Questões de Concurso Público UFSCAR 2019 para Tradutor e Intérprete de Linguagem dos Sinais
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“1) Dada a superioridade incontestável da fala sobre os Sinais para reintegrar os SurdosMudos na vida social e para dar-lhes maior facilidade de linguagem... (Este congresso) declara que o método de articulação deve ter preferência sobre o de sinais na instrução e educação de surdos e mudos;
2) O método oral puro deve ser preferido porque o uso simultâneo de sinais e fala tem a desvantagem de prejudicar a fala, a leitura orofacial e a precisão de ideias”.
Fonte: MOURA, Maria Cecília de. O Surdo: caminhos para uma nova identidade. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.
I. É possível estabelecer uma comunicação apenas utilizando o alfabeto datilológico porque eles se constituem signos linguísticos da mesma natureza que as palavras.
II. O alfabeto datilológico permite aos falantes de Libras transliterarem algumas palavras da língua portuguesa quando se referem a nomes, localizações, endereços e alguns termos técnicos ainda não lexicalizados em Libras.
III. O alfabeto datilológico é universal, isto é, os surdos do mundo inteiro utilizam o mesmo alfabeto em suas línguas de sinais.
IV. Para utilizar o alfabeto datilológico, o falante de Libras deve ser minimamente letrado/alfabetizado na língua portuguesa porque a representação manual é um espelhamento das palavras escritas.
V. Por corresponder à transliteração de palavras escritas da língua majoritária, apenas pessoas ouvintes utilizam essa estratégia durante a sinalização. Os surdos não utilizam esse recurso porque conhecem todos os sinais equivalentes à língua majoritária.
Fonte: Dicionário da Língua Brasileira de Sinais V3 - 2011. http://www.acessibilidadebrasil.org.br/libras_3/
O trecho acima mostra o quanto a literatura, que é uma das manifestações culturais e artísticas mais latentes na sociedade brasileira, também possui sua importância para a comunidade surda. Essa arte, que manipula a linguagem verbal, leva o leitor a mundos diferentes, amplia o repertório linguístico e contribui para a produção da linguagem oral e escrita de quem a busca. A comunidade surda também possui suas manifestações culturais literárias. É possível encontrar diferentes obras escritas assinadas por surdos e, mais recentemente com o advento da tecnologia, obras gravadas em vídeo em língua de sinais com o mesmo valor cultural que as obras escritas. Todavia, há uma diferenciação nas obras literárias da comunidade surda.
Fonte: MOURÃO, C. H. N. Literatura surda: produções culturais de surdos em língua de sinais. In: KARNOPP, L.; KLEI, M.; LUNARDI-LAZZARIN, M. L. Cultura Surda na contemporaneidade: negociações, intercorrências e provocações. Canoas: Editora da ULBRA, 2011, p. 73.
Com base no trecho acima, selecione a resposta que indica as três categorias de literatura surda que circulam atualmente na comunidade surda brasileira.
Fonte: Dicionário da Língua Brasileira de Sinais V3 - 2011. http://www.acessibilidadebrasil.org.br/libras_3/
“É a língua, como sistema de signos, que permite a interação entre os indivíduos e o partilhar de uma mesma cultura. É também pela linguagem e na linguagem que os conhecimentos são construídos, pois, ao partilharem um sistema de signos constitutivos de uma língua, estes sujeitos podem, além de desenvolverem uma compreensão mútua, colocar em circulação os múltiplos sentidos presentes na linguagem, configurando, assim, a polissemia constitutiva desta. É também pela linguagem que as categorias conceituais podem ser construídas, organizando suas experiências, numa atividade mediadora entre os sujeitos e os objetos do conhecimento”
Fonte: LACERDA, C. B. F.; LODI, A. C. B. A inclusão escolar bilingue de alunos surdos: princípios, breve histórico e perspectivas. IN: LACERDA, C. B. F.; LODI, A. C. B. (Orgs.). Uma escola, duas línguas: letramento em língua portuguesa e língua de sinais nas etapas iniciais da escolarização. Porto Alegre: Editora Mediação, 2009.
Assinale a alternativa correta sobre Libras:
“A premissa básica era a utilização de toda e qualquer forma de comunicação com a criança Surda, sendo que nenhum método ou sistema particular deveria ser omitido ou enfatizado. Para tanto, dever-se-ia usar gestos naturais, Ameslan (Sign Language – Língua Americana de Sinais), alfabeto digital, expressão facial, tudo acompanhado com fala ouvida através de um aparelho de amplificação sonora individual. A ideia era usar qualquer forma que funcionasse para transmitir vocabulário, linguagem, conceitos de ideias entre o falante e a criança Surda”.
Fonte: MOURA, Maria Cecília de. O Surdo: caminhos para uma nova identidade. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.
Selecione a alternativa que corresponde a esta definição.
“O intérprete deve exercer sua profissão com rigor técnico, zelando pelos valores éticos a ela inerentes, pelo respeito à pessoa humana e à cultura do surdo e, em especial:
I - pela honestidade e discrição, protegendo o direito de sigilo da informação recebida;
II - pela atuação livre de preconceito de origem, raça, credo religioso, idade, sexo ou orientação sexual ou gênero;
III - pela imparcialidade e fidelidade aos conteúdos que lhe couber traduzir;
IV - pelas postura e conduta adequadas aos ambientes que frequentar por causa do exercício profissional;
V - pela solidariedade e consciência de que o direito de expressão é um direito social, independentemente da condição social e econômica daqueles que dele necessitem;
VI - pelo conhecimento das especificidades da comunidade surda”.
