Leia o texto para responder a questão.
Quem não acredita em Papai Noel?
CONTARDO CALLIGARIS
NO SÁBADO, foi o primeiro aniversário de
Gabriela, filha de amigos meus. Ela estava radiante,
num vestido que, pela cor vermelha, contribuía ao
tema da festa: o Natal. Havia um Papai Noel no seu
trenó, em tamanho natural, e a casa do Papai Noel
no polo Norte, com o elfo ajudante diante da porta e
muita neve no teto. Havia também duas renas
voadoras, que não reconheci, mas nenhuma delas
era Rudolfo (que, como se sabe, tem nariz
vermelho). Concordo com a escolha dos pais de
Gabriela: como primeira história na qual acreditar, a
de Papai Noel é imbatível – embora ela tenha vários
inimigos. 1) Há os que dizem que Papai Noel não
passa de um vendedor de shopping center ou de um
animador de loja de departamento, inventado para
que, nesta época do ano, compremos um monte de
futilidades. Penso diferente. Vi muitas crianças
ponderando e escrevendo suas cartas de Natal ou,
então, esperando, na fila, para sussurrar seus sonhos
no ouvido do próprio Papai Noel. O importante não
era que elas conseguissem o que pediam, mas que
elas manifestassem suas vontades, tivessem a
coragem de querer.
No Natal, aliás, o presente é quase supérfluo.
Nestes dias, não há como jantar num restaurante
sem assistir à entrega das surpresas de um amigo
secreto. Cada um desembrulha, finge encantamento
e ergue seu presente para a foto: é um troca-troca de
objetos sem uso que acabarão no fundo de uma
gaveta ou serão passados adiante, quem sabe no
Natal do ano que vem. O presente pode ser qualquer
coisa porque, em muitos casos, seu valor é o mesmo
dos ursos de pelúcia que abraçamos no sono, ao
longo da infância: ele serve como lembrança
saudosa de quem nos presenteou e, ao mesmo
tempo, substitui o presenteador de maneira que
possamos dispensar sua presença. Só para ilustrar a
complexidade de pedidos e presentes, mais um
exemplo. Francisco, aos cinco anos, num dia de
novembro, quis ditar sua carta ao Papai Noel; ele
não queria presente algum naquele ano, preferia que
o Papai Noel pensasse nas crianças que não têm
nada. [...].