A terapia antiplaquetária é um componente fundamental do ar...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2317930 Medicina
A terapia antiplaquetária é um componente fundamental do arsenal terapêutico das síndromes coronarianas agudas. Entretanto, cada droga apresenta particularidades importantes que devem ser consideradas no momento da escolha da droga. Em relação aos inibidores P2Y12 orais, assinale a afirmativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: A questão aborda os inibidores orais do receptor P2Y12 (como clopidogrel, prasugrel e ticagrelor), fundamentais no tratamento das Síndromes Coronarianas Agudas (SCA), e seu uso em situações específicas, como em pacientes com fibrilação atrial (FA) que precisam de terapia antitrombótica tripla.

Análise da alternativa correta (B):

A alternativa B está correta, pois está alinhada com as diretrizes nacionais e internacionais: ticagrelor e prasugrel não são recomendados como segunda droga antiplaquetária (ao lado da aspirina) na terapia tripla para pacientes com FA. O motivo principal é que esses agentes têm maior potencial de sangramento comparado ao clopidogrel. Diretrizes recentes da SBC (2025) ressaltam: “Em pacientes com fibrilação atrial submetidos à ICP, recomenda-se associar anticoagulante oral e clopidogrel, evitando ticagrelor e prasugrel devido ao risco de sangramento” (Diretriz Brasileira de Síndrome Coronariana Crônica, p. 38). Estudo PIONEER AF-PCI demonstrou redução significativa de sangramento com estratégias que evitam ticagrelor/prasugrel nesses casos.

Análise das alternativas incorretas:

A): Incorreta. Prasugrel é contraindicado principalmente em história de AVC/AIT, idade ≥75 anos e peso <60kg, mas não há contraindicação formal sobre bloqueio AV de 2º grau.

C): Incorreta. Essas restrições são para prasugrel, não para ticagrelor. O ticagrelor é contraindicado em pacientes com hemorragia intracraniana prévia e em insuficiência hepática grave.

D): Incorreta. O ticagrelor não deve ser associado a doses altas de aspirina (>100mg/dia); inclusive, diretrizes reforçam que o uso concomitante com AAS acima de 100mg/dia pode reduzir seu benefício clínico (PLATO trial).

E): Incorreta. A dispneia é um efeito adverso característico e mais frequentemente associado ao ticagrelor, não ao prasugrel.

Estratégias de prova e pegadinhas:

Observe sempre quem é o paciente (ex: FA + ICP) e qual protocolo é referenciado. Atenção às características únicas de cada droga e contraindicações específicas, frequentemente exploradas em pegadinhas de prova.

Fundamente-se sempre nas diretrizes! Entender quando e por que evitar ticagrelor/prasugrel na antitrombótica tripla é essencial em concursos.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

A questão se refere à utilização de inibidores P2Y12 orais como parte do tratamento das síndromes coronarianas agudas e suas implicações clínicas na escolha da droga adequada. A resposta correta é a alternativa B, que afirma que o ticagrelor e o prasugrel não são recomendados como segunda droga antiplaquetária em pacientes com fibrilação atrial candidatos à terapia antitrombótica tripla. Isso se fundamenta no risco aumentado de sangramento que essa combinação pode provocar, uma vez que ao adicionar dois antiplaquetários (como aspirina e um inibidor P2Y12) a um anticoagulante oral, intensifica-se o efeito antitrombótico, elevando o risco de complicações hemorrágicas. Portanto, é preferível restringir a terapia antiplaquetária dupla e ajustar a terapia anticoagulante para balancear os riscos de trombose e sangramento. As demais alternativas contêm informações incorretas: A) não há contraindicação específica do prasugrel relacionada a bloqueio AV de 2º grau; C) o ticagrelor é contraindicado com restrições específicas relacionadas a AVC prévio; D) o ticagrelor é geralmente associado a doses baixas de aspirina (75-100 mg por dia) para minimizar riscos hemorrágicos; e E) a dispneia é um efeito adverso mais comum do ticagrelor do que do prasugrel.

Pelo menos 6-8% dos pacientes com síndrome coronariana aguda têm indicação de anticoagulação por longo prazo. Esses têm alto risco de sangramento e necessitam de avaliação individualizada.

Nesses casos, geralmente realiza-se tripla terapia (DOAC + aspirina + clopidogrel) por 1 semana, seguida de dupla terapia antitrombótica por 12 meses (DOAC + clopidogrel ou aspirina).

Em casos de alto risco isquêmico, a tripla terapia pode ser estendida para 30 dias. 

Nesses casos não se recomenda ticagrelor ou prasugrel, já que não foram testados nesse contexto e o seu risco de sangramento é maior que do clopidogrel. 

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo