil e silencioso com que os cupins destroem estruturas por dentro – “entra os poros, lento”, “desfaz, intestina”. Enfatiza o desgaste interno, paulatino e imperceptível até que a estrutura esteja destruída. O verso “Tudo ali sofre a morte mansa do que não quebra, se desmancha” mostra uma corrosão sem explosão, sem barulho — ou seja, silenciosa.

Justificativa para a resposta correta (C): A alternativa C) surda corrosão sintetiza a essência do poema: uma corrosão “surda” significa silenciosa, discreta, enquanto “corrosão” traduz o processo de desgaste descrito. Como ensina Bechara (em “Moderna Gramática Portuguesa”), a interpretação de textos poéticos deve ir além do sentido literal, buscando a metáfora predominante. Aqui, o cupim é metáfora para uma deterioração interna, sutil e destruidora. É exatamente isso que a alternativa propõe.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) caducidade da vida: Caducidade implica fim da existência pela passagem do tempo, mas o poema foca no processo interno e não na efemeridade em si.
  • B) rapidez do tempo: O texto destaca a lentidão e o gradualismo (“lento”, “morte mansa”), contrário à ideia de rapidez.
  • D) importância da reflexão: Não há indício de estímulo à reflexão filosófica; o sentido é objetivo e descritivo da corrosão.
  • E) tristeza da morte: Apesar de o poema abordar destruição, o tom não é de lamento ou tristeza, mas de constatação do processo.

Estratégia de resolução: Em interpretação de textos, é essencial buscar o que se repete e se destaca na construção poética. Palavras como “dentro”, “lento”, “se desmancha” conduzem a um desgaste silencioso – a “surda corrosão”.

Em provas, evite escolher alternativas com temas vagos ou que ampliem demais o sentido do texto. Busque a resposta mais fiel à mensagem central do poema.

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