Questões de Concurso Público IF-SP 2022 para Professor EBTT - Filosofia
Foram encontradas 40 questões
A teoria pós-colonialista tem como objetivo analisar o complexo das relações de poder entre as diferentes nações que compõem a herança econômica, política e cultural da conquista colonial europeia tal como se configura no presente momento – chamado, é claro, de “pós-colonial”. Ela parte da ideia de que o mundo contemporâneo, no momento mesmo em que supostamente se torna globalizado, só pode ser adequadamente compreendido se considerados todas as consequências da chamada “aventura colonial europeia”. (SILVA, T. T. da. Documentos de Identidade: uma Introdução às Teorias de Currículo. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 1999, p.125)
Nessa perspectiva o autor, ao problematizar a teoria pós-colonialista, assevera que:
O chamado “multiculturalismo” é um fenômeno que, claramente, tem sua origem nos países dominantes do Norte. O multiculturalismo, tal como a cultura contemporânea, é fundamentalmente ambíguo. Por um lado, o multiculturalismo é um movimento legítimo de reivindicação dos grupos culturais dominados no interior daqueles países para terem suas formas culturais reconhecidas e representadas na cultura nacional. O multiculturalismo pode ser visto, entretanto, também como uma solução para os “problemas” que a presença de grupos raciais e étnicos coloca, no interior daqueles países, para a cultura nacional dominante. (SILVA, T. T. da. Documentos de Identidade: uma Introdução às Teorias de Currículo. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 1999, p. 85)
A partir dessas características é correto afirmar que:
Assinale a alternativa que traz uma outra finalidade/característica expressa no artigo 6º da referida Lei:
Com base nas informações demarcadas, assinale a alternativa que apresenta os cursos que a educação profissional e tecnológica abrangerá.
Assinale com V (verdadeiro) ou com F (falso) as seguintes afirmações sobre as teses apresentadas na referida obra.
[ ] Existe identidade entre educação e política.
[ ] As relações entre educação e política se dão na forma de autonomia relativa e dependência recíproca.
[ ] Toda prática política contém inevitavelmente uma dimensão educativa.
[ ] Toda prática educativa não deve conter uma dimensão política.
A sequência correta, de cima para baixo, é
“Art. 21.Aeducação escolar compõe-se de:
I - Educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio;
II - Educação superior”.
Para a educação superior é dedicado o capítulo IV, intitulado “Da Educação Superior”. Sobre esse capítulo, assinale a alternativa que apresenta as informações corretas:
“[…] É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são a sub-humanidade. Não são só os caiçaras, quilombolas e povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo que não interessa […]”. (KRENAK, A. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020, p. 6).
Com relação à diversidade étnico-racial existente no Brasil, qual das seguintes afirmações corrobora a ideia trazida pelo autor?
Sobre a presença e participação dos indígenas no processo de formação do Brasil, analise as seguintes afirmativas:
I – As práticas e as representações que caracterizam a sociedade brasileira não podem ser compreendidas se não forem levadas em consideração as populações aqui estabelecidas, com suas formas de organização sociocultural e com a sua interveniência e controle sobre os recursos ambientais existentes.
II – A história brasileira muitas vezes é retratada de forma fragmentada, sendo o trabalho indígena considerado irrelevante e até mesmo silenciado na construção da nação brasileira, estando reduzido à civilização imposta pela pedagogia moral e religiosa.
III – A vasta miscigenação racial da qual a população brasileira é originária retrata por si só a importância do índio na constituição da sociedade brasileira, uma vez que na sociedade contemporânea todas as pessoas são valorizadas da mesma forma, independentemente de sua raça ou origem.
IV – Ao longo da história brasileira, prevaleceram políticas associadas à aculturação espontânea do índio, que deveria ser educado para sua progressiva integração na sociedade; isto é, o respeito às suas práticas e tradições esteve por muito tempo paradoxalmente atrelado ao estímulo para a mudança e incorporação à produção econômica.
Estão corretas:
Sobre as ideologias da mestiçagem presentes na história brasileira, analise as afirmativas a seguir:
I – A partir do final do século XIX, a sociedade brasileira foi influenciada pelo racismo científico, amplamente difundido. Sob sua influência afirmava-se que as diferenças biológicas explicariam a superioridade de determinadas populações em detrimento de outras. Nesse contexto, os negros e mestiços são apontados como física e mentalmente inferiores aos europeus, além de mais propensos ao crime.
II – O Brasil, assim como outros países, adotou uma política de segregação institucional após a abolição, impondo leis distintas para brancos e negros, como fica evidenciado na Primeira Constituição Republicana promulgada em 1891. Nesse contexto, adotou-se um sistema de classificação racial segundo a ancestralidade do indivíduo. Nele seriam consideradas brancas as pessoassem ascendência africana em determinado número de graus.
III – As teorias poligenistas da humanidade afirmavam ser maléfico o cruzamento inter-racial, que levaria a perda do caráter superior existente na raça branca. Entretanto, como o processo de miscigenação já estava avançado no Brasil no fim do século XIX, adota-se como política a atribuição de um sentido positivo para a miscigenação, partindo-se da ideia de que, quanto mais miscigenada, mais branca a sociedade brasileira se tornaria.
IV – Após a abolição, projetou-se no Brasil uma falsa imagem de democracia racial, sendo um dos recursos utilizados para tanto a reconstrução da história pregressa de forma positiva, omitindo a violência e o arbítrio da história brasileira e divulgando uma imagem de senhores de escravos severos e paternais, assim como de escravos submissos e gentis.
V – A entrada de imigrantes europeus no Brasil no final do século XIX foi incentivada enquanto política nacional de modo muito enfático, claramente aludindo à intenção de branqueamento da população brasileira, o que por sua vez constituiria uma miscigenação positiva.
São ideologias de mestiçagem presentes na história brasileira:
I – igualdade de condições apenas para o acesso à escola;
II – direito de ser respeitado por seus educadores;
III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;
IV – direito de organização e participação em entidades estudantis;
V – acesso à escola pública e gratuita, próxima de sua residência, sem garantia de vagas no mesmo estabelecimento que os irmãos frequentam a mesma etapa ou ciclo de ensino da educação básica.
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, são verdadeiros os pressupostos:
I – Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino.
II – O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e europeia.
III – Conteúdos relativos aos direitos humanos e à prevenção de todas as formas de violência contra a criança, o adolescente e a mulher serão incluídos, bem como temas transversais nos currículos de que trata o artigo.
IV – Piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal.
V – Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.
Assinale a alternativa que contemple as afirmações corretas sobre os princípios do ensino.
Quanto mais analisamos as relações educador-educandos, na escola, em qualquer de seus níveis (ou fora dela), parece que mais nos podemos convencer de que estas relações apresentam um caráter especial e marcante — o de serem relações fundamentalmente narradoras, dissertadoras. Narração de conteúdos que, por isto mesmo, tendem a petrificar-se ou a fazer-se algo quase morto, sejam valores ou dimensões concretas da realidade. Narração ou dissertação que implica um sujeito o narrador — e objetos pacientes, ouvintes — os educandos. (...) A narração, de que o educador é o sujeito, conduz os educandos à memorização mecânica do conteúdo narrado. Mais ainda, a narração os transforma em “vasilhas”, em recipientes a serem “enchidos” pelo educador. Quanto mais vá “enchendo” os recipientes com seus “depósitos”, tanto melhor educador será. Quanto mais se deixem docilmente “encher”, tanto melhores educandos serão. Desta maneira, a educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador o depositante. (FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2011, p. 57-58).
Sobre o conceito de educação libertadora, leia as afirmações a seguir:
I – A educação bancária serve à dominação; a educação libertadora é problematizadora, que serve à libertação.
II – A educação libertadora emite comunicados e permite aos educandos que possam apreender e entender os sentidos dos comunicados.
III – A educação libertadora transmite conteúdos a partir da experiência histórico-social dos educadores, que selecionam, a partir de um currículo elaborado, o conjunto de conhecimentos para a formação de jovens e adultos.
IV – Na concepção libertadora há a superação da contradição educador-educando, tornando-se um educador-educando e um educando-educador.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente o conceito de educação libertadora.
Sobre a teoria da ação dialógica, assinale VERDADEIRO (V) ou FALSO (F):
[ ] O diálogo não precisa, necessariamente, de fé e confiança nos homens, apenas de ouvir e falar no momento adequado.
[ ] O diálogo não pode ser pretexto para manipulação ou silenciamentos. Ele precisa ser democrático.
[ ] O diálogo se impõe como caminho pelo qual os homens ganham significação enquanto homens, enquanto humanidade.
[ ] O diálogo é o encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu, educador-educando.
