A pancreatite, uma condição inflamatória do pâncreas, pode ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3546410 Medicina
A pancreatite, uma condição inflamatória do pâncreas, pode se apresentar em formas agudas ou crônicas, cada uma com suas peculiaridades no manejo. Uma paciente de 50 anos, com histórico de colelitíase, é admitida no pronto-socorro com dor abdominal intensa, náuseas e vômitos. Exames laboratoriais indicam aumento significativo das enzimas pancreáticas e a tomografia computadorizada abdominal confirma o diagnóstico de pancreatite aguda. Não há evidência de necrose pancreática ou complicações infecciosas. Qual das seguintes opções representa a melhor abordagem inicial para o tratamento desta paciente?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: manejo inicial da pancreatite aguda biliar sem necrose ou infecção. Nessas situações, a conduta prioritária é suporte clínico com hidratação, analgesia e nutrição enteral precoce quando necessário, evitando intervenções desnecessárias.

Alternativa correta: EManejo de suporte. O raciocínio: a paciente tem pancreatite aguda intersticial (sem necrose/infecção). As diretrizes ACG/AGA/IAP-APA e WSES recomendam: hidratação IV precoce (preferir Ringer lactato), controle de dor (opioides são seguros) e início de nutrição enteral cedo se não puder alimentar-se por via oral. Isso reduz falência orgânica e infecção de necrose, além de diminuir tempo de internação (Harrison’s; UpToDate; ACG 2013/2020; AGA 2018; WSES 2019).

Componentes práticos do suporte inicial:

  • Hidratação IV precoce (ex.: Ringer lactato), com reavaliações clínicas e laboratoriais para evitar sobrecarga.
  • Analgésia com opioides; associar antieméticos e oxigênio se necessário.
  • Nutrição: iniciar dieta oral assim que dor diminuir; se não tolerar em 24–48h, usar enteral (sonda). Evitar TPN, salvo impossibilidade de via enteral.
  • Sem antibiótico profilático na pancreatite não complicada.
  • Etiologia biliar: programar colecistectomia na mesma internação após melhora clínica (em casos leves); ERCP apenas se houver colangite ou obstrução persistente.

Por que as demais estão incorretas?

  • A – Antibióticos de amplo espectro: não previnem infecção de necrose e não são indicados na pancreatite intersticial sem infecção. Reservar para necrose infectada ou infecção comprovada (ACG/AGA/WSES).
  • B – Opioides + jejum + TPN: a analgesia está correta, mas jejum prolongado e TPN de rotina pioram desfechos. A nutrição enteral é preferível e deve ser precoce se via oral não for possível.
  • C – Colecistectomia imediata: a cirurgia deve ocorrer após estabilização, ainda na mesma internação nos casos leves. A prioridade inicial é a ressuscitação e o suporte clínico.
  • D – Enzimas pancreáticas + dieta: enzimas são úteis na pancreatite crônica com insuficiência exócrina, não na fase aguda.

Diagnóstico e fisiopatologia (resumo para prova): diagnóstico com 2 de 3: dor típica, amilase/lipase >3x o limite superior, e imagem compatível. Na etiologia biliar, cálculos impactam a ampola, causando obstrução ductal e ativação intrapancreática de enzimas, gerando inflamação local e resposta sistêmica.

Pegadinhas clássicas: antibiótico profilático, TPN de rotina e “colecistectomia imediata” no pronto-socorro. Identifique a frase-chave “sem necrose/infecção” para optar por suporte clínico como primeira medida.

Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Acute pancreatitis: Initial management); ACG Guideline (2013, atualizações 2020); AGA 2018; IAP/APA 2013; WSES 2019.

Gabarito: E.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo