Em “Todo cidadão tem direitos e deveres”. A palavra TODO é: 

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3990805 Português

TRIGÉSIMO ANDAR – Wilson Rio Apa



    Aqui de cima – trigésimo andar do Hilton Hotel, onde me encarceraram – contemplo São Paulo, vejo os paulistanos lá embaixo, pequenas formas apressadas, prensadas entre muralhas de cimento e máquinas.

    A movimentação é desordenada.

    Fico angustiado com a impressão de que há luta nas ruas lá embaixo. Homens e máquinas parece que se perseguem, caçam. Por quê? Talvez tenham falhado em se harmonizar no único: construir uma cidade boa para todos. E, frustrados, odeiam-se.

    Parece que é isso. Parece que esse é o destino último dos homens e das suas grandes obras, utopias que perderam as medidas humanas.

    Aqui em cima há silêncio: silêncio feito de artifícios e supérfluos.

    Sou um homem de praias, ilhas desertas, rios e matos, marginal. Embora nascido ali na vila Mariana, nunca pude aceitar a vida de uma metrópole. Parti em busca de silêncio para pensar e escrever. Ancorei num remanso com a família, na periferia de uma cidade colonial. Antonina, Paraná. Lá os ventos são limpos, há perfume de florestas próximas, sol, boas chuvas, espaço.

    Nunca me senti tão estrangeiro como neste hotel.

    Vinha esta manhã seguindo as curvas do Tietê, rio da minha infância, onde muitas gerações de paulistanos no sábado à tarde e domingo pela manhã remavam barquinhos dos clubes, faziam piqueniques, namoravam, brincavam com os filhos. O rio de memórias e bandeiras está morto pelo que chamam de progresso.

    Ao chegar, passei pelo bairro da minha infância e parei diante da casa onde nasci. Não há espaços vazios em torno dela: só paredões não há mais árvores, chácaras, campo de futebol, mato, onde abríamos trilhas, cavávamos esconderijos e guerreávamos. Desci a rua, na esperança de ainda encontrar a fonte jorrando entre argila leitosa. Não vi nenhum grupo de meninos brincando. Não vi mais a fonte. Apenas imaginei-a sobre o asfalto da 23 de maio, e o campo de futebol sobre o viaduto da Avenida Cubatão. Ali, bem ali, esperávamos a queda dos balões, empinávamos papagaios.

    Onde brinca a infância de hoje nesta cidade?

    A ilusão acabou-se, a ilusão dos mitos da vida científica, do paraíso das máquinas proporcionando lazer, da economia e da medicina resolvendo todos os problemas. Acabou-se. Quem não conhece os males da poluição, da falta de espaço e de árvores, do excesso de tráfego?




WILSON RIO APA

Em “Todo cidadão tem direitos e deveres”. A palavra TODO é: 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: Na expressão "Todo cidadão tem direitos e deveres.", "todo" acompanha o substantivo "cidadão" e exerce função de determinante no sintagma nominal. Pela regra da distinção entre uso substantivo e uso adjetivo do pronome indefinido, quando acompanha um substantivo, seu valor é adjetivo; por isso, a alternativa correta é a B.

Tema central: Pronome indefinido adjetivo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque pronome substantivo indefinido é o que substitui o substantivo. Na frase, isso não ocorre: "todo" não ocupa o lugar de um nome, pois o nome aparece expresso em "Todo cidadão". O erro da alternativa é confundir a classe pronominal indefinida com o modo de emprego do pronome.
B
Certa
"Todo" é pronome indefinido em valor adjetivo, porque acompanha e determina o substantivo "cidadão", atribuindo-lhe sentido de totalidade/generalização. Como o nome está expresso, o termo não o substitui; apenas o modifica. Assim, a classificação correta é pronome adjetivo indefinido.
C
Errada
Está errada porque pronome relativo retoma um antecedente e liga orações. Em "Todo cidadão tem direitos e deveres.", "todo" não retoma termo anterior nem introduz oração subordinada adjetiva. Falta o traço estrutural que definiria pronome relativo.
D
Errada
Está errada porque pronome demonstrativo exerce valor de apontamento em relação ao espaço, ao tempo, às pessoas do discurso ou ao próprio texto. "Todo" não aponta nem situa; ele exprime totalidade/generalização. O valor semântico é de indefinição abrangente, não de demonstração.
Pegadinha da questão
A banca explora a diferença entre ser pronome indefinido e estar em uso adjetivo ou substantivo. Como "cidadão" aparece expresso após "todo", o pronome não substitui o nome; apenas o determina.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o pronome acompanha um substantivo ou se aparece no lugar dele.
  • Se o nome estiver expresso, o uso tende a ser adjetivo; se o nome estiver omitido e o pronome o substituir, o uso é substantivo.
  • Não decida pela classe apenas pelo sentido geral da palavra; observe sua função na estrutura da frase.
  • Em alternativas com relativo ou demonstrativo, procure os traços próprios dessas classes: retomada de antecedente, ligação entre orações ou valor de apontamento.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Na frase “Todo cidadão tem direitos e deveres”, a palavra “todo” acompanha o substantivo “cidadão”, determinando-o de forma indefinida (não especifica qual cidadão). Por isso, ela funciona como pronome adjetivo indefinido.

Se fosse um pronome substantivo, ele substituiria o substantivo, o que não acontece aqui.

Quando o pronome vem junto de um substantivo, ele é pronome adjetivo.

“Todo” indica ideia de generalização → indefinido.

Quando “todo” é pronome substantivo?

Quando ele não acompanha nenhum substantivo e substitui um termo na frase.

Comparando:

Todo cidadão tem direitos.

acompanha “cidadão”

✔ adjetivo

Todos têm direitos.

não tem substantivo

✔ substantivo

✔ Conclusão:

Pronome adjetivo indefinido (alternativa B)

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo