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Q4152674 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

Paciente do sexo feminino, de 78 anos, portadora de diabetes e insuficiência cardíaca classe funcional III da New York Heart Association (NYHA). Faz uso de caverdilol, aspirina, furosemida e enalapril em dosesalvo. Ao exame físico, apresenta FC de 60 BPM, PA de 110 x 70 mmHg, ritmo cardiaco regular e sem galope, pulmoes sem ruidos adventicios. A ureia e de 57 mg/dL, o potássio de 3,3 mEq/L e a creatinina de 1,3 mg/dL.

Nesse caso, qual modificação deve ser feita nas suas medicações no momento?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Em insuficiência cardíaca sintomática, já em IECA e betabloqueador, o próximo passo é antagonista da aldosterona quando não há hiperpotassemia significativa nem insuficiência renal importante; no caso, o potássio está baixo e a creatinina não sugere contraindicação imediata.

Tema central: Espironolactona na IC
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque não há sinais de congestão importante ou refratária ao exame que justifiquem intensificar diurese. Além disso, o potássio é 3,3 mEq/L, e um tiazídico pode aumentar a perda de potássio e piorar a hipocalemia. O erro é tratar como necessidade de mais diurético um cenário em que a modificação decisiva é terapêutica com benefício prognóstico.
B
Errada
Está errada porque não há arritmia documentada. O enunciado informa ritmo cardíaco regular e frequência de 60 bpm, sem achado eletroclínico que sustente introdução de antiarrítmico. Insuficiência cardíaca, isoladamente, não é indicação empírica de antiarrítmico.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro apresentado corresponde ao cenário clássico de benefício com antagonista de mineralocorticoide: insuficiência cardíaca sintomática, classe funcional III, apesar de tratamento padrão já otimizado com IECA e betabloqueador. O dado laboratorial decisivo é que não há contraindicação imediata evidente ao uso de espironolactona: a creatinina informada não sugere insuficiência renal importante no contexto da prova, e o potássio está baixo, reduzindo a preocupação inicial com hipercalemia. Além disso, a espironolactona, ao contrário de diuréticos perdedores de potássio, não tende a agravar essa hipocalemia.
D
Errada
Está errada porque digital não é a adição preferencial neste contexto. A paciente está em ritmo regular, com FC de 60 bpm, sem fibrilação atrial descrita e sem dado que priorize digoxina. Entre as opções, existe uma intervenção com indicação mais bem sustentada no quadro descrito, que é o antagonista da aldosterona.
Pegadinha da questão
A banca mistura insuficiência cardíaca sintomática com opções que parecem intuitivas, mas os dados afastam essas escolhas: ausência de congestão importante enfraquece tiazídico, ritmo regular afasta antiarrítmico e digital por fibrilação atrial, e o potássio baixo faz o candidato perceber que tiazídico pioraria a hipocalemia enquanto não há contraindicação laboratorial imediata à espironolactona.
Dica para questões semelhantes
  • Em insuficiência cardíaca sintomática já tratada com IECA e betabloqueador, procure se há espaço para antagonista da aldosterona antes de escolher medidas apenas sintomáticas.
  • Leia potássio e função renal como filtros de elegibilidade para espironolactona: hiperpotassemia e disfunção renal importante contraindicam; hipocalemia não.
  • Não indique mais diurético sem sinal clínico de congestão; diurético trata sobrecarga volêmica, não substitui a adição prognóstica correta.
  • Ritmo regular e FC controlada enfraquecem antiarrítmico e digoxina quando não há arritmia descrita.

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