Questões de Concurso Público IF-PA 2022 para Professor EBTT - Língua Portuguesa

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Q3998279 Português

Leia o poema “Igreja”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.



Tijolo

areia

andaime

água

tijolo.

O canto dos homens trabalhando trabalhando

mais perto do céu

cada vez mais perto

mais

— a torre.


E nos domingos a litania dos perdões, o murmúrio das invocações.

O padre que fala do inferno

sem nunca ter ido lá.

Pernas de seda ajoelham mostrando geolhos.

Um sino canta a saudade de qualquer coisa sabida e já esquecida.

A manhã pintou-se de azul.

No adro ficou o ateu,

no alto fica Deus.

Domingo...

Bem bão! Bem bão!

Os serafins, no meio, entoam quii ieleisão.



Após ler o poema modernista de Carlos Drummond de Andrade, observe que o poeta empregou um arcaísmo – “geolhos” – no quarto verso da segunda estrofe, o qual resultaria hoje na palavra joelhos. Identifique o processo de mudança ocorrida nesse vocábulo, marcando a opção que considera correta:

Alternativas
Q3998281 Português
Jogos Infantis (1986) é uma coletânea de contos de Haroldo Maranhão que não contêm nada de infantil, ao contrário, muitas das narrativas que compõem a obra são picantes, nas quais se mostra a sexualidade humana de modo bastante peculiar.

O professor Paulo Maués Corrêa (2011, p. 1, 2) fez um estudo do conto “Cachorro Doido” (junto a outro), destacando que esses contos constituem histórias que retratam “a iniciação sexual (...). Porém ‘Cachorro Doido’ é o único texto em que há a deflagração de um relacionamento entre personagens do mesmo sexo, vivenciado por Carlão e Luizinho. Este, novo no colégio, é questionado por aquele, que, alegando a suspeita que recairia sobre o nome do outro – Luizinho –, afirma-lhe que é melhor arranjar-lhe um apelido que afaste qualquer dúvida quanto à sua ‘personalidade’, pois mesmo o seu nome sem o diminutivo não é adequado, muito menos o aumentativo: ‘Não. Luizão não combina com o teu corpo, que é magro pra caralho’ (...). A primeira possibilidade que surge é Acapu, opção logo abandonada em favor de Cachorro Doido (1986, p. 17)”.

O trecho seguinte apresenta a parte inicial da narrativa, em que Luizinho – personagem que se mostra efeminado –, após conhecer Carlão, fica perturbado e, ao mesmo tempo, atraído pela personalidade forte e decidida do novo amigo:

“(...) A campainha interrompeu aquele encontro de reconhecimento, mas Luizinho não se concentrava na aula, estava ali mas não estava, ficou o tempo todo espiando o Carlão sentado mais à frente, o cabelo arrepiado, parece que não usava pente, a camisa desmazelada por fora da calça, o sapato sujo de lama e a cara de homem acostumado, no corpo de menino. Quando se despediram, convidou: – Carlão, tu vai lá em casa, a gente estuda junto. A casa é grande, não tem barulho, ninguém incomoda. O endereço está aqui. Tu vai? Hoje? A que horas? Se tu puder tu vai logo depois do almoço. (MARANHÃO, 1986, p. 17)”.


Se formos fazer uma leitura atenta do fragmento do conto de Haroldo Maranhão acima, juntamente com as informações de Paulo Maués Corrêa (2011, p. 1, 2), poderemos considerar como correta a afirmativa: 
Alternativas
Q3998282 Português

Leia o poema “Pai João”, de Bruno de Menezes (1993, p. 223, 224), para fazer a questão que se segue.



Pai João sonolento e bambo na pachorra da idade

cisma no tempo de ontem.

De olhos vendo o passado recorda o veterano

a vida brasileira que êle viu e gosou e viveu!


Mãe Maria contou que o pai dele era escravo...


Moleque sagica e teso, destro e afoito num rôlo,

Pai João teve fama da capoeira e navalhista.


Êita!... Era o pé comendo,

quando a banda marcial saía à rua,

com tanto soldado de calça encarnada.


E rabo-de-arraia, cabeçada na polícia,

xadrez, desordens, furdunço no cortiço

e o ronco e o retumbo do zonzo som molengo do carimbó:


“Juvená

Juvená!


Arrebate

esta faca

Juvená!


Arrebate

esta faca

Juvená!”


De amores... uma anagua de renda engomada,

um cabeção pulando nos bicos duns peitos,

umas sandalias brancas bem na pontinha dum pé.


E o rebolo bolinante dos quartos roliços da Chica Cheirosa...

E a guerra do Paraguai! Recrutamento!

Gurjão! Osório! Duque de Caxias!

Itororó! Tuiutí! Laguna!


E não sabia nem o que era monarquia!


... Agora, sonolento e bambo,

tendo em capuchos a trunfa,

Pai João ao recordar a vida brasileira,

que êle viu e gosou e viveu,

diz do Brasil de ontem:


Ah! Meu tempo!...



O texto de Bruno de Menezes faz alguns recortes da vida de Pai João, que também é título do poema pertencente à obra Batuque, publicada a primeira vez em 1931 e cuja grafia está de acordo com a edição de 1993, conforme o original. Observe o verso 21: “E não sabia nem o que era monarquia!”, o qual marca uma mudança no tom ameno do poema. Levandose em conta a importância desse verso, o que se pode afirmar acerca do poema como um todo é que: 

Alternativas
Q3998285 Português
A obra de Carolina de Jesus, Quarto de Despejo: diário de uma favelada, é riquíssima em diversos aspectos, inclusive sociológicos, por registrar realisticamente as mazelas que havia em um ambiente violento e abandonado pelas políticas sociais. Esse livro, assim como outros da escritora, que poderia ser classificado como romance-diário ou autobiográfico, foi escrito na década de 1950, tendo sua primeira publicação em 1960, sem uma revisão gramatical completa, saindo ao público mais ou menos como ela apresentou nos seus originais. A autora havia estudado apenas as séries iniciais do antigo primário, portanto, a narrativa apresenta elementos marcados por forte oralidade, tanto que muitos pensaram que se tratava de golpe publicitário. Porém, o escritor Manuel Bandeira declarou que “(...) ninguém poderia inventar aquela linguagem, aquele dizer as coisas com extraordinária força criativa mas típico de quem ficou a meio do caminho da instrução primária” (JESUS, 2014, p. 9). 
Abaixo há três fragmentos retirados da obra de Carolina de Jesus nos quais ela narra sua história, apresentando alguns problemas quanto à norma culta, e que muitos deles se aproximam do linguajar oral. Identifique a opção que expressa esses trechos, mas de acordo com o que seria exigido pela norma padrão da língua portuguesa.
“Avisei as crianças que não tinha pão. Que tomassem café simples e comesse carne com farinha. (...) e os 13 cruzeiros não dava!” (JESUS, 2014, p. 10).
“Quando iniciei outro surgiu os filhos pedindo pão” (JESUS, 2014, p. 11).
“E lhe chinguei interiormente. Se estou gravida não é de sua conta. Tenho pavor destas mulheres da favela. Tudo quer saber!” (JESUS, 2014, p. 12).
Alternativas
Q3998286 Português
Leia um trecho de um poema do poeta João de Jesus Paes Loureiro (2002, p. 9, 10) para marcar a opção correta em relação a ele.


(Fragmento)


Plantador de cana verde

das terras de Abaetetuba,

por que só tu quem trabalha,

por que teu filho não estuda?

Plantador de cana verde

das terras de Abaetetuba?


Teus braços plantam doçuras

colhem braçadas de dor.

O sol que te cresta a pele

doura a praia do Senhor.

Teus braços plantam doçuras

colhem braçadas de dor.


Tuas mãos acendem esperanças

de um certo verde esplendor.

E um verde mar que propagas,

um doce mar, Plantador.

Tuas mãos acendem doçuras

de um certo verde esplendor.


Não vês, porém que esta cana

é cano cruel que aponta

o lucro de teu patrão

para teu lar que não janta?

Não vês, porém que esta cana

é cano cruel que aponta?

(...)

Alternativas
Q3998287 Português

A letra da canção “Domingo no parque” (GIL, 1982, p. 26, 27), um frevo, fala de um triângulo amoroso envolvendo dois amigos e uma moça chamada Juliana. Leia-a atentamente para, depois, escolher apenas uma opção correta que se refira a ela. 


O rei da brincadeira – ê, José

O rei da confusão – ê, João

Um trabalhava na feira – ê, José

Outro na construção – ê, João


A semana passada, no fim da semana,

João resolveu não brigar.

No domingo de tarde saiu apressado

E não foi pra Ribeira jogar

Capoeira.

Não foi pra lá, pra Ribeira,

Foi namorar.

O José, como sempre, no fim da semana

Guardou a barraca e sumiu.

Foi fazer, no domingo, um passeio no parque,

Lá perto da Boca do Rio.

Foi no parque que ele avistou Juliana,

Foi que ele viu Foi que ele viu Juliana na roda com João,

Uma rosa e um sorvete na mão.

Juliana, seu sonho, uma ilusão,

Juliana e o amigo João.


O espinho da rosa feriu Zé

E o sorvete gelou seu coração.

O sorvete e a rosa – ê José

A rosa e o sorvete – ê José

Oi dançando no peito – ê José

Do José brincalhão – ê, José

O sorvete e a rosa – ê José

A rosa e o sorvete – ê José

Oi girando na mente – ê José

Do José brincalhão – ê José


Juliana girando – oi girando

Oi na roda gigante – oi girando

Oi na roda gigante – oi girando

O amigo João – oi João

O sorvete é morango – é vermelho

Oi girando e a rosa – é vermelha

Oi girando, girando – é vermelha

Oi girando, girando – olha a faca

Olha o sangue na mão – ê José

Juliana no chão – ê José

Outro corpo caído – ê José

Seu amigo João – ê José

Amanhã não tem feira – ê José

Não tem mais construção – ê, João

Não tem mais brincadeira – ê José

Não tem mais confusão – ê, João



Alternativas
Respostas
7: D
8: A
9: E
10: C
11: B
12: D