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Q4376864 Português
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Quem não acredita em Papai Noel?

CONTARDO CALLIGARIS


NO SÁBADO, foi o primeiro aniversário de Gabriela, filha de amigos meus. Ela estava radiante, num vestido que, pela cor vermelha, contribuía ao tema da festa: o Natal. Havia um Papai Noel no seu trenó, em tamanho natural, e a casa do Papai Noel no polo Norte, com o elfo ajudante diante da porta e muita neve no teto. Havia também duas renas voadoras, que não reconheci, mas nenhuma delas era Rudolfo (que, como se sabe, tem nariz vermelho). Concordo com a escolha dos pais de Gabriela: como primeira história na qual acreditar, a de Papai Noel é imbatível – embora ela tenha vários inimigos. 1) Há os que dizem que Papai Noel não passa de um vendedor de shopping center ou de um animador de loja de departamento, inventado para que, nesta época do ano, compremos um monte de futilidades. Penso diferente. Vi muitas crianças ponderando e escrevendo suas cartas de Natal ou, então, esperando, na fila, para sussurrar seus sonhos no ouvido do próprio Papai Noel. O importante não era que elas conseguissem o que pediam, mas que elas manifestassem suas vontades, tivessem a coragem de querer.

No Natal, aliás, o presente é quase supérfluo. Nestes dias, não há como jantar num restaurante sem assistir à entrega das surpresas de um amigo secreto. Cada um desembrulha, finge encantamento e ergue seu presente para a foto: é um troca-troca de objetos sem uso que acabarão no fundo de uma gaveta ou serão passados adiante, quem sabe no Natal do ano que vem. O presente pode ser qualquer coisa porque, em muitos casos, seu valor é o mesmo dos ursos de pelúcia que abraçamos no sono, ao longo da infância: ele serve como lembrança saudosa de quem nos presenteou e, ao mesmo tempo, substitui o presenteador de maneira que possamos dispensar sua presença. Só para ilustrar a complexidade de pedidos e presentes, mais um exemplo. Francisco, aos cinco anos, num dia de novembro, quis ditar sua carta ao Papai Noel; ele não queria presente algum naquele ano, preferia que o Papai Noel pensasse nas crianças que não têm nada. [...]. 
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Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: “Penso diferente. Vi muitas crianças ponderando e escrevendo suas cartas de Natal ou, então, esperando, na fila, para sussurrar seus sonhos no ouvido do próprio Papai Noel.” A observação em primeira pessoa, apresentada após a manifestação de uma posição pessoal, evidencia a exemplificação baseada na vivência do autor e confirma a alternativa A.

Tema central: Exemplificação baseada em vivências
Análise das alternativas
A
Certa
As situações relatadas sustentam a ideia de que a crença em Papai Noel tem valor para além do consumo: o importante é que as crianças manifestem suas vontades, não que obtenham o que pedem. Assim, os exemplos concretos contribuem para a defesa da posição do autor.
B
Errada
Não há histórias bíblicas narradas por crianças. As crianças observadas escrevem cartas ou expressam desejos a Papai Noel, e Francisco dita uma carta. O tema natalino não permite atribuir conteúdo bíblico a esses relatos.
C
Errada
A alternativa confunde o assunto com o recurso argumentativo. O autor não fundamenta sua posição na quantidade de presentes oferecidos por Papai Noel: afirma que o importante era as crianças manifestarem suas vontades, não conseguirem o que pediam. Além disso, Francisco não queria presente algum.
D
Errada
A menção ao amigo secreto descreve uma prática social observada, mas não constitui apresentação de dados históricos. O texto também não desenvolve uma caracterização dos costumes da civilização ocidental; sustenta sua posição com situações concretas e observações pessoais.
Pegadinha da questão
Confundir a presença de Natal, presentes e amigo secreto com o procedimento usado para defender a tese. O critério decisivo é a função dos relatos pessoais na argumentação, não apenas o assunto que eles abordam.
Dica para questões semelhantes
  • Ao identificar um recurso argumentativo, verifique como os episódios relatados sustentam a posição do autor.
  • Observe marcas como “Vi muitas crianças” e “filha de amigos meus”, que vinculam os exemplos à experiência pessoal.
  • Não transforme a menção a uma prática social em fundamentação histórica sem que o texto apresente dados históricos.
  • A expressão “mais um exemplo” confirma a exemplificação, mas não prova, sozinha, que o episódio foi presenciado pelo autor.

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