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Q2796675 Medicina

Um paciente de sessenta e um anos de idade, com história prévia de revascularização miocárdica havia quatro anos, apresentava dispneia havia cinco meses. O ecocardiograma demonstrou função sistólica normal, sem derrame pericárdico, fluxo mitral com padrão restritivo e Doppler tecidual do anel mitral normal. O fluxo venoso pulmonar apresentou predominância diastólica. A velocidade da onda “E” transmitral diminuía com a inspiração e a velocidade da onda “E” transtricúspide aumentava significativamente com a inspiração. Observou-se adicionalmente movimentação septal interventricular em direção ao ventrículo esquerdo, sendo a espessura desse septo normal.

Considerando esse caso clínico, julgue os itens seguintes.

Nesse paciente, é necessário quantificar a movimentação septal interventricular para a definição e quantificação do grau de estenose subvalvar aórtica.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E (Errado)

Comentário:

Tema central: A questão aborda o diagnóstico diferencial entre pericardite constritiva e doenças do miocárdio, com foco nas manifestações ecocardiográficas, especialmente da movimentação do septo interventricular.

Análise do caso clínico: O paciente apresenta dispneia crônica, função sistólica preservada, padrão restritivo no fluxo mitral, variação respiratória das velocidades transmitral (diminui com a inspiração) e transtricúspide (aumenta com a inspiração), predominância diastólica no fluxo venoso pulmonar e “septal bounce” (movimentação septal abrupta para o VE com inspiração). Tais achados são típicos de pericardite constritiva (HARRISON'S PRINCIPLES OF INTERNAL MEDICINE, 20ª ed., cap. 251).

Justificativa: Na pericardite constritiva, há interdependência ventricular e limitação do enchimento diastólico, levando ao deslocamento septal em resposta à variação das pressões intratorácicas. O “septal bounce” é um dos achados mais sensíveis do ecocardiograma nessa condição (UpToDate, “Constritive pericarditis: Diagnosis and treatment”). Já na estenose subvalvar aórtica, o problema está na obstrução do fluxo de saída do VE, geralmente causada por membrana subaórtica ou hipertrofia septal, e NÃO pela movimentação anômala do septo. Ou seja, não se utiliza a análise do “septal bounce” para quantificar ou diagnosticar estenose subvalvar aórtica.

Análise das alternativas incorretas:

  • Certo: Incorreto porque a movimentação septal aqui está relacionada à pericardite constritiva, e não à definição/quantificação de estenose subvalvar aórtica, cujo diagnóstico se baseia em Doppler e visualização direta da obstrução (Diretriz Brasileira de Ecocardiografia 2016, p. 350).

Dica de prova: Em questões clínicas, fique atento aos detalhes dos achados ecocardiográficos e às variações respiratórias do fluxo. O enunciado trouxe pistas clássicas de pericardite constritiva. Termos como “septal bounce” não se aplicam à avaliação de estenose subvalvar aórtica.

Cuidado com pegadinhas: Lembre-se de diferenciar alterações do pericárdio (pericardite constritiva) das alterações valvares ou subvalvares (estenose). Fique atento a associações inadequadas entre achados e patologias.

Resumo final: Segundo as principais diretrizes e obras de referência, a movimentação septal interventricular (“septal bounce”) NÃO é critério diagnóstico ou de quantificação para estenose subvalvar aórtica (ver Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, Ecocardiografia). Por isso, a alternativa correta é ERRADO.

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