Questões de Concurso Público SEDUC-SP 2023 para Professor de Ensino Fundamental e Médio - Português

Foram encontradas 19 questões

Q3554305 Português
Andreia é professora de Ciências, e Danilo, de Geografia, lecionando para o 7º ano do ensino fundamental. Ambos têm trabalhado em um projeto interdisciplinar que diz respeito aos rios paulistanos e à ocupação urbana. Nas pesquisas em conjunto para a aula, depararam-se com o texto de Jerá Guarani (2020), no qual são mencionados os rios e córregos canalizados ou escondidos sob o asfalto de São Paulo, como o Anhangabaú e o Tamanduateí. Caso os professores queiram trabalhar a perspectiva da autora com seus alunos, as discussões do caso desses rios de São Paulo devem apontar para
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Q3554311 Português
Leia a tira.

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(Bill Waterson, “O Melhor de Calvin”. https://cultura.estadao.com.br/quadrinhos, 01.06.2023. Acesso em 10.06.2023)

Nas falas dos personagens, identifica-se informalidade da linguagem com não atendimento à norma-padrão em: 
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Q3554312 Português
Leia o poema de Manuel Bandeira.

                Neologismo
    Beijo pouco, falo menos ainda.
    Mas invento palavras
    Que traduzem a ternura mais funda
    E mais cotidiana.
    Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
    Intransitivo:
    Teadoro, Teodora.

(Manuel Bandeira, As cidades e as musas)

Antonio Candido afirma que “um certo número de escritores se aplica a mostrar como somos diferentes da Europa e como, por isso, devemos ver e exprimir diversamente as coisas. Em todos eles encontramos latente o sentimento de que a expressão livre, principalmente na poesia, é a grande possibilidade que tem para manifestar-se com autenticidade um país de contrastes, onde tudo se misturas e as formas regulares não correspondem à realidade.” Tal afirmação, em relação ao poema de Manual Bandeira, é
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Q3554313 Português
Leia os textos.
Texto 1
    Os conhecimentos sobre a língua, as demais semioses e a norma-padrão não devem ser tomados como uma lista de conteúdos dissociados das práticas de linguagem, mas como propiciadores de reflexão a respeito do funcionamento da língua no contexto dessas práticas. A seleção de habilidades na BNCC está relacionada com aqueles conhecimentos fundamentais para que o estudante possa apropriar-se do sistema linguístico que organiza o português brasileiro.

(BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular [BNCC].)

Texto 2
    Deve-se ter em mente que a ampliação da competência discursiva do aluno não pode ficar reduzida apenas ao trabalho sistemático com a matéria gramatical. Aprender a pensar e falar sobre a própria linguagem, realizar uma atividade de natureza reflexiva, uma atividade de análise linguística supõe o planejamento de situações didáticas que possibilitem a reflexão não apenas sobre os diferentes recursos expressivos utilizados pelo autor do texto, mas também sobre a forma pela qual a seleção de tais recursos reflete as condições de produção do discurso e as restrições impostas pelo gênero e pelo suporte. Supõe, também, tomar como objeto de reflexão os procedimentos de planejamento, de elaboração e de refacção dos textos.

(BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa.)

Comparando-se os dois textos, conclui-se que ambos defendem que as práticas de linguagem na escola
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Q3554314 Português
A literatura indígena brasileira contemporânea é uma expressão vinculada ao lugar de fala (Dalcastagnè, 2012) do sujeito indígena que reivindica, cada vez mais, protagonismo para articular em nome de suas ancestralidades, sem mediações alheias a eles. O lugar de fala indígena é a sua ancestralidade. Matos (2011), refletindo sobre a enunciação literária indígena e o lugar de onde partem os textos criativos indígenas, argumenta que a autoidentificação e a autodenominação étnicas sob a forma de ‘nós’, ‘os humanos’, os ‘verdadeiros humanos’, é uma constante para vários povos indígenas (araweté, yaminawa, waiapi, etc.). Estas alcunhas autorreferenciais são, conforme Viveiros de Castro (1996 apud Matos, 2011), pronomes cosmológicos, e não nomes próprios. “Eles servem para marcar o lugar de onde se fala, o nós do grupo” (Matos, 2011, p. 33). Na literatura indígena brasileira, os escritores e escritoras empenham-se em esclarecer que a cultura indígena é formada por diferentes grupos que possuem tradições e práticas diversas entre si. Reiteram que não são um monólito homogêneo e fenotípico que justifica o rótulo de índios do Brasil. Seus lugares de fala são suas ancestralidades e pertenças étnicas, uma vez que são munduruku, potiguara, guarani, sateré-mawé, dessana, kambeba, entre outros. Desse modo, a leitura das obras desses autores de etnias diferentes coopera para o conhecimento de diferentes lugares de fala cuja expressão se anuncia a partir da própria alteridade. Diferentes projetos literários, nesse sentido, encontram-se dentro desse sistema, anunciando diferentes mensagens elaboradas criativamente a partir de matérias ancestrais, históricas, estéticas, políticas etc.

(Julie Dorrico, “Vozes da literatura indígena brasileira contemporânea: do registro etnográfico à criação literária”. Em: DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; CORREIA, Heloisa Helena Siqueira; DANNER, Fernando (Orgs.). Literatura indígena brasileira contemporânea: criação, crítica e recepção [recurso eletrônico]. Em: https://www.editorafi.org/438indigena. Adaptado)


A habilidade EF69AR34 do Currículo Paulista – Ensino Fundamental diz respeito a “Analisar e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, e favorecendo a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas.”
Nesse sentido, as considerações de Dorrico articulam-se aos pressupostos do Currículo na medida em que 
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Q3554315 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Nu e cru, eis o fato: apareceu um pênis decepado, em plena Estrada Nacional, à entrada da vila de Tizangara. Era um sexo avulso e avultado. Os habitantes relampejaram-se em face do achado. [...] Uma roda de gente se engordou em redor da coisa. Também eu me cheguei, parado nas fileiras mais traseiras, mais posto que exposto. Avisado estou: atrás é onde melhor se vê e menos se é visto. Certo é o ditado: se a agulha cai no poço, muitos espreitam, mas poucos descem a buscá-la. Na nossa vila, acontecimento era coisa que nunca sucedia. Em Tizangara só os fatos são sobrenaturais. E contra fatos todos são argumentos.


(Trecho de O último voo do flamingo, de Mia Couto, extraído de Elena Brugioni, “Literaturas africanas: escrita, oralidade, voz”. Literaturas africanas comparadas: paradigmas críticos e representações em contraponto, 2019)
Na análise de Elena Brugioni, o texto de Mia Couto exemplifica
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Q3554316 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Nu e cru, eis o fato: apareceu um pênis decepado, em plena Estrada Nacional, à entrada da vila de Tizangara. Era um sexo avulso e avultado. Os habitantes relampejaram-se em face do achado. [...] Uma roda de gente se engordou em redor da coisa. Também eu me cheguei, parado nas fileiras mais traseiras, mais posto que exposto. Avisado estou: atrás é onde melhor se vê e menos se é visto. Certo é o ditado: se a agulha cai no poço, muitos espreitam, mas poucos descem a buscá-la. Na nossa vila, acontecimento era coisa que nunca sucedia. Em Tizangara só os fatos são sobrenaturais. E contra fatos todos são argumentos.


(Trecho de O último voo do flamingo, de Mia Couto, extraído de Elena Brugioni, “Literaturas africanas: escrita, oralidade, voz”. Literaturas africanas comparadas: paradigmas críticos e representações em contraponto, 2019)
Com a frase “Em Tizangara só os fatos são sobrenaturais.”, a intenção do narrador é sugerir que
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Q3554317 Português
Leia o texto para responder à questão.

    “Ouvir que não existe quilombola em Santa Catarina me causa indignação, mas não espanto”, diz Terezinha Silva de Souza, 87, fundadora da associação do quilombo Caldas do Cubatão, da cidade catarinense Santo Amaro da Imperatriz.
    Ao lado do Rio Grande do Sul, o estado lidera a lista dos mais brancos do país, com 78% de sua população autodeclarada branca, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em seguida, com 64%, está o Paraná, completando a tríade sulista.
    No total da população brasileira, 43% são brancos, segundo dados de 2021 do órgão. 