Fonte: QUADROS, R. M.; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004, p. 107 e 110.
Assinale a alternativa que corresponde à definição de escolas e classes bilíngues presente no Decreto 5.626/05.
Fonte: LACERDA, Cristina Broglia Feitosa de. Intérprete de libras em atuação na educação infantil e no ensino fundamental. Porto Alegre: Editora Mediação/FAPESP, 2009.
Considerando a definição acima, pode-se afirmar que o papel do intérprete educacional é:
“A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial publicou, em 29 de outubro de 2009, uma nota intitulada ORL em prol da informação na TV Globo. A matéria em questão informava que um grupo formado por quatro médicos otorrinolaringologistas – Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento, Prof. Dr. Silvio Caldas, Prof. Dr. Shiro Tomita e Prof. Dr. Rogério Hamershimidt – participou de um almoço com diretores do Marketing Social da Rede Globo de Televisão, Luiz Erlanger e Albert Alcouloumbre, para conversarem sobre surdez, tema presente na novela das 18 horas da emissora, denominada Cama de Gato. A novela conta com um personagem, de nome Tarcísio, que era pianista e perdeu a audição. Informa o professor Dr. Ricardo Bento, na nota, sobre os objetivos da comitiva que ele organizou:
Entregamos uma carta ao Erlanger, assinada por dez professores doutores de várias universidades federais e estaduais – Prof. Dr. Rubens Vuonno de Brito Neto, Prof. Dr. Luiz Lavinsky, Prof. Dr. Shiro Tomita, Prof. Dr. Paulo Porto, Prof. Dr. Silvio da Silva Caldas Neto, Prof. Dr. André Luis Sampaio, Prof. Dr. Robinson Koki Tsuji, Prof. Dr. Rogério Hamershimidt, além de mim – pedindo que se preste atenção no implante coclear como tendência mundial em tratamento de surdez severa e profunda e que consideramos um retrocesso o uso de Libras na novela.
Na referida reunião, os médicos informaram aos diretores da Rede Globo os resultados positivos da cirurgia de implante coclear e o seu crescimento ao redor do mundo, contabilizando mais de 300 mil implantes. Informaram também sobre a portaria aprovada pelo Ministério da Saúde – SUS-MS 1.287 de 1999 – que garante o tratamento gratuito para a surdez severa e profunda, tendo já sido realizadas 3 mil cirurgias de implante coclear no Brasil. A carta entregue aos diretores da emissora foi encaminhada às autoras da novela, Duca Rachid e Thelma Guedes, para que elas obtivessem conhecimento sobre essa nova realidade da surdez. O objetivo da iniciativa dos médicos foi garantir que a novela global passasse a informar sobre tal tratamento, influenciando positivamente a escolha das famílias, que possuem filhos com surdez, para a realização da cirurgia do implante coclear”.
Fonte: SILVA, César Augusto de Assis. Entre a deficiência e a cultura: análise etnográfica de atividades missionárias com surdos. (Tese). Doutorado em Antropologia Social. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.
Essa narrativa demonstra uma postura social frente à surdez, os surdos e a Libras. Assinale a alternativa que indica a perspectiva condizente com tal narrativa.
Fonte: SACKS, Oliver. Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. Trad. Laura Teixeira Morra. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 34.
Considerando a citação acima, leia as afirmações abaixo e selecione a resposta que indica as afirmações corretas.
I. A Libras e a língua portuguesa são línguas diferentes porque a primeira não possui preposição e conjugação verbal, enquanto a segunda oferece aos seus falantes pluralidade de conectivos e diversas formas de produção do verbo.
II. A Libras e a língua portuguesa são línguas iguais porque são da mesma modalidade lingüística, diferenciando-se apenas em relação à estrutura sintática e às formas de flexão verbal.
III. A Libras e a língua portuguesa são línguas naturais diferenciando-se, sobretudo, na modalidade linguística. Enquanto a primeira é gesto-visual, a segunda é vocal-auditiva.
IV. A Libras e a língua portuguesa são diferentes porque a primeira apresenta uma sintaxe espacial incluindo os chamados classificadores, e a segunda usa uma sintaxe linear utilizando a descrição para captar o uso dos classificadores.
V. A Libras e a língua portuguesa são iguais porque ambas possuem marcação de gênero neutro.
Fonte: LACERDA, C. B. F; SANTOS, L. F; LODI, A. C. B; GURGEL, T. M. A. Educação Inclusiva Bilíngue para alunos surdos. In: LACERDA, C. B. F; SANTOS, L. F; MARTINS, V. R. O. (Org.). Escola e Diferença: caminhos para educação bilíngue de surdos. São Carlos: EdUFSCar, 2016.
Em termos gerais, a educação bilíngue para surdos considera:
I. Que os surdos devem desenvolver a língua de sinais como primeira língua (L1) nas relações sociais estabelecidas, preferencialmente, com surdos adultos usuários da língua e participantes ativos do processo educacional de seus pares.
II. Que os surdos devem desenvolver a língua portuguesa como primeira língua (L1) e a língua de sinais como segunda língua (L2).
III. Que na falta do profissional surdo adulto, é prevista na legislação a participação de adultos ouvintes bilíngues Libras-Língua Portuguesa, com formação/certificação de fluência em Libras.
IV. A importância de interlocutores ouvintes, membros de referência da comunidade surda, responsáveis por propiciar o pleno desenvolvimento de linguagem das crianças por serem os interlocutores privilegiados para a imersão de seus pares na língua de sinais.
Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas: