Na organização do SUS, a insuficiência de recursos próprios...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3915102 Direito Sanitário
Na organização do SUS, a insuficiência de recursos próprios para assegurar a cobertura assistencial em determinada área pode ensejar a adoção de mecanismos jurídicos específicos envolvendo a iniciativa privada. Nesse contexto, a forma juridicamente adequada de participação complementar desses serviços, condicionada à observância de normas de direito público, à preferência institucional e a critérios nacionais de remuneração e controle, caracteriza-se pela:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: Constituição Federal, art. 199, § 1º: "As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos." Lei nº 8.080/1990, arts. 24, parágrafo único, 25 e 26: "Art. 24. Quando as suas disponibilidades forem insuficientes para garantir a cobertura assistencial à população de uma determinada área, o Sistema Único de Saúde (SUS) poderá recorrer aos serviços ofertados pela iniciativa privada. Parágrafo único. A participação complementar dos serviços privados será formalizada mediante contrato ou convênio, observadas, a respeito, as normas de direito público. Art. 25. Na hipótese do artigo anterior, as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos terão preferência para participar do Sistema Único de Saúde (SUS). Art. 26. Os critérios e valores para a remuneração de serviços e os parâmetros de cobertura assistencial serão estabelecidos pela direção nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), aprovados no Conselho Nacional de Saúde."

Tema central: Participação complementar no SUS
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque substitui a exigência legal de contrato ou convênio por "incorporação automática" mediante autorização administrativa discricionária, o que contraria o art. 24, parágrafo único, da Lei nº 8.080/1990. Também erra ao afirmar "livre definição de valores e parâmetros assistenciais", pois o art. 26 reserva os critérios e valores de remuneração e os parâmetros de cobertura à direção nacional do SUS, com aprovação do Conselho Nacional de Saúde.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reproduz o regime jurídico completo da participação complementar da iniciativa privada no SUS. A lei admite esse recurso apenas quando houver insuficiência de disponibilidade assistencial; exige formalização por contrato ou convênio; impõe observância das normas de direito público; confere preferência às entidades filantrópicas e sem fins lucrativos; e determina que os critérios e valores de remuneração e os parâmetros de cobertura assistencial sejam definidos pela direção nacional do SUS, com aprovação do Conselho Nacional de Saúde.
C
Errada
Está errada porque transforma a participação privada em "delegação permanente da cobertura assistencial", quando a lei só admite participação complementar, em caso de insuficiência de disponibilidades do SUS, nos termos do art. 24 da Lei nº 8.080/1990. Além disso, a alternativa omite a forma jurídica obrigatória de contratação por contrato ou convênio e a submissão às normas de direito público.
D
Errada
Está errada porque afirma prioridade para serviços privados com fins lucrativos, invertendo a preferência legal. A Constituição Federal, art. 199, § 1º, e a Lei nº 8.080/1990, art. 25, estabelecem preferência para as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos. O critério de equilíbrio econômico-financeiro e disponibilidade orçamentária anual não substitui essa regra de preferência.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre participação complementar e substituição da atuação do SUS, além da troca da forma legal de ajuste por autorização discricionária e da falsa ideia de liberdade para fixar remuneração e priorizar entidades com fins lucrativos.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado falar em insuficiência da cobertura assistencial do SUS, procure a regra de participação complementar, não de delegação permanente.
  • Na participação privada no SUS, a forma jurídica correta é contrato ou convênio, sob normas de direito público.
  • Memorize a preferência legal: entidades filantrópicas e sem fins lucrativos.
  • Valores de remuneração e parâmetros de cobertura não são livres; são fixados pela direção nacional do SUS e aprovados pelo Conselho Nacional de Saúde.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo