O fenômeno da deficiência foi e ainda é compreendido a parti...
1. Concepção fortemente influenciada pela cultura religiosa, mais precisamente pela religião Cristã, em que possui a caridade como um princípio balizador da relação entre pessoas sem deficiência para com as pessoas com deficiência. As pessoas que experienciam a deficiência são consideradas vítimas do infortúnio da vida, portanto, merecedoras de cuidado e atenção especial. Essa concepção compreende percepções como: piedade, caridade, superproteção, assistencialismo, paternalismo.
2. Concepção que transcende o campo teológico e apresenta a deficiência a partir do olhar da ciência. As pessoas que experienciam a deficiência são passíveis de correção, conserto, cura, medicalização. O olhar lançado para esses indivíduos parte de uma perspectiva patológica, cuja condição é um problema individual a ser resolvido. Aquele que se distancia do padrão, da norma, é considerado anormal, abjeto. Reside no sujeito a necessidade de se adequar para viver na sociedade.
3. Concepção oriunda dos movimentos sociais das pessoas com deficiência, em oposição ao reducionismo e determinismo de outros modelos. Pessoas que experienciam a deficiência protagonizam um movimento de denúncia às opressões vivenciadas. O fenômeno da deficiência passa a ser pensado visando políticas públicas que considerem a variação humana, uma vez que a deficiência é entendida como uma das categorias que transversaliza a identidade de cada sujeito.
As concepções sobre a deficiência apresentadas são, respectivamente, denominadas como os modelos:
Gabarito comentado
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Alternativa correta: D - 1. Caritativo, 2. Biomédico e 3. Social.
Tema central da questão: Esta questão aborda os modelos explicativos da deficiência, essenciais para entender como a sociedade, ao longo da história, compreende e responde às necessidades das pessoas com deficiência. Conhecer esses modelos é fundamental para quem atua com inclusão escolar, políticas públicas e direitos humanos.
Resumo teórico: De forma geral, os principais modelos sobre deficiência são:
- Modelo caritativo/assistencialista: Influenciado por valores religiosos, vê a pessoa com deficiência como objeto de caridade, merecedora de piedade e proteção. Foca na doação e assistência, não necessariamente promovendo autonomia.
- Modelo biomédico/médico: Centrado na medicina, encara a deficiência como doença ou desvio a ser corrigido, medicalizado ou reabilitado. A responsabilidade pelo "ajuste" recai sobre o indivíduo.
- Modelo social: Resultado de lutas por direitos, entende a deficiência como fenômeno social, reconhecendo que são as barreiras arquitetônicas, atitudinais e institucionais que geram exclusão.
Fontes: Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), LBI – Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015).
Justificativa da alternativa correta (D):
Cada descrição do enunciado corresponde exatamente aos modelos:
- 1. Modelo Caritativo: Relaciona-se à caridade, piedade e assistência baseadas em valores religiosos.
- 2. Modelo Biomédico: Enfatiza a medicalização, a necessidade de cura e o desvio da norma.
- 3. Modelo Social: Destaca a luta por direitos, a denúncia da opressão e o papel das políticas públicas na inclusão.
Análise das alternativas incorretas:
- A: "Normalizador" e "Antropológico" não são as nomenclaturas reconhecidas para os modelos apresentados. O termo correto para o segundo é "biomédico" ou "médico", e o terceiro é "social".
- B: "Histórico" e "Cultural" não correspondem aos modelos teóricos clássicos sobre deficiência.
- C: "Paternal" e "Interseccional" não nomeiam corretamente os modelos descritos.
- E: "Assistencial" e "Socioantropológico" não traduzem com precisão os modelos teóricos reconhecidos para cada descrição.
Dica de interpretação: Ao ler questões sobre deficiência, atente-se aos termos-chave: caridade, cura e direitos. Eles costumam indicar, respectivamente, os modelos caritativo, biomédico e social. Cuidado com pegadinhas que misturam nomes pouco usuais ou que trocam a ordem das concepções.
Resumo final: Conhecer os diferentes modelos de compreensão da deficiência é fundamental para agir de forma ética, crítica e inclusiva na educação.
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