A sequência correta, de cima para baixo, é
“A noção de capital cultural impôs-se, primeiramente, como uma hipótese indispensável para dar conta da desigualdade de desempenho escolar de crianças provenientes das diferentes classes sociais, relacionando o “sucesso escolar”, ou seja, os benefícios específicos que as crianças das diferentes classes e frações de classe podem obter no mercado escolar, à distribuição do capital cultural entre as classes e frações de classe. Este ponto de partida implica em uma ruptura com os pressupostos inerentes, tanto à visão comum que considera o sucesso ou fracasso escolar como efeito das “aptidões” naturais, quanto às teorias do “capital humano”. (NOGUEIRA, M. A.; CATANI, A. M., (Org.). Pierre Bourdieu: escritos de educação. Petrópolis: Vozes, 1998, p. 71).
Sobre os três estados do capital cultural definidos por Bourdieu, assinale a alternativa correta:
“– Então, disse, gerar justiça também é dispor os elementos da alma de modo que, de acordo com a natureza, entre eles haja uma relação de domínio e sujeição, mas gerar injustiça é ir contra a natureza tanto quando um governa o outro como também quando um é governado pelo outro?
– Certamente, disse.
– Ah! A virtude, pelo que se vê, seria como que saúde, beleza e boa disposição da alma, mas o vício, doença, feiura e fraqueza.
– É isso.”
(PLATÃO. A República: ou Sobre a Justiça, Diálogo Político. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2014, p. 172).
Tendo como referência este trecho do Livro IV, da obra A República, de Platão, marque a alternativa que apresenta corretamente a concepção de alma defendida pelo filósofo grego.
Este princípio será o Imperativo Categórico.
O imperativo pede para que nos comportemos segundo máximas que possam ser universalizadas sem contradição. Ou seja, é preciso se perguntar o que decorreria se a máxima segundo a qual pretendemos agir fosse universalizada por uma lei imposta a todos os demais agentes. Donde, furar a fila é imoral, porque se tal atitude fosse universalizada por uma lei, a própria noção de fila deixaria de existir. Logo, o desejo de furar a fila implica num desejo contraditório: deseja-se a existência da fila e, ao mesmo tempo, pretende-se que ela seja uma exceção apenas para si. Por isso, é imoral.
E o que dizer da falta de disposição para desenvolver os próprios talentos que seriam úteis para a sociedade? Segundo Kant e seu imperativo categórico, essa atitude é moral ou imoral?
Preconceito e resistência parecem ser mais a regra do que a exceção no desenvolvimento científico avançado. [...] Embora o preconceito e resistência às inovações possam muito facilmente pôr um freio ao progresso científico, a sua onipresença é, porém, sintomática como característica requerida para que a investigação tenha continuidade e vitalidade. Características desse tipo, tomadas coletivamente, eu classifico como dogmatismo das ciências maduras. [...] A educação científica “semeia” o que a comunidade científica, com dificuldade, alcançou até aí - uma adesão profunda a uma maneira particular de ver o mundo e praticar a ciência. (KUHN, Thomas S. A função do dogma na investigação científica. Curitiba: UFPR / SCHLA, 2012, p. 20-21).
Considere as seguintes assertivas:
I – Há aqui uma contradição no pensamento do autor porque não se compreende como o autor de A estrutura das revoluções científicas defenda a importância do dogma para a ciência e que os cientistas sejam em sua prática conservadores e não, revolucionários.
II – O posicionamento de Kuhn é coerente com sua concepção de paradigma científico. Com efeito, para Kuhn, na base da prática científica está a adesão a um paradigma que, partilhado pela comunidade científica, define os limites da ciência normal de uma dada época.
III – Aqui está um dos pontos centrais da divergência entre Kuhn e Popper. Para Popper, não haveria dogma científico acima ou imune ao princípio da falseabilidade. A ideia de uma crença que devesse ser protegida e não falseada lhe pareceria também não-científica.
IV – Neste ponto, é possível aproximar o posicionamento de Kuhn e de Imre Lakatos. Porque este último compreende que todo programa de pesquisa parte de um “núcleo irredutível” de hipóteses que não serão postas em discussão (que, de princípio, não se tentará falsear).
Assinale a alternativa que contém apenas as assertivas corretas:
Como Popper redefine a ciência a partir dessa constatação?
“Donde um correto conhecimento de que a morte nada é para nós faz da vida mortal algo apreciável, não por adicionar tempo infinito, e sim por suprimir o anseio de imortalidade”. (EPICURO. Cartas & Máximas principais: “Como um deus entre os homens”. São Paulo: Penguim, Companhia das Letras, 2020, p. 62).
Por que, para Epicuro, o mal residiria nas sensações?