Questões de Concurso Público IF-PA 2022 para Professor EBTT - Língua Portuguesa
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Arquitetura
Não quero construir nada.
Talvez uma letra de música
da mais vagabunda
para tocar na estrada.
Chegar no meio da vida
sem olhar para trás.
Não quero construir nada
que não, de mim, uma versão
cada dia renovada.
Moro num bairro que não me diz nada.
Para meus vizinhos
eu sou o vizinho que ainda liga o rádio.
Flores que não plantei
enfeiam a frente da casa alugada.
Julguei fizera tudo errado.
Chuva morte erva daninha:
se refaço a matemática,
é tudo dádiva.
Uma perversão, edificar a coisa edificada.
Eu não quero construir nada.
Só transformar em ruínas, todo dia, o que em mim se faz
parede erguida, nova morada.
(CARRIAS, Eleazar Venancio. Máquina. Urutau, 2021)
Assinale o excerto no qual a palavra destacada não é um pronome:
Arquitetura
Não quero construir nada.
Talvez uma letra de música
da mais vagabunda
para tocar na estrada.
Chegar no meio da vida
sem olhar para trás.
Não quero construir nada
que não, de mim, uma versão
cada dia renovada.
Moro num bairro que não me diz nada.
Para meus vizinhos
eu sou o vizinho que ainda liga o rádio.
Flores que não plantei
enfeiam a frente da casa alugada.
Julguei fizera tudo errado.
Chuva morte erva daninha:
se refaço a matemática,
é tudo dádiva.
Uma perversão, edificar a coisa edificada.
Eu não quero construir nada.
Só transformar em ruínas, todo dia, o que em mim se faz
parede erguida, nova morada.
(CARRIAS, Eleazar Venancio. Máquina. Urutau, 2021)
Depreende-se do texto que:
O Poema
I.
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
- Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Tomando por princípio a leitura do recorte de “O Poema”, é possível dizer que:
"Quando abri os olhos, vi o vulto de uma mulher e o de uma criança. As duas figuras estavam inertes diante de mim, e a claridade indecisa da manhã nublada devolvia os dois corpos ao sono e ao cansaço de uma noite maldormida. Sem perceber, tinha me afastado do lugar escolhido para dormir e ingressado numa espécie de gruta vegetal, entre o globo de luz e o caramanchão que dá acesso aos fundos da casa. Deitada na grama, com o corpo encolhido por causa do sereno, sentia na pele a roupa úmida e tinha as mãos repousadas nas páginas também úmidas de um caderno aberto, onde rabiscara, meio sonolenta, algumas impressões do voo noturno". HATOUM, 2008, p. 7
De acordo com a leitura do trecho em destaque e sobre a instância fictícia do narrador no romance, é possível dizer que:
"Era para ser um dia normal, de aula. Mas Janalice percebeu algo diferente ao entrar. Não
que sua passagem no pátio do colégio não provocasse, sempre, algum frisson por conta da
altura de sua saia. Mas era mais do que isso. Dentro da sala, cochichos e risos. Então, a
professora se irrita e alguém se levanta. Entrega um celular. A professora põe a mão na
boca. Sai. O que é que tem no celular? Janalice assiste a uma demorada cena de felação
que ela protagoniza, junto a seu namorado, Fenque, com direito a closes de sua genitália,
a pedido dele. Chocada, não sabe o que dizer. A professora retorna. A diretora vem junto.
Pede que ela saia. Que volte para casa. Que somente retorne com os pais. E, atravessando
o pátio, agora ouve claramente o deboche de todos.
Janalice tem catorze anos. Em casa, a mãe chora. Grita. Estapeia. Rasga suas roupas.
Entra o pai, com a farda de cobrador de ônibus. Tira o cinto. Espanca. Expulsa de casa. Ela
sai chorando pela rua. Em uma esquina, Fenque está com os amigos. Ela chega e pede
ajuda. Ele a trata mal. Ri de sua cara. Os amigos também. Ela cobra. Ele dá um tapa. Sai
fora."
Augusto, 2015, p. 7
Edyr Augusto, além de autor de romances, é jornalista, radialista e autor de textos teatrais.
Ao falar da própria escrita, ele diz “eu escrevo como quem dá socos na boca do estômago
do leitor repetidas vezes, para que ele não consiga respirar e continue lendo. É como se eu
não quisesse que ele largasse o livro. Às vezes, tá lendo, 'amanhã eu continuo', não! Siga
e vá até o final. Essa é a ideia.” (https://www.youtube.com/watch?v=_F0209fplMk. Acesso
em 22 mar. 2022, às 20h).
Relacionando a fala do escritor sobre a sua produção literária e os procedimentos narrativos
adotados no trecho em destaque, é possível dizer que:
A seguir, um fragmento do mais recente livro de Djamila Ribeiro, “Cartas para minha avó”, publicado em 2021.
"Somos de tempos diferentes, vó, e para mim não é aceitável que se bata em crianças – mas eu compreendo vocês duas. Talvez a minha mãe nunca tivesse sido amada sem sentir dor. Sabe, Toni Morrison diz que o “o amor nunca é melhor do que o amante, que quem é mau ama com maldade e quem é violento ama com violência”. Com isso não quero dizer que vocês eram más e violentas, mas que o sistema que as violentou confinou vocês numa situação em que a violência era a única saída. E, mesmo assim, apesar de toda maldade que lhes foi infligida, vocês amaram. Houve a transcendência pelo amor. Vó, você me amou incondicionalmente. Minha mãe, apesar das cicatrizes e traumas, me aninhava nas minhas noites de insônia, esquentava leite com mel nos meus dias de dor, me arrumava como se eu fosse a menina mais bonita do mundo. E se hoje minha filha não sabe o que é uma surra, é porque nossa linhagem ancestral sobreviveu ao que nos foi imposto". RIBEIRO, 2021, p. 40
Inserida no gênero Cartas, a obra não apresenta uma história única, mas várias. São relatos de episódios vividos por uma neta, carregados de uma profunda reflexão que atravessa temas como racismo, violência, maternidade, desigualdade entre gêneros etc. Sobre essa escrita, podemos comentar:
"Quem me diz que esse personagem não seja o Brasil?
A pergunta acima é de um contemporâneo de Machado de Assis, e refere-se a Pedro Rubião de Alvarenga, a figura central de Quincas Borba. De fato, Rubião é ingênuo (mas não puro) no trato do dinheiro, da filosofia, do amor, da política, e um delírio de grandeza afinal lhe tira o juízo, o que pode ser visto como uma alegoria do Brasil, embora a alegoria não seja evidente. Outros autores, pelo contrário, criticaram em Machado a falta de intenção e do colorido nacional: seria um literato estrangeirado, sem interesse pelos problemas pátrios. Esta divergência veio até os nossos dias. Ainda recentemente ela causava polêmica na Câmara dos Deputados, em que se escolhia o patrono das letras brasileiras. José de Alencar, o festejado criador de vários romances indianistas, não seria mais nacional do que Machado de Assis? A opinião da crítica mais refinada (que a outros, no entanto, parece apenas mais elitista, além de também ela pouco nacional) vai em direção oposta: o romancista de Quincas Borba seria o mais profundamente brasileiro de nossos escritores". SCHWARZ, 2002, p. 165
Em outras palavras, é possível dizer que:
Relacionando a formulação de Ingedore Koch sobre “competência metagenérica” e propostas de atividades envolvendo leitura e produção de gêneros midiáticos, como blog, vlog, chats, memes, podemos colocar que:
Leia o texto abaixo:
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio) abriu ontem a coletiva “Terra em Tempos: Fotografias do Brasil”, com 270 fotografias de 120 artistas, incluindo os paraenses Rosário Lima, Guy Veloso, Luiz Braga, Paulo Amorim, Paula Sampaio e Elza Lima, além do português Felipe Fidanza, que atuou como fotógrafo em Belém no século 19. A curadoria de Beatriz Lemos estabelece sete eixos temáticos que discutem as construções de identidade, cultura e história do Brasil, a partir do acervo da instituição. (...) Segundo Beatriz Lemos, uma mostra como “Terra em Tempos”, que se propõe a discutir identidade nacional a partir da fotografia, não poderia deixar de fora imagens de fotógrafos paraenses pertencentes ao acervo do MAM-Rio. “Reunir fotógrafos com diversas perspectivas e territorialidades nos ajudou a compor um cenário de tensões, contrariedades e aproximações inesperadas. Nesse sentido, trazer fotógrafas e fotógrafos paraenses - Estado onde a fotografia exerce uma forte influência em todo o país -, era fundamental para levantar reflexões sobre cultura, história e memória”, destaca. (...) (Fonte: AZEVEDO, Lais. Museu de Arte Moderna do Rio inclui obras de paraenses. 27/03/2022. Disponível em: https://dol.com.br/entretenimento/cultura/704738/museu-de-arte-moderna-do-rio-incluiobras-de-paraenses?d=1. Acesso em 29 mar. 2022).
Após ler o excerto, marque a alternativa em que se apresenta corretamente o recurso expressivo da língua, a descrição do recurso e o efeito de sentido construído com o uso desse recurso no texto:
Assinale a alternativa que apresenta o estabelecimento da coesão textual por meio de próformas nominais:
Para Marcuschi (2012), os fatores de conexão conceitual-cognitiva dos textos podem ser de relações lógicas e de modelos cognitivos globais. Para o autor, as relações lógicas são construídas por meio de:
A Base Nacional Comum Curricular de Língua Portuguesa para o Ensino Médio (BRASIL, 2018) define a progressão das aprendizagens e habilidades considerando alguns pontos. O ponto da BNCC que mais se aproxima à temática discutida na citação acima é:
Sobre os gêneros midiáticos, é correto afirmar que:
“Ora, a língua passa a integrar a vida através de enunciados concretos (que a realizam); é igualmente através de enunciados concretos que a vida entra na língua. O enunciado é um núcleo problemático de importância excepcional”. (BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In: BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Tradução de Paulo Bezerra. 6. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011, p. 265.)
Dentre as alternativas abaixo, uma apresenta corretamente o conceito de enunciado, de acordo com a perspectiva bakhtiniana (BAKHTIN, 2011):