Questões de Concurso Público Prefeitura de Bonito de Santa Fé - PB 2025 para Enfermeiro

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Q4253840 Português

Sociedade do espetáculo


Maria Rita Kehl


    Este texto toma emprestado o título de um dos livros mais conhecidos do filósofo e teórico marxista francês Guy Debord (1931–1994). Passados mais de 30 anos de sua morte, o tema mostra-se cada vez mais atual. Para o autor, a sociedade capitalista, em seu estágio avançado, transformou as relações sociais em um grande espetáculo, no qual imagens e aparências se sobrepõem à vida real e às experiências autênticas. Nesse contexto, os sujeitos buscam sempre apresentar-se em sua melhor performance: felizes, endinheirados, desfrutando de viagens interessantes, festas incríveis etc.


    Os “15 minutos de fama” que todos deveriam experimentar uma vez na vida, na visão idílica de Andy Warhol, tornaram-se insuficientes para quem vive neste mundo hiperconectado do século XXI. É preciso exibir-se constantemente, sempre na melhor pose possível. Não basta estar, eventualmente, feliz e desfrutando férias, jantando em um bistrô em Paris ou viajando em um cruzeiro de luxo. É necessário que muita gente saiba disso – e, de preferência, inveje tal privilégio. O espetáculo, escreve Debord, é uma relação social mediada por imagens que, por sua circulação, acabam por “dominar a vida”. A qualidade da inserção social do sujeito passa a ser medida pelas imagens que ele consegue produzir e divulgar.



    Hoje, para o viajante, talvez importe menos o prazer de conhecer lugares novos do que o gostinho de provocar inveja nos amigos. Daí a sanha de registrar, em fotografias e vídeos, momentos supostamente maravilhosos e divulgá-los rapidamente nas redes sociais, ou enviá-los para incontáveis grupos de WhatsApp. Debord não poderia prever o que viria a ser o poder dos telefones celulares nas novas configurações da sociedade do espetáculo. Com um singelo aparelho de comunicação em mãos, as pessoas criam autoficções que lhes conferem prestígio diante dos outros.



    Podemos supor, além disso, uma relação entre a predominância da imagem sobre o pensamento e o declínio das narrativas – tão caras ao meu filósofo favorito, Walter Benjamin. Quem ainda quer ouvir relatos interessantes, se estes podem ser substituídos por fotos e vídeos? Penso que o interesse genuíno em adquirir novos conhecimentos ao viajar, ou mesmo em ampliar a compreensão do mundo em que vivemos, tem sido facilmente substituído pelos efeitos fetichistas de divulgar, o máximo possível, imagens de lugares paradisíacos, restaurantes caríssimos, festas de arromba.



    Outro aspecto que Debord não teria como prever é que essa hiperexposição de cenas banais do cotidiano se transformaria em um grande negócio, à medida que as plataformas digitais passaram a monetizar as publicações dos usuários com maior alcance. Hoje, grande parte dos jovens nutre a ilusão de alcançar fama e fortuna por meio desse espetáculo. E não tardaram a surgir empresários inescrupulosos, dispostos a explorar a imagem de crianças e adolescentes nas redes sociais. Como denunciou recentemente o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, há de tudo um pouco nesse terreno pantanoso: de programas de entrevistas conduzidos por versões mirins de coaches de empreendedorismo a reality shows protagonizados por menores, nos quais eles participam de festas com bebidas alcoólicas, usam roupas provocativas e executam danças sensuais – um prato cheio para os pedófilos e predadores sexuais.



    Nesse cenário, alguns pais talvez não se deem conta de que, ao buscar seus 15 minutos de fama e alguns likes, acabam expondo seus bebês fofinhos a adultos perversos que habitam os ambientes digitais. Outros, como denunciou Felca, parecem não se importar em ganhar alguns trocados com a exposição dos próprios filhos – mesmo em contextos que violam a dignidade de crianças e adolescentes.



    Observem o paradoxo: justamente ali, nas situações em que a vida parece, aos olhos dos outros, mais vibrante e interessante, é onde ela acaba por ser mais aviltada. Sim, aviltada. Pois é quando o contato com o mundo deixa de ser uma fonte de experiência e passa a ser apenas uma oportunidade de exibicionismo. