Paciente feminina, 15 anos, compareceu para atendimento
acompanhada de sua mãe com queixa de timidez excessiva.
Mostrou-se bastante reservada durante o atendimento e
afirmou que se sentia constantemente tensa. De modo geral,
não conseguia falar em nenhuma situação fora de casa ou
durante as aulas. Recusava-se a sair de casa por receio de ter
que a interagir com pessoas alheias a seu convívio familiar.
Teve uma infância marcada por violência na escola. Estudou
em uma mesma escola desde a educação infantil e fora alvo
de constrangimentos e ofensas por um grupo de colegas por
vários anos. Diariamente, esses colegas voltavam-se para ela
chamando-a de "idiota", "feia" e "louca". Não conseguia
identificar recursos para se proteger. Em uma ocasião
mencionou para a mãe "casualmente" que gostaria de trocar
de escola, mas o comentário foi tão discreto que sua mãe não
valorizou o pedido. A paciente sofria em silêncio, chorando
até dormir na maioria das noites. Ao final do ensino
fundamental, a adolescente foi transferida para uma nova
escola. Embora o bullying tivesse parado, os eventos de
violência persistiam bastante vívidos em sua memória. No
momento da consulta a adolescente comentou em reservado
que contemplava o suicídio "o tempo todo" há pelo menos
dois anos.