O papel da comunicação é central na informação da
população, permitindo tomada de decisões que possibilitem
manter ou melhorar a saúde de todos. Para aqueles em risco
de desenvolver ou já diagnosticados com condições crônicas
não transmissíveis (CCNTs), mais conhecidas no português do
Brasil como doenças crônicas não transmissíveis ou DCNTs, a
comunicação adequada, seja ela de massa, seja pessoal,
determina a tomada de atitude oportuna e o engajamento
nos autocuidados.
A comunicação é mais ampla do que a seleção de
palavras. Inclui também entonação, velocidade do discurso,
além de uma série de aspectos de comunicação não verbal.
Ao mesmo tempo, o papel da escolha de palavras não pode
ser minimizado, pois ele tem potencial para aproximar ou
afastar,
incluir
ou excluir, demonstrar respeito ou
estigmatizar, abrir via de mão dupla ou estabelecer barreiras
hierárquicas.
No caso de situações de atendimento, por exemplo,
trata-se de um aspecto crucial para a criação de laços de
confiança. Permite, dessa forma, que a pessoa atendida se
sinta confortável, acolhida e valorizada, para que se engaje
em seus autocuidados e atinja melhores resultados clínicos.
Assim, há uma série de recomendações quanto ao uso
de termos reconhecidos, atualmente, como mais adequados
para a comunicação sobre e com pessoas com CCNTs que
poderá servir de referência para estudantes de saúde,
profissionais de comunicação e demais interessados.
Não é novidade a evolução de línguas vivas. Assim como
em outras esferas, a área da saúde também tem seus termos
atualizados continuamente. Em paralelo, o importante
movimento da saúde centrada na pessoa e a crescente
atenção à medicina humanizada, combatendo estigmas e
reconhecendo o protagonismo da pessoa em seus
autocuidados, influenciaram e aceleraram essas atualizações.
Mark Barone, Bruno Helman, Hermelinda Pedrosa e Pedro Ripoli.