A respeito dos procedimentos relacionados a crimes praticado...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2464795 Direito Processual Penal
A respeito dos procedimentos relacionados a crimes praticados no âmbito doméstico contra a mulher, é correto afirmar que
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E

Fundamento decisivo: Lei nº 11.340/2006, art. 9º, § 2º, II: "§ 2º O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e familiar, para preservar sua integridade física e psicológica: (...) II - manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do local de trabalho, por até seis meses."

Tema central: Competência para medida protetiva
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque atribui a competência à Justiça Estadual, mas a base registra entendimento específico do STJ no CC 150.712/SP: em crime de ameaça contra a mulher praticado por rede social de grande alcance, iniciado no estrangeiro e com resultado no Brasil, a competência para apreciar o pedido de medida protetiva é da Justiça Federal.
B
Errada
Está errada porque afirma a aplicação da suspensão condicional do processo e da transação penal ao descumprimento de medida protetiva. Isso contraria o art. 41 da Lei nº 11.340/2006, segundo o qual aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher não se aplica a Lei nº 9.099/1995, e contraria também a Súmula 536 do STJ, que afasta esses institutos nos delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.
C
Errada
Está errada porque nega relevância jurídica à palavra da vítima para o recebimento da denúncia. A base aponta jurisprudência reiterada do STJ, inclusive no Informativo 830/2024, no sentido oposto: em violência doméstica, a palavra da vítima tem especial relevância, inclusive para fundamentar o recebimento da denúncia, justamente porque esses fatos costumam ocorrer sem testemunhas e em contexto de clandestinidade.
D
Errada
Está errada porque afirma modificação da competência da persecução penal por mera mudança de domicílio da vítima. A base é expressa ao dizer que a mera mudança de domicílio não implica, por si, alteração automática da competência, e que eventual atuação protetiva do juízo do novo domicílio não transforma automaticamente a competência do processo penal principal.
E
Certa
A alternativa E está correta porque a manutenção do vínculo trabalhista da ofendida, quando necessário o afastamento do local de trabalho por até seis meses, é medida protetiva expressamente prevista no art. 9º, § 2º, II, da Lei Maria da Penha. Por se tratar de providência inserida no regime protetivo da lei, sua apreciação cabe ao Juízo da Vara Especializada em Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e, na ausência desta, ao juízo criminal, conforme os arts. 14 e 33 da Lei nº 11.340/2006. O STJ apenas consolidou essa interpretação no REsp 1.757.775/SP.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre a natureza da medida de manutenção do vínculo trabalhista e o juízo competente para apreciá-la: apesar de envolver relação de trabalho, a base legal e o entendimento do STJ a tratam como medida protetiva da Lei Maria da Penha, de competência do juízo especializado e, na sua ausência, do juízo criminal.
Dica para questões semelhantes
  • Se a medida estiver expressamente prevista na Lei Maria da Penha como proteção da ofendida, identifique primeiro o dispositivo legal e só depois a competência.
  • Para manutenção do vínculo trabalhista da vítima, memorize o eixo normativo da base: art. 9º, § 2º, II, combinado com os arts. 14 e 33 da Lei nº 11.340/2006.
  • Em Lei Maria da Penha, confira se a alternativa tenta reintroduzir institutos da Lei nº 9.099/1995; a base indica afastamento pelo art. 41 e pela Súmula 536 do STJ.
  • Em questões de competência, não presuma alteração automática por mudança de domicílio da vítima; a base exige regra específica para isso.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

GABA E - Corresponde ao entendimento atual do STJ - a saber:>

Tem competência o juiz da vara especializada em violência doméstica e familiar ou, caso não haja na localidade o juízo criminal, para apreciar pedido de imposição de medida protetiva de manutenção de vínculo trabalhista, por até seis meses, em razão de afastamento do trabalho de ofendida decorrente de violência doméstica e familiar, uma vez que o motivo do afastamento não advém de relação de trabalho, mas de situação emergencial que visa garantir a integridade física, psicológica e patrimonial da mulher” (REsp 1.757.775). 

A) Errado.

Compete à Justiça Federal apreciar o pedido de medida protetiva de urgência decorrente de crime de ameaça contra a mulher cometido por meio de rede social de grande alcance, quando iniciado no estrangeiro e o seu resultado ocorrer no Brasil. STJ. 3ª Seção. CC 150.712-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 10/10/2018 (Info 636)

B) Errado.

Súmula nº 536, STJ: “A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.

C) Errado.

13) Nos crimes praticados no âmbito doméstico e familiar, a palavra da vítima tem especial relevância para fundamentar o recebimento da denúncia ou a condenação, pois normalmente são cometidos sem testemunhas. 

D) Errado.

4) A competência para a persecução penal de crimes praticados no âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher é do Juízo do local dos fatos; se, posteriormente, a vítima requerer e obtiver medidas protetivas de urgência no Juízo cível de seu novo domicílio, não ocorrerá prevenção nem modificação de competência para a análise de feito criminal.

E) Correto.

9) O Juízo da Vara Especializada em Violência Doméstica e Familiar ou, na ausência deste, o Juízo Criminal é competente para apreciar o pedido de imposição de medida protetiva de manutenção de vínculo trabalhista da ofendida em razão de afastamento do trabalho decorrente de violência doméstica e familiar.

A) Errado. "Compete à Justiça Federal apreciar o pedido de medida protetiva de urgência decorrente de crime de ameaça contra a mulher cometido, por meio de rede social de grande alcance, quando iniciado no estrangeiro e o seu resultado ocorrer no Brasil". (STJ, CC 150.712/SP). É a aplicação do artigo 109, V, da CF (crime previsto em tratado ou convenção internacional + transnacionalidade territorial do resultado). Embora as Convenções internacionais sobre discriminação e violência de gênero não tipifiquem crimes, o STJ aplicou entendimento do STF, segundo o qual "embora as convenções internacionais firmadas pelo Brasil não tipifiquem ameaças à mulher, a Lei Maria da Penha, que prevê medidas protetivas, veio concretizar o dever assumido pelo Estado Brasileiro de proteção à mulher". Assim satisfeito o primeiro requisito (previsão em tratado internacional que representa compromisso assumido pelo Brasil.

B) Errado. O art. 24-A, da LMP, prevê pena de detenção, de 3 meses a 2 anos. Prevalece na doutrina que, apesar de a pena máxima ser igual a 2 anos, não se trata de IMPO, porque, apesar de tutelar a administração da justiça, também ataca individualmente a própria mulher, o que faria incidir o artigo 41, da LMP (que veda a aplicação da lei 9099 e seus institutos despenalizadores); além disso, o próprio legislador deixou clara a sua vontade de não conferir tratamento como IMPO – no §2º prevê “na hipótese de prisão em flagrante”, sendo que não cabe flagrante em IMPO em regra.

C) Errado. Nos crimes praticados no âmbito doméstico e familiar, a palavra da vítima tem especial relevância para fundamentar o recebimento da denúncia ou condenação, pois normalmente são cometidos sem a presença de testemunhas. - Jurisprudência em teses do STJ, edição 41, tese 13.

D) Errado. O juízo do domicílio da mulher vítima de violência doméstica é competente para deferir as MPU, mesmo que a agressão tenha ocorrido em outra comarca (princípio do juízo imediato). Todavia, a competência CRIMINAL, para julgar o crime, é do local dos fatos - vale a regra de competência do CPP.

E) Correta. Tem competência o juiz da vara especializada em violência doméstica e familiar ou, caso não haja na localidade o juízo criminal, para apreciar pedido de imposição de medida protetiva de manutenção de vínculo trabalhista, por até seis meses, em razão de afastamento do trabalho de ofendida decorrente de violência doméstica e familiar, uma vez que o motivo do afastamento não advém de relação de trabalho, mas de situação emergencial que visa garantir a integridade física, psicológica e patrimonial da mulher. STJ, REsp 1757775/SP.

Gabarito: letra E.

Pega!!! acertando questão de promotor :'D. A frequência leva a convicção!!!!

Compete à Justiça Federal apreciar o pedido de medida protetiva de urgência decorrente de crime de ameaça contra a mulher cometido por meio de rede social de grande alcance, quando iniciado no estrangeiro e o seu resultado ocorrer no Brasil. STJ. 3ª Seção. CC 150.712-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 10/10/2018 (Info 636).

 O Juízo da Vara Especializada em Violência Doméstica e Familiar ou, na ausência deste, o Juízo Criminal é competente para apreciar o pedido de imposição de medida protetiva de manutenção de vínculo trabalhista da ofendida em razão de afastamento do trabalho decorrente de violência doméstica e familiar.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo