Em “Todo cidadão tem direitos e deveres”. A palavra TODO é:
TRIGÉSIMO ANDAR – Wilson Rio Apa
Aqui de cima – trigésimo andar do Hilton Hotel, onde me encarceraram – contemplo São Paulo, vejo os paulistanos lá embaixo, pequenas formas apressadas, prensadas entre muralhas de cimento e máquinas.
A movimentação é desordenada.
Fico angustiado com a impressão de que há luta nas ruas lá embaixo. Homens e máquinas parece que se perseguem, caçam. Por quê? Talvez tenham falhado em se harmonizar no único: construir uma cidade boa para todos. E, frustrados, odeiam-se.
Parece que é isso. Parece que esse é o destino último dos homens e das suas grandes obras, utopias que perderam as medidas humanas.
Aqui em cima há silêncio: silêncio feito de artifícios e supérfluos.
Sou um homem de praias, ilhas desertas, rios e matos, marginal. Embora nascido ali na vila Mariana, nunca pude aceitar a vida de uma metrópole. Parti em busca de silêncio para pensar e escrever. Ancorei num remanso com a família, na periferia de uma cidade colonial. Antonina, Paraná. Lá os ventos são limpos, há perfume de florestas próximas, sol, boas chuvas, espaço.
Nunca me senti tão estrangeiro como neste hotel.
Vinha esta manhã seguindo as curvas do Tietê, rio da minha infância, onde muitas gerações de paulistanos no sábado à tarde e domingo pela manhã remavam barquinhos dos clubes, faziam piqueniques, namoravam, brincavam com os filhos. O rio de memórias e bandeiras está morto pelo que chamam de progresso.
Ao chegar, passei pelo bairro da minha infância e parei diante da casa onde nasci. Não há espaços vazios em torno dela: só paredões não há mais árvores, chácaras, campo de futebol, mato, onde abríamos trilhas, cavávamos esconderijos e guerreávamos. Desci a rua, na esperança de ainda encontrar a fonte jorrando entre argila leitosa. Não vi nenhum grupo de meninos brincando. Não vi mais a fonte. Apenas imaginei-a sobre o asfalto da 23 de maio, e o campo de futebol sobre o viaduto da Avenida Cubatão. Ali, bem ali, esperávamos a queda dos balões, empinávamos papagaios.
Onde brinca a infância de hoje nesta cidade?
A ilusão acabou-se, a ilusão dos mitos da vida científica, do paraíso das máquinas proporcionando lazer, da economia e da medicina resolvendo todos os problemas. Acabou-se. Quem não conhece os males da poluição, da falta de espaço e de árvores, do excesso de tráfego?
WILSON RIO APA
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Gabarito: B
Fundamento decisivo: Na expressão "Todo cidadão tem direitos e deveres.", "todo" acompanha o substantivo "cidadão" e exerce função de determinante no sintagma nominal. Pela regra da distinção entre uso substantivo e uso adjetivo do pronome indefinido, quando acompanha um substantivo, seu valor é adjetivo; por isso, a alternativa correta é a B.
- Verifique se o pronome acompanha um substantivo ou se aparece no lugar dele.
- Se o nome estiver expresso, o uso tende a ser adjetivo; se o nome estiver omitido e o pronome o substituir, o uso é substantivo.
- Não decida pela classe apenas pelo sentido geral da palavra; observe sua função na estrutura da frase.
- Em alternativas com relativo ou demonstrativo, procure os traços próprios dessas classes: retomada de antecedente, ligação entre orações ou valor de apontamento.
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Comentários
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Na frase “Todo cidadão tem direitos e deveres”, a palavra “todo” acompanha o substantivo “cidadão”, determinando-o de forma indefinida (não especifica qual cidadão). Por isso, ela funciona como pronome adjetivo indefinido.
Se fosse um pronome substantivo, ele substituiria o substantivo, o que não acontece aqui.
Quando o pronome vem junto de um substantivo, ele é pronome adjetivo.
“Todo” indica ideia de generalização → indefinido.
Quando “todo” é pronome substantivo?
Quando ele não acompanha nenhum substantivo e substitui um termo na frase.
Comparando:
Todo cidadão tem direitos.
acompanha “cidadão”
✔ adjetivo
Todos têm direitos.
não tem substantivo
✔ substantivo
✔ Conclusão:
Pronome adjetivo indefinido (alternativa B)
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