Paciente do sexo feminino, 27 anos, com antecedente de diabe...

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Ano: 2022 Banca: UNIOESTE Órgão: CONSAMU Prova: UNIOESTE - 2022 - CONSAMU - Médico |
Q4109830 Medicina
Paciente do sexo feminino, 27 anos, com antecedente de diabetes tipo 1, chega ao PS com quadro de poliúria, polifagia e fraqueza. Apresentava-se ao exame físico com hálito cetônico, desidratada e com respiração de Kussmaul. Sua PA era de 90x40mmHg, FR 30 irpm, FC 115 bpm, encontrava-se alerta e responsiva a comandos verbais. Seus exames de admissão eram os seguintes:
- Gllicemia 456mg/dL, Na 143 mEq/L, K 3,1 mEq/L, pH 6,9 PaO2 96mmHg PaCO2 20mmHg Bicarbonato 5mEq/L BE -8 Sat 95%. Parcial de urina com cetonúria ++++/4 sem outros achados patológicos. Sobre esse caso e o tratamento a ser instituído, é CORRETO afirmar:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é a combinação de cetoacidose diabética grave e hipocalemia: pH 6,9, bicarbonato 5 mEq/L, cetonúria intensa, hálito cetônico e respiração de Kussmaul definem CAD grave, e o potássio sérico de 3,1 mEq/L impede o início imediato da insulina EV contínua, que só deve ser feita após K > 3,3 mEq/L.

Tema central: CAD grave com hipocalemia
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada no diagnóstico sindrômico. O quadro não é estado hiperosmolar não cetótico, porque há cetonúria ++++/4, hálito cetônico, respiração de Kussmaul e acidose metabólica grave com pH 6,9 e bicarbonato 5 mEq/L, achados típicos de cetoacidose diabética.
B
Errada
Erra a gravidade ao chamar o quadro de cetoacidose moderada, quando pH 6,9 e bicarbonato 5 mEq/L definem CAD grave. Além disso, inclui antibioticoterapia profilática, que não faz parte do tratamento rotineiro da CAD sem suspeita ou confirmação de infecção. A reposição de bicarbonato não é medida universal obrigatória para toda CAD grave, de modo que sua inclusão como rotina torna a alternativa menos sustentada pela base.
C
Certa
A alternativa C acerta os dois pontos decisivos do caso. Primeiro, a classificação: não se trata de CAD leve ou moderada, porque pH de 6,9 e bicarbonato de 5 mEq/L caracterizam CAD grave. Segundo, a conduta inicial segura: a paciente está hipotensa e desidratada, portanto deve receber solução fisiológica 0,9% em infusão rápida, e como o potássio sérico é 3,1 mEq/L, a insulina endovenosa contínua só pode ser iniciada depois que o potássio ultrapassar 3,3 mEq/L, para não agravar a hipocalemia e precipitar arritmias. A associação de glicose quando a glicemia cai para a faixa indicada na alternativa não muda esse núcleo correto.
D
Errada
Apesar de reconhecer CAD grave, falha no ponto de segurança mais importante da questão: propõe insulinoterapia endovenosa concomitante mesmo com potássio de 3,1 mEq/L. Em CAD com K < 3,3 mEq/L, a insulina deve ser adiada até reposição inicial do potássio, porque ela reduz ainda mais o K sérico e aumenta risco de arritmia e colapso muscular/respiratório.
E
Errada
Erra a classificação e a via de tratamento. Não é CAD leve, porque o pH de 6,9 e o bicarbonato de 5 mEq/L definem quadro grave. Além disso, insulina ultrarrápida subcutânea é inadequada neste cenário de CAD grave, com hipotensão e acidemia importante, em que o manejo correto é intensivo e com insulina endovenosa somente após correção inicial da hipocalemia.
Pegadinha da questão
A banca mistura achados clássicos de CAD grave com uma situação em que muitos iniciariam insulina imediatamente; o detalhe que muda a conduta é o potássio de 3,1 mEq/L, que obriga corrigir K antes da insulinoterapia. Outra confusão real é achar que paciente alerta não pode ter CAD grave, quando a gravidade aqui é definida por pH e bicarbonato.
Dica para questões semelhantes
  • Defina primeiro a síndrome metabólica: hiperglicemia + cetose + acidose metabólica apontam para cetoacidose diabética, não para estado hiperosmolar.
  • Classifique a gravidade da CAD pelos valores de pH e bicarbonato, não pelo fato de o paciente estar alerta.
  • Em CAD, sempre confira o potássio antes de marcar a alternativa com insulina: se K < 3,3 mEq/L, primeiro repõe potássio e volume, depois inicia insulina.
  • Se houver hipotensão e desidratação, a reposição inicial deve ser com solução cristaloide isotônica em infusão rápida.

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