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Q2405498 Medicina
Paciente de 44 anos, sexo feminino, com história de miocardiopatia dilatada. Em seu eletrocardiograma, havia bloqueio de ramo D e bloqueio divisional anterossuperior. Assinale a alternativa correta que apresenta a provável etiologia de sua insuficiência cardíaca. 
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Tema central: miocardiopatia dilatada com distúrbios de condução no ECG. Em provas, a associação de bloqueio de ramo direito (BRD) com bloqueio divisional anterossuperior (hemibloqueio anterior esquerdo, HBAE) é um achado clássico de Doença de Chagas.

Alternativa correta: A – Doença de Chagas.

Justificativa: A miocardite crônica por Trypanosoma cruzi acomete o sistema de condução, gerando BRD + HBAE (padrão bifascicular típico), além de arritmias ventriculares, bloqueios AV e miocardiopatia dilatada. Em mulheres de meia-idade com IC dilatada, esse padrão eletrocardiográfico direciona fortemente para Chagas, especialmente em áreas endêmicas do Brasil. Diretrizes e textos de referência (SBC – Diretriz de IC 2021; Consenso/PAHO sobre Doença de Chagas; Harrison’s; UpToDate) descrevem esse achado como altamente sugestivo.

Estratégia de prova: viu IC dilatada + BRD + HBAE → pense primeiro em Chagas. Ausência de dados periparto, fenótipo hipertrófico ou padrão restritivo reforça a escolha.

Como confirmar (diagnóstico):

  • Sorologia para T. cruzi (IgG) com dois métodos distintos (ELISA/hemaglutinação), conforme PAHO/OMS.
  • Ecocardiograma: dilatação, disfunção sistólica, aneurisma apical (típico).
  • ECG/Holter: distúrbios de condução e arritmias.
  • Ressonância cardíaca: fibrose (realce tardio), útil para estratificar risco.

Tratamento (resumo): terapia guiada por diretrizes para IC com fração de ejeção reduzida (IECA/BRAs ou ARNI, betabloqueador, antagonista de mineralocorticoide, iSGLT2), controle de arritmias, CDI quando indicado; marcapasso em bloqueios AV; antiparasitário (benznidazol) principalmente em fase aguda e casos selecionados na crônica (SBC/PAHO/UpToDate).

Análise das alternativas incorretas:

  • B – Miocardiopatia periparto: exige contexto gestacional (último mês de gravidez até 5 meses pós-parto). Não há essa informação. O ECG não é tipicamente BRD + HBAE.
  • C – Miocardiopatia hipertrófica: cursa com hipertrofia (muitas vezes septal), não dilatação. ECG com ondas Q septais, hipertrofia ventricular; o padrão de bifascicular não é característico.
  • D – Miocardiopatia restritiva (amiloidose): predomina baixa voltagem no ECG, padrão restritivo no eco e paredes “granulares”; a cavidade geralmente não está dilatada. BRD + HBAE não é o achado típico.

Pegadinha: o sexo feminino pode sugerir periparto, mas sem relação temporal com gestação isso não se sustenta. Foque no padrão eletrocardiográfico.

Resposta final: A – Doença de Chagas.

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A alternativa A (Doença de Chagas) é a escolha correta para a etiologia da insuficiência cardíaca da paciente devido à presença de um bloqueio de ramo direito e bloqueio divisional anterossuperior no eletrocardiograma, que são achados comuns na cardiopatia chagásica. A Doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, é endêmica em algumas áreas da América Latina e pode levar a uma miocardiopatia dilatada crônica. Os bloqueios de ramo e divisionais, neste contexto, são sugestivos de alterações estruturais e elétricas no sistema de condução cardíaco, o que é típico desta doença. As outras alternativas listam condições que também podem resultar em miocardiopatia, no entanto, estas não estão classicamente associadas com bloqueios de condução cardíacos dessa natureza. A miocardiopatia periparto ocorre no contexto da gravidez ou no período pós-parto imediato, a miocardiopatia hipertrófica é uma condição genética com hipertrofia do miocárdio, e a miocardiopatia restritiva (amiloidose) é uma doença infiltrativa que afeta o miocárdio, levando a rigidez ventricular, mas não é tipicamente associada com blocos de condução como na Doença de Chagas.

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