O uso reiterado do presente do indicativo em “é”, “voa” e “s...

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Q4038429 Português

Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.



           A primeira força 


O tempo voa

descabelado

olhando para chuvas

e paredes esverdeadas.


O tempo é porto

de cidades que

nunca mais se erguerão

depois de janeiros

e fomes de amanhã. 


O tempo é uma tampa

de ferro lançada

violentamente

contra a dor

e a esperança.


O tempo é um livro

anfíbio de saudades

e silabas tonificadas

por dissabor

e quintais incendiados.


O tempo se perde

no tato e olfato

de uma tela arquitetada

para barcos

e beijos de amantes.


O tempo é um canhoto

entardecer iluminado

por solidões

reencharcadas

de frutos, futuros e fins


(Adaptado de: MIRAGAIA Júlio. Disponível

em: https://www.blogderocha.com.br)   

O uso reiterado do presente do indicativo em “é”, “voa” e “se perde” confere ao poema: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é o valor textual do presente do indicativo, reiterado em enunciados como “O tempo voa”, “O tempo é porto” e “O tempo se perde”. Essa repetição produz efeito de atualidade, permanência e vivificação da imagem do tempo no poema. Assim, afasta-se leitura de ordem, hipótese, passado narrado ou ação concluída, sustentando o gabarito A.

Tema central: presente do indicativo
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o presente do indicativo, em formas como “é”, “voa” e “se perde”, apresenta o tempo como presença em atuação contínua. No poema, isso confere efeito de atualidade e permanência ao objeto poético.
B
Errada
Está errada porque o poema não tem valor de ordem, conselho ou instrução. Os verbos citados estão no indicativo e funcionam em enunciados descritivos e metafóricos. Falta ao texto qualquer marca de injunção: não há imperativo nem estrutura de aconselhamento ao leitor.
C
Errada
Está errada porque não há hipótese nem incerteza nas formas verbais destacadas. O poema afirma: “O tempo voa”, “O tempo é porto”, “O tempo se perde”. São enunciados assertivos no presente do indicativo. A linguagem metafórica não transforma, por si só, a frase em hipótese.
D
Errada
Está errada porque a questão pede o efeito do uso reiterado do presente do indicativo. Mesmo com imagens ligadas a memória e perda, como “saudades” e “janeiros”, o efeito verbal dominante não é rememoração de fatos passados, mas presentificação poética do tempo. O texto não está narrando acontecimentos pretéritos.
E
Errada
Está errada porque “voa”, “é” e “se perde” não exprimem ação concluída. Ao contrário, indicam ação em curso, estado vigente ou caracterização atual. A noção de conclusão definitiva não é sustentada pelo presente do indicativo empregado no poema.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o campo semântico de saudade, perda e passado e o valor verbal efetivo do texto. O poema pode sugerir melancolia, mas o que o enunciado cobra é o efeito do presente do indicativo, que mantém o tempo como presença ativa no agora da enunciação.
Dica para questões semelhantes
  • Se o comando destacar tempo verbal, priorize o efeito produzido pelas formas verbais, não apenas o tema emocional do texto.
  • Presente do indicativo em sequência descritiva e definidora tende a produzir atualidade e permanência, não hipótese nem conclusão.
  • Não confunda metáfora com incerteza gramatical: linguagem poética pode ser assertiva.
  • Separe referências semânticas ao passado do tempo verbal predominante; memória mencionada não equivale a narrativa em pretérito.

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Comentários

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A) CORRETA. O uso do presente ("é", "voa", "se perde") cria o que chamamos de Presente Atemporal ou Gnômico. Ele confere ao poema uma sensação de permanência e universalidade. Ao dizer que "O tempo é um livro", o autor não limita essa afirmação a um momento específico, mas define a essência do tempo como algo que está em constante renovação e existência no "instante eterno" da leitura.

B) Incorreta. O tom de ordem ou conselho é característico do modo Imperativo (ex: "Olhe para as chuvas", "Não perca o tempo"), o que não ocorre nos verbos destacados.

C) Incorreta. O sentido de hipótese ou incerteza é próprio do modo Subjuntivo (ex: "Caso o tempo voasse", "Se o tempo fosse uma tampa"). O Indicativo expressa certeza e realidade.

D) Incorreta. Para recordar fatos passados, o autor utilizaria o Pretérito Perfeito ou Imperfeito (ex: "O tempo voou", "O tempo era um porto").

E) Incorreta. A noção de ações concluídas é exclusiva dos tempos Pretéritos (passado). O presente indica continuidade ou estado habitual.

Indicativo- certeza

Subjuntivo- hipótese

Imperativo - ordem

tudo no presente

ele é (presente)

ele voa (presente)

se perde (presente)

A questão foi tranquila, mas pqp, que texto de nóia.

O presente deixa a sensação de que o tempo está vivo dentro do poema, acontecendo o tempo inteiro diante do leitor. Além disso, esse uso do presente dá ao texto um tom mais universal, como se aquelas percepções sobre o tempo valessem para qualquer pessoa e em qualquer momento.

Cara da FCC jogar um poema (FILOSÓFICO/ ESTILO MACHADÃO DE ASSIS) desses em uma redação. kakaka

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