Caso clínico para responder à questão.
Paciente feminina, 23 anos, havia ido ao cinema para a
estreia de um filme muito esperado. Enquanto esperava o
filme começar, um jovem usando uma máscara do
personagem principal do filme subitamente apareceu na
frente da tela empunhando duas armas de fogo automática e
atirou na plateia. Ela viu várias pessoas levarem tiros,
incluindo sua amiga a seu lado. Ela conseguiu escapar sem
ferimentos. Nos dias que se seguiram, apesar de estar grata
por estar viva, sentia-se ansiosa e agitada. Assustava-se com
barulho usuais, buscava informações o dia todo sobre o
tiroteio mas cada vez que assistia imagens do ocorrido
parecia ter sintomas de "pânico": começava a suar, não
conseguia se acalmar e não parava de pensar sobre O
ocorrido. Ela não conseguia dormir à noite por causa de
pesadelos e, durante o dia, se via tomada por memórias
indesejadas de tiros, gritos e do seu próprio medo de morrer
naquele dia no cinema. Duas semanas depois, a paciente
havia retomado sua rotina, resgatou relação com os amigos e
familiares e conseguia frequentar ambientes públicos.
Embora lembranças traumáticas do tiroteio às vezes a
levassem a uma reação breve de pânico, elas não se sentia
aprisionada pelos pensamentos. Não tinha mais pesadelos.
Sabia que jamais esqueceria o que acontecera no cinema,
mas, no geral, sua vida estava voltando ao normal e retomava
o curso que estava seguindo antes da ocorrência do tiroteio.