No trecho “ ‘O outro é perigoso, é o inimigo; arme-se, prepa...

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Q2464424 Português
TEXTO 1


         Quando falamos sobre cultura da paz, um dos meus lamentos é que a história da humanidade conte pouco de respostas não violentas da humanidade aos conflitos. Os livros de história pouco tratam das pessoas que tiveram uma maneira de viver menos violenta. Que foram menos agressivas e mais acolhedoras. Discriminações, preconceitos, guerras, escravização, tortura, raiva sempre existiram entre nós, humanos. Manifestações de ódio não são uma novidade da nossa época. Assim como sempre existiram, também, grupos que pensam de forma diferente. O que acontece é que se dá muita visibilidade às violências e ao medo através dos meios de comunicação, da informática, da tecnologia. Ficamos sabendo imediatamente de tudo o que possa estar acontecendo em qualquer lugar do mundo. E a mídia parece muito interessada em mostrar o que não é bom. Daí, eu pergunto: Qual é a necessidade de manter a população amedrontada? Quais as vantagens disso? A quem interessa uma população que pensa: “O outro é perigoso, é o inimigo; arme-se, prepare-se para a luta”. Percebo isso no mundo de hoje. Temos a mídia, que é facilitadora para que as pessoas fiquem assustadas e considerem prioridade o que não é benéfico: o crime, as guerras, as bombas, os conflitos, as várias formas de discriminação e preconceito e a corrupção. Esses seres atrelados aos crimes são os nossos atores principais na capa das revistas, dos jornais e nos canais de televisão. Ao mesmo tempo, há pessoas boníssimas, fazendo coisas maravilhosas, que aparecem tão pouco – isso quando aparecem. Houve uma inversão de valores - o prejudicial priorizado. Acredito que seja muito importante haver uma reinversão de valores, dando maior ênfase às coisas boas, para que possamos desenvolver uma cultura de paz. Cultura de cultivar – como cultivamos plantas, flores, frutos e alimentos – afetos. Cultivar a não violência ativa, como insistiu Mahatma Gandhi em sua vida, cultivar o cuidado, o respeito, a compreensão, a amorosidade. (Monja Coen, em O inferno somos nós (pp. 9-10), de Leandro Karnal e Monja Coen). 
No trecho “ ‘O outro é perigoso, é o inimigo; arme-se, prepare-se para a luta’ ”, as aspas são utilizadas com a finalidade de:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão aborda o uso das aspas, um conteúdo da parte de pontuação da Língua Portuguesa, frequentemente cobrado em provas de interpretação de textos. É fundamental para o cargo de Assistente Administrativo compreender a função das aspas, já que seu uso indevido pode causar falta de clareza em documentos e comunicações oficiais.

Justificativa da alternativa correta (B): Segundo a norma-padrão, as aspas servem, principalmente, para delimitar citações diretas, ou seja, reproduzir de maneira fiel falas, pensamentos ou declarações de terceiros. No trecho citado do texto, a autora incorpora um pensamento que representa como parte da sociedade enxerga o “outro”, reproduzindo literalmente esse discurso: “O outro é perigoso, é o inimigo; arme-se, prepare-se para a luta”. Ao fazer isso, utiliza as aspas para indicar que não se trata de sua própria fala, mas sim de uma reprodução textual fiel.

Gramáticos consagrados, como Evanildo Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra, explicitam esse emprego das aspas para citações diretas em suas gramáticas, reforçando ser este um dos usos principais do sinal.

Análise das alternativas incorretas:

A) Exprimir ironia: Incorreto. Aspas podem servir para expressar ironia, mas, neste contexto, não há tom irônico; há a reprodução de um discurso.

C) Indicar palavra de origem estrangeira: Incorreto. Apesar de as aspas também poderem destacar termos estrangeiros, neste caso todo o trecho é em língua portuguesa, e o objetivo é reproduzir um discurso, e não grifar um estrangeirismo.

D) Indicar nome de obra literária: Incorreto. Para nomes de obras, as aspas também são empregadas, mas aqui a citação não é título de obra, mas sim pensamento/discurso reproduzido.

Orientação para provas: Sempre identifique quem está falando e de quem é a fala. Quando o texto traz um trecho entre aspas no meio de uma narrativa ou exposição, desconfie que se trata de uma citação direta. Palavras-chave como ‘disse’, ‘pensou’, ‘acredita’ geralmente puxam esse tipo de estrutura. Cuidado com pegadinhas que confundem citações com ironia ou estrangeirismos.

Resumo da regra: Aspas delimitam a citação direta de falas, pensamentos ou textos alheios; esse é o uso apresentado no trecho.

Gabarito: B) Indicar uma citação.

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