A pancreatite, uma condição inflamatória do pâncreas, pode ...
Gabarito comentado
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Tema central: manejo inicial da pancreatite aguda biliar sem necrose ou infecção. Nessas situações, a conduta prioritária é suporte clínico com hidratação, analgesia e nutrição enteral precoce quando necessário, evitando intervenções desnecessárias.
Alternativa correta: E — Manejo de suporte. O raciocínio: a paciente tem pancreatite aguda intersticial (sem necrose/infecção). As diretrizes ACG/AGA/IAP-APA e WSES recomendam: hidratação IV precoce (preferir Ringer lactato), controle de dor (opioides são seguros) e início de nutrição enteral cedo se não puder alimentar-se por via oral. Isso reduz falência orgânica e infecção de necrose, além de diminuir tempo de internação (Harrison’s; UpToDate; ACG 2013/2020; AGA 2018; WSES 2019).
Componentes práticos do suporte inicial:
- Hidratação IV precoce (ex.: Ringer lactato), com reavaliações clínicas e laboratoriais para evitar sobrecarga.
- Analgésia com opioides; associar antieméticos e oxigênio se necessário.
- Nutrição: iniciar dieta oral assim que dor diminuir; se não tolerar em 24–48h, usar enteral (sonda). Evitar TPN, salvo impossibilidade de via enteral.
- Sem antibiótico profilático na pancreatite não complicada.
- Etiologia biliar: programar colecistectomia na mesma internação após melhora clínica (em casos leves); ERCP apenas se houver colangite ou obstrução persistente.
Por que as demais estão incorretas?
- A – Antibióticos de amplo espectro: não previnem infecção de necrose e não são indicados na pancreatite intersticial sem infecção. Reservar para necrose infectada ou infecção comprovada (ACG/AGA/WSES).
- B – Opioides + jejum + TPN: a analgesia está correta, mas jejum prolongado e TPN de rotina pioram desfechos. A nutrição enteral é preferível e deve ser precoce se via oral não for possível.
- C – Colecistectomia imediata: a cirurgia deve ocorrer após estabilização, ainda na mesma internação nos casos leves. A prioridade inicial é a ressuscitação e o suporte clínico.
- D – Enzimas pancreáticas + dieta: enzimas são úteis na pancreatite crônica com insuficiência exócrina, não na fase aguda.
Diagnóstico e fisiopatologia (resumo para prova): diagnóstico com 2 de 3: dor típica, amilase/lipase >3x o limite superior, e imagem compatível. Na etiologia biliar, cálculos impactam a ampola, causando obstrução ductal e ativação intrapancreática de enzimas, gerando inflamação local e resposta sistêmica.
Pegadinhas clássicas: antibiótico profilático, TPN de rotina e “colecistectomia imediata” no pronto-socorro. Identifique a frase-chave “sem necrose/infecção” para optar por suporte clínico como primeira medida.
Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Acute pancreatitis: Initial management); ACG Guideline (2013, atualizações 2020); AGA 2018; IAP/APA 2013; WSES 2019.
Gabarito: E.
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