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    “O negro sempre foi excluído, ficou em segundo plano, teve sua história apagada”, afirma Terezinha, ao dizer que não se surpreende com quem desconhece as veias quilombolas que pulsam ao sul do mapa brasileiro.
    Apesar de ter ao menos 319 comunidades remanescentes de quilombos, a região é raramente vista como um território de resistência negra.
    No imaginário coletivo, a figura do gaúcho, por exemplo, é com frequência associada à de uma pessoa branca que veste bombacha e anda a cavalo. Nada de pretos, ou pardos. Que dirá, então, quilombolas. É o que diz Fernanda Oliveira, historiadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


(Marina Lourenço, “Quilombolas do Sul lutam contra apagamento”. Em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano, 09.06.2023. Adaptado)
Na organização da notícia, a inclusão do gráfico tem a intenção de
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Q3554318 Português
Leia o texto para responder à questão.

    “Ouvir que não existe quilombola em Santa Catarina me causa indignação, mas não espanto”, diz Terezinha Silva de Souza, 87, fundadora da associação do quilombo Caldas do Cubatão, da cidade catarinense Santo Amaro da Imperatriz.
    Ao lado do Rio Grande do Sul, o estado lidera a lista dos mais brancos do país, com 78% de sua população autodeclarada branca, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em seguida, com 64%, está o Paraná, completando a tríade sulista.
    No total da população brasileira, 43% são brancos, segundo dados de 2021 do órgão. 


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    “O negro sempre foi excluído, ficou em segundo plano, teve sua história apagada”, afirma Terezinha, ao dizer que não se surpreende com quem desconhece as veias quilombolas que pulsam ao sul do mapa brasileiro.
    Apesar de ter ao menos 319 comunidades remanescentes de quilombos, a região é raramente vista como um território de resistência negra.
    No imaginário coletivo, a figura do gaúcho, por exemplo, é com frequência associada à de uma pessoa branca que veste bombacha e anda a cavalo. Nada de pretos, ou pardos. Que dirá, então, quilombolas. É o que diz Fernanda Oliveira, historiadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


(Marina Lourenço, “Quilombolas do Sul lutam contra apagamento”. Em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano, 09.06.2023. Adaptado)
Respeitando-se a norma-padrão, a coesão e a coerência textuais, uma reescrita que se mantém fiel aos sentidos do texto original é:
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Q3554319 Português
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Nossos filhos nas redes sociais

    Muita tinta e saliva têm sido gastas sobre o papel das redes sociais na polarização política e na degradação da verdade. Se em geral elas favorecem a “arte da associação”, que Alexis de Tocqueville via como chave de uma democracia vibrante, seus elementos tóxicos a deterioram. Mas, além da cultura cívica que essa geração legará à próxima, eles podem estar degradando a saúde mental dos herdeiros. O “risco pode ser profundo”, adverte um relatório da principal autoridade de saúde americana, dr. Vivek Murthy.
    Fato: algo terrível aconteceu com a Geração Z, nascida após 1996. Na última década, as taxas de depressão, ansiedade, comportamentos autodestrutivos e suicídios escalaram entre crianças e adolescentes, justamente os que cresceram sob o uso massivo e diário das redes viabilizado pelos smartphones. Correlação não implica causalidade, e, mesmo sendo uma causa, as redes não são a única. Mas há indícios de que, além de reforçar as outras, elas são a principal.
    Algo dessa ansiedade pode refletir a ansiedade dos pais com tensões políticas e sociais. Uma cultura protecionista e a pressão por resultados deixa às crianças cada vez menos tempo para atividades livres e não supervisionadas entre si, minando o desenvolvimento de suas habilidades em cooperar, ceder, solucionar conflitos e tolerar adversidades. Essa psique fragilizada é palpável nos campi, onde universitários “cancelam” opiniões que são sentidas como “violência”.
    A terceirização da educação e recreação para as telas pode ter um papel no isolamento dos jovens. Sua relação com transtornos mentais é mais incerta. Nesse sentido, as telas seriam como um novo alimento. A comida é necessária à vida; desbalanceada, é nociva. As telas seriam como açúcar, dispensável para a nutrição, mas saboroso, e, em excesso, pernicioso. Já as redes parecem ser algo mais. Não são como veneno de rato, tóxico para todos, mas mais como o álcool, uma substância medianamente viciante que facilita interações sociais, mas pode levar à dependência e depressão de uma minoria. Para jovens em desenvolvimento cerebral e emocional, alerta Murthy, as sequelas podem ser agudas.

(https://www.estadao.com.br/opiniao, 04.06.2023. Adaptado)
De acordo com Angela Kleiman (2017), “outras habilidades que têm altas correlações com a capacidade de ler, apontadas na literatura, são a capacidade para apreender o tema e a estrutura global do texto para inferir o tom, intenção e atitude do autor, para reconstruir relações lógicas e temporais, bem como para realizar atividades de apropriação da voz do autor...”. Com base nessas informações, conclui-se corretamente que, na construção da argumentação no primeiro e no quarto parágrafos, recorre-se ao emprego de 
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Q3554320 Português
Leia o texto para responder à questão.

Nossos filhos nas redes sociais

    Muita tinta e saliva têm sido gastas sobre o papel das redes sociais na polarização política e na degradação da verdade. Se em geral elas favorecem a “arte da associação”, que Alexis de Tocqueville via como chave de uma democracia vibrante, seus elementos tóxicos a deterioram. Mas, além da cultura cívica que essa geração legará à próxima, eles podem estar degradando a saúde mental dos herdeiros. O “risco pode ser profundo”, adverte um relatório da principal autoridade de saúde americana, dr. Vivek Murthy.
    Fato: algo terrível aconteceu com a Geração Z, nascida após 1996. Na última década, as taxas de depressão, ansiedade, comportamentos autodestrutivos e suicídios escalaram entre crianças e adolescentes, justamente os que cresceram sob o uso massivo e diário das redes viabilizado pelos smartphones. Correlação não implica causalidade, e, mesmo sendo uma causa, as redes não são a única. Mas há indícios de que, além de reforçar as outras, elas são a principal.
    Algo dessa ansiedade pode refletir a ansiedade dos pais com tensões políticas e sociais. Uma cultura protecionista e a pressão por resultados deixa às crianças cada vez menos tempo para atividades livres e não supervisionadas entre si, minando o desenvolvimento de suas habilidades em cooperar, ceder, solucionar conflitos e tolerar adversidades. Essa psique fragilizada é palpável nos campi, onde universitários “cancelam” opiniões que são sentidas como “violência”.
    A terceirização da educação e recreação para as telas pode ter um papel no isolamento dos jovens. Sua relação com transtornos mentais é mais incerta. Nesse sentido, as telas seriam como um novo alimento. A comida é necessária à vida; desbalanceada, é nociva. As telas seriam como açúcar, dispensável para a nutrição, mas saboroso, e, em excesso, pernicioso. Já as redes parecem ser algo mais. Não são como veneno de rato, tóxico para todos, mas mais como o álcool, uma substância medianamente viciante que facilita interações sociais, mas pode levar à dependência e depressão de uma minoria. Para jovens em desenvolvimento cerebral e emocional, alerta Murthy, as sequelas podem ser agudas.

(https://www.estadao.com.br/opiniao, 04.06.2023. Adaptado)
De acordo com Ingedore Koch (2015, adaptado), “o encadeamento de segmentos textuais, de qualquer extensão, é estabelecido, em grande número de casos, por meio de recursos linguísticos que se denominam articuladores textuais ou operadores do discurso. (...) Os articuladores enunciativos ou discursivo-argumentativos são os que encadeiam atos de fala distintos, introduzindo, entre eles, relações discursivo-argumentativas...”. Com base no exposto pela autora, identifica-se enunciado com operador do discurso, seguido de reescrita com manutenção do sentido original, em: 
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Q3554321 Português
Considere as informações:

Narrativa oral – uma jovem de 17 anos
eh... eu vou falar sobre a minha família... sobre os meus pais... o que eu acho deles... como eles me tratam... bem... eu tenho uma família... pequena... ela é composta pelo meu pai... pela minha mãe... pelo meu irmão... eu tenho um irmão pequeno de... dez anos... eh... o meu irmão não influencia em nada... a minha mãe é uma pessoa superlegal... sabe?

Retextualização: aluna de Letras, UFPE, 4º Período
– Bem, eu vou falar sobre a minha família, sobre meus pais, o que acho deles e como eles me tratam.
– A minha família é pequena, composta pelo meu pai, minha mãe e um irmão pequeno de dez anos que não influencia em nada. Minha mãe é superlegal.

As informações exemplificam, respectivamente, uma produção oral e a sua retextualização. Analisando-as, é correto concluir que
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Q3554323 Português
Leia o texto para responder à questão.

CAPÍTULO PRIMEIRO / ÓBITO DO AUTOR

    Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
    Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sextafeira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.” 
    Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove ou dez pessoas, entre elas três senhoras, minha irmã Sabina, casada com o Cotrim, a filha, — um lírio do vale, — e... Tenham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceira senhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda que não parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade, padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa. Nem o meu óbito era coisa altamente dramática... Um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos, não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinha a essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.
    — “Morto! morto!” dizia consigo.

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Daí, a estrutura informal e aberta dessa nova experiência narrativa, tecido de lembranças casuais, fait divers e cortes digressivos entre banais e cínicos da personagem-autor, que não transcende nunca a “filosofia” do bom senso burguês congelada pela condição irreversível de defunto.
(Alfredo Bosi, 2015)

Identifica-se um corte digressivo, pontuado de ironia, na seguinte passagem do texto:
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Q3554324 Português
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CAPÍTULO PRIMEIRO / ÓBITO DO AUTOR

    Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
    Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sextafeira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.” 
    Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove ou dez pessoas, entre elas três senhoras, minha irmã Sabina, casada com o Cotrim, a filha, — um lírio do vale, — e... Tenham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceira senhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda que não parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade, padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa. Nem o meu óbito era coisa altamente dramática... Um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos, não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinha a essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.
    — “Morto! morto!” dizia consigo.

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
No Currículo Paulista – Ensino Médio, a habilidade EM13LP04 tem como fundamento “Estabelecer relações de interdiscursividade e intertextualidade para explicitar, sustentar e conferir consistência a posicionamentos e para construir e corroborar explicações e relatos, fazendo uso de citações e paráfrases devidamente marcadas.” No texto de Machado de Assis, uma passagem em que o narrador recorre ao diálogo intertextual com o fito de justificar e enaltecer o seu relato é:
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Q3554325 Português
Leia o texto para responder à questão.

CAPÍTULO PRIMEIRO / ÓBITO DO AUTOR

    Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
    Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sextafeira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.” 
    Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove ou dez pessoas, entre elas três senhoras, minha irmã Sabina, casada com o Cotrim, a filha, — um lírio do vale, — e... Tenham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceira senhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda que não parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade, padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa. Nem o meu óbito era coisa altamente dramática... Um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos, não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinha a essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.
    — “Morto! morto!” dizia consigo.

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Maria Helena de Moura Neves (2003) afirma que “estudar gramática é refletir sobre o uso linguístico, sobre o exercício da linguagem”. Aplicando-se esse conceito ao texto de Machado de Assis, conclui-se corretamente que, na passagem
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Q3554327 Português
Leia a tira. 

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(Fernando Gonsales, “Níquel Náusea”. Folha de S.Paulo, 08.06.2023)

De acordo com Rojo (2012), “... o conceito de multiletramentos – é bom enfatizar – aponta para dois tipos específicos e importantes de multiplicidade presentes em nossas sociedades, principalmente urbanas, na contemporaneidade: a multiplicidade cultural das populações e a multiplicidade semiótica da constituição dos textos por meio dos quais ela se informa e se comunica.” Com base nesses apontamentos da autora, identifica-se que a multiplicidade cultural na tira se organiza 
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Q3554328 Português
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    À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade. A faia, o freixo, o álamo entrelaçam os ramos amigos; a madressilva, a musqueta penduram de um a outro suas grinaldas e festões: a congossa, os fetos, a malva-rosa do valado vestem e alcatifam o chão. Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meia aberta de uma habitação antiga mas não dilapidada — com certo ar de conforto grosseiro, e carregada na cor pelo tempo e pelos vendavais do sul a que está exposta. A janela é larga e baixa; parece mais ornada e também mais antiga que o resto do edifício que todavia mal se vê... 
    Interessou-me aquela janela.
    Quem terá o bom gosto e a fortuna de morar ali?
    Parei e pus-me a namorar a janela.
    Encantava-me, tinha-me ali como num feitiço.
   Pareceu-me entrever uma cortina branca... e um vulto por detrás... Imaginação decerto! Se o vulto fosse feminino! ... era completo o romance.
    Como há de ser belo ver pôr o Sol daquela janela! ...
     E ouvir cantar os rouxinóis! ...
     E ver raiar uma alvorada de Maio! ...
   Se haverá ali quem a aproveite, a deliciosa janela? ... quem aprecie e saiba gozar todo o prazer tranquilo, todos os santos gozos de alma que parece que lhe andam esvoaçando em torno?
    Se for homem é poeta; se é mulher está namorada.
    São os dois entes mais parecidos da natureza, o poeta e a mulher namorada: veem, sentem, pensam, falam como a outra gente não vê, não sente, não pensa nem fala.

(Massaud Moisés. A Literatura Portuguesa Através Dos Textos)
Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, de onde se extraiu o excerto, foi publicado em 1846. Analisando-o, flagram-se usos que denunciam tratar-se de um momento histórico, social e espacial diferente daquele que hoje se vivencia. Um exemplo que mostra inequivocamente essa diferença contextual está na seguinte reescrita:
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Q3554329 Português
Leia o texto para responder à questão.

    À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade. A faia, o freixo, o álamo entrelaçam os ramos amigos; a madressilva, a musqueta penduram de um a outro suas grinaldas e festões: a congossa, os fetos, a malva-rosa do valado vestem e alcatifam o chão. Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meia aberta de uma habitação antiga mas não dilapidada — com certo ar de conforto grosseiro, e carregada na cor pelo tempo e pelos vendavais do sul a que está exposta. A janela é larga e baixa; parece mais ornada e também mais antiga que o resto do edifício que todavia mal se vê... 
    Interessou-me aquela janela.
    Quem terá o bom gosto e a fortuna de morar ali?
    Parei e pus-me a namorar a janela.
    Encantava-me, tinha-me ali como num feitiço.
   Pareceu-me entrever uma cortina branca... e um vulto por detrás... Imaginação decerto! Se o vulto fosse feminino! ... era completo o romance.
    Como há de ser belo ver pôr o Sol daquela janela! ...
     E ouvir cantar os rouxinóis! ...
     E ver raiar uma alvorada de Maio! ...
   Se haverá ali quem a aproveite, a deliciosa janela? ... quem aprecie e saiba gozar todo o prazer tranquilo, todos os santos gozos de alma que parece que lhe andam esvoaçando em torno?
    Se for homem é poeta; se é mulher está namorada.
    São os dois entes mais parecidos da natureza, o poeta e a mulher namorada: veem, sentem, pensam, falam como a outra gente não vê, não sente, não pensa nem fala.

(Massaud Moisés. A Literatura Portuguesa Através Dos Textos)
De acordo com o Currículo Paulista – Ensino Médio, textos como o de Almeida Garrett devem 
Alternativas
Q3554330 Português
Cada um de nós, professor ou não, precisa elevar o grau da própria autoestima linguística: recusar com veemência os velhos argumentos que visem menosprezar o saber linguístico individual de cada um de nós. Temos de nos impor como falantes competentes de nossa língua materna. Parar de acreditar que “brasileiro não sabe português”, que “português é muito difícil”, que os habitantes da zona rural ou das classes sociais mais baixas “falam tudo errado”. Acionar nosso senso crítico toda vez que nos deparamos com um comando paragramatical e saber filtrar as informações realmente úteis, deixando de lado (e denunciando, de preferência) as afirmações preconceituosas, autoritárias e intolerantes. Da parte do professor em geral, e do professor de língua em particular, essa mudança de atitude deve refletir-se na não aceitação de dogmas, na adoção de nova postura (crítica) em relação a seu próprio objeto de trabalho. 
(Marcos Bagno. Preconceito linguístico)

A nova postura (crítica) defendida por Marcos Bagno solidariza-se ao contido
Alternativas
Respostas
1: C
2: D
3: A
4: E
5: C
6: A
7: D
8: B
9: C
10: A
11: D
12: E
13: D
14: B
15: C
16: E
17: E
18: A
19: C