O cupim, no poema, simboliza o/a

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Q2040504 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão.

Paisagens com cupins

No canavial tudo se gasta
Pelo miolo, não pela casca.
Nada ali se gasta de fora,
Qual coisa que em coisa se choca.

Tudo se gasta mas de dentro:
O cupim entra os poros, lento,
E por mil túneis, mil canais,
As coisas desfia e desfaz.

Por fora o manchado reboco
Vai-se afrouxando, mais poroso,
enquanto se desfaz, intestina,
o que era parede, em farinha.

E se não se gasta com choques,
Mas de dentro, tampouco explode.
Tudo ali sofre a morte mansa
Do que não quebra, se desmancha.

João Cabral de Melo Neto.
O cupim, no poema, simboliza o/a
Alternativas

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Comentário do gabarito:

Tema central: Esta questão exige interpretação de texto e conhecimento das figuras de linguagem, especialmente do simbolismo. Ao interpretar poesia em concursos, o candidato deve captar não apenas o sentido literal, mas também o significado implícito das imagens poéticas.

Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra, interpretação é o ato de compreender o texto para além da leitura superficial, detectando intenções, críticas ou simbolismos do autor (Nova Gramática do Português Contemporâneo). Evanildo Bechara enfatiza que o simbolismo ocorre quando um elemento concreto representa uma qualidade, sentimento ou ideia abstrata (Moderna Gramática Portuguesa).

No poema, o cupim não simboliza apenas o inseto, mas representa um processo de desgaste interno, quando as coisas se deterioram de dentro para fora, sem sinais externos imediatos. O verso “tudo se gasta, mas de dentro” reforça esse sentido de destruição interna. O cupim, aqui, é metáfora da corruptibilidade, ou seja, a capacidade de algo sólido ruir por ação oculta e silenciosa.

Justificativa da alternativa correta (B): Corruptibilidade das coisas. O termo evoca a ideia de que tudo pode corromper-se, apodrecer, perder sua integridade, ainda que aparentemente resista por fora. Essa leitura dialoga diretamente com as imagens do texto: “por mil túneis, mil canais, as coisas desfia e desfaz”.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Vida difícil dos canavieiros: Não há foco nas pessoas, mas sim no processo físico de corrosão. O poema não cita sofrimento humano.
  • C) Sofrimento do agricultor: Similar à anterior, confunde o sujeito do poema e restringe o sentido à experiência humana, o que não ocorre no texto.
  • D) Inverno rigoroso: Não há menção a inverno ou clima como agente de deterioração; é irrelevante ao tema proposto.
  • E) Poluição ambiental: Trata-se de processo natural, não há referência à ação humana poluidora, apenas à ação dos cupins.

Dica para provas: Em textos poéticos, procure palavras-chave e imagens que se repetem e observe o que representam além do sentido literal. Atenção a alternativas que desviam para temas sociais ou ambientais sem respaldo textual.

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