O uso reiterado do presente do indicativo em “é”, “voa” e “s...
Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.
A primeira força
O tempo voa
descabelado
olhando para chuvas
e paredes esverdeadas.
O tempo é porto
de cidades que
nunca mais se erguerão
depois de janeiros
e fomes de amanhã.
O tempo é uma tampa
de ferro lançada
violentamente
contra a dor
e a esperança.
O tempo é um livro
anfíbio de saudades
e silabas tonificadas
por dissabor
e quintais incendiados.
O tempo se perde
no tato e olfato
de uma tela arquitetada
para barcos
e beijos de amantes.
O tempo é um canhoto
entardecer iluminado
por solidões
reencharcadas
de frutos, futuros e fins
(Adaptado de: MIRAGAIA Júlio. Disponível
em: https://www.blogderocha.com.br)
Gabarito comentado
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Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é o valor textual do presente do indicativo, reiterado em enunciados como “O tempo voa”, “O tempo é porto” e “O tempo se perde”. Essa repetição produz efeito de atualidade, permanência e vivificação da imagem do tempo no poema. Assim, afasta-se leitura de ordem, hipótese, passado narrado ou ação concluída, sustentando o gabarito A.
- Se o comando destacar tempo verbal, priorize o efeito produzido pelas formas verbais, não apenas o tema emocional do texto.
- Presente do indicativo em sequência descritiva e definidora tende a produzir atualidade e permanência, não hipótese nem conclusão.
- Não confunda metáfora com incerteza gramatical: linguagem poética pode ser assertiva.
- Separe referências semânticas ao passado do tempo verbal predominante; memória mencionada não equivale a narrativa em pretérito.
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Comentários
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A) CORRETA. O uso do presente ("é", "voa", "se perde") cria o que chamamos de Presente Atemporal ou Gnômico. Ele confere ao poema uma sensação de permanência e universalidade. Ao dizer que "O tempo é um livro", o autor não limita essa afirmação a um momento específico, mas define a essência do tempo como algo que está em constante renovação e existência no "instante eterno" da leitura.
B) Incorreta. O tom de ordem ou conselho é característico do modo Imperativo (ex: "Olhe para as chuvas", "Não perca o tempo"), o que não ocorre nos verbos destacados.
C) Incorreta. O sentido de hipótese ou incerteza é próprio do modo Subjuntivo (ex: "Caso o tempo voasse", "Se o tempo fosse uma tampa"). O Indicativo expressa certeza e realidade.
D) Incorreta. Para recordar fatos passados, o autor utilizaria o Pretérito Perfeito ou Imperfeito (ex: "O tempo voou", "O tempo era um porto").
E) Incorreta. A noção de ações concluídas é exclusiva dos tempos Pretéritos (passado). O presente indica continuidade ou estado habitual.
Indicativo- certeza
Subjuntivo- hipótese
Imperativo - ordem
tudo no presente
ele é (presente)
ele voa (presente)
se perde (presente)
A questão foi tranquila, mas pqp, que texto de nóia.
O presente deixa a sensação de que o tempo está vivo dentro do poema, acontecendo o tempo inteiro diante do leitor. Além disso, esse uso do presente dá ao texto um tom mais universal, como se aquelas percepções sobre o tempo valessem para qualquer pessoa e em qualquer momento.
Cara da FCC jogar um poema (FILOSÓFICO/ ESTILO MACHADÃO DE ASSIS) desses em uma redação. kakaka
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