O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Informar sobre benefícios à saúde em rótulos influencia escolhas alimentares?
Prevenção de saúde cardiovascular, óssea, muscular, metabólica, digestiva e ocular, além de promessas
relacionadas ao bem-estar geral estão entre as alegações presentes nas embalagens
Por Ivanir Ferreira
09/04/2026, atualizado 16/04/2026
Informações nos rótulos de alimentos e bebidas que destacam benefícios à saúde influenciam
positivamente o comportamento do consumidor, aumentando a percepção de valor do produto e a
disposição de pagar mais por ele. No entanto, a decisão de compra também é afetada por fatores
individuais e contextuais, como estado de saúde da pessoa no momento da compra, faixa etária,
conhecimento nutricional, preço, sabor e acesso à marca.
A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da USP sobre o impacto das chamadas
"alegações funcionais e de saúde" nas escolhas alimentares. Entre as mais comuns, estão aquelas
associadas à saúde cardiovascular, óssea, muscular, metabólica, digestiva e ocular, além de promessas
relacionadas ao bem-estar geral. Propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, desempenho
cognitivo e mental, suporte ao sistema imunológico e prevenção de doenças também foram citadas.
Segundo a orientadora da pesquisa, a professora da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP
Elizabeth Aparecida Ferraz da Silva Torres, os consumidores estão cada vez mais atentos à composição
nutricional dos alimentos e tendem a considerar as alegações funcionais e de saúde um diferencial no
momento da compra. Especialista em Nutrição e Ciência e Tecnologia de Alimentos, a pesquisadora
afirma que "compreender como essas alegações influenciam o comportamento e as escolhas do
consumidor é fundamental para orientar regulamentações, políticas públicas e estratégias de
comunicação que incentivem hábitos alimentares mais saudáveis e também as práticas da indústria
alimentícia".
O estudo incluiu a revisão de 71 artigos publicados entre 2019 e 2024 em bases de dados científicos de
mais de dez países. O objetivo foi compreender como as pesquisas sobre alegações de saúde em
alimentos têm evoluído. Os resultados estão no artigo "The Role of Health Claims on Consumer
Behavior and Food Choice: a Narrative Review", que tem a nutricionista Helena F. Martins Tavares
como primeira autora.
Comportamento multifatorial
Com base em teorias do comportamento, a pesquisa indica que as alegações não produzem o mesmo
efeito em todos os consumidores. "A decisão de comprar ou consumir um produto não depende apenas
da informação presente no rótulo, mas também de fatores psicológicos, sociais e perceptivos que
influenciam a interpretação dessas mensagens", explica Helena Tavares.
Dentre esses fatores estão o grau de escolaridade, idade, gênero, o tempo disponível para compra (mais
ou menos apressado), a finalidade do produto – se para o consumo próprio ou de familiares –, a
presença de doenças pré-existentes e o estado emocional, além da percepção do consumidor sobre a
marca ou empresa responsável pelo produto.
Para a nutricionista, alegações funcionais e de saúde bem elaboradas podem apoiar escolhas
alimentares mais saudáveis quando alinhadas às capacidades cognitivas e aos estados motivacionais
dos consumidores.
Assinale a alternativa que sintetiza a resposta à pergunta realizada no título do texto.