“Sou poeta das brenha, não faço o papé”. Pelo contexto do ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2403250 Português
Texto I


 O Poeta da Roça


Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio 


Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestrê, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola
Cantando, pachola, à percura de amô


Não tenho sabença, pois nunca estudei
Apenas eu seio o meu nome assiná
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre
E o fio do pobre não pode estudá


Meu verso rastero, singelo e sem graça
Não entra na praça, no rico salão
Meu verso só entra no campo da roça e dos eito
E às vezes, recordando feliz mocidade
Canto uma sodade que mora em meu peito


Patativa do Assaré
Disponível em https://mst.org.br/2021/03/05/parabens-patativa-7-poemasde-assare-neste-especial-de-aniversario/
“Sou poeta das brenha, não faço o papé. Pelo contexto do poema, os termos grifados no verso em comento referem-se, respectivamente, à (ao)
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Interpretação de texto e variação linguística regional, com foco na semântica contextual. O candidato precisa identificar o significado das expressões “brenha” e “papé” no universo vocabular do poema, considerando seu valor no contexto sociolinguístico.

O poema “O Poeta da Roça”, de Patativa do Assaré, apresenta marcas da linguagem regional nordestina. São empregadas palavras típicas do falar popular do interior, o que exige do leitor sensibilidade para a variação linguística e atenção ao sentido conferido pelo contexto.

Análise do trecho:

“Sou poeta das brenha, não faço o papé”:

  • Brenha: termo regional que designa mato fechado, região interiorana, sertão. Segundo Evanildo Bechara, é um regionalismo nordestino para áreas afastadas da cidade, lugares de roça ou mato.
  • Papé: forma popular de “papel”, que, na construção “não faço o papé”, adquire o sentido de “não exerço o ato de escrever (no papel)”, destacando o fazer poético oral, do campo, e não o academicismo da escrita formal.

Regra de interpretação: Deve-se buscar o sentido no contexto do texto e considerar a variedade linguística (gramática de usos, e não apenas a normativa). Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, o intérprete deve observar como o contexto pode modificar ou precisar o significado dos vocábulos.

Alternativa correta: D) região interiorana – ato de escrever.
Correta porque corresponde exatamente ao sentido contextual das palavras.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) “capital de um estado – ato de interpretar”: “brenha” não se refere a cidade grande nem capital; “papé” não significa interpretar, e sim escrever.
  • B) “origem pobre – ausência de registro civil”: Apesar de o poema abordar pobreza, as palavras grifadas não tratam desses conceitos.
  • C) “feiras do interior – pessoa sem instrução”: “Brenha” refere-se à localidade (mato/interior), não especificamente a feira; já “papé” não é “pessoa sem instrução”.

Estratégias: Sempre relacione vocabulário regional ao contexto, observe construções típicas e desconfie de generalizações ou interpretações literais nas alternativas. A leitura atenta dos versos e o uso do conhecimento prévio da cultura popular são decisivos neste tipo de questão.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

acertei a questão mas fiquei sem entender o destaque "papé" fui pelo sinonimo de brenha! kkkkkk

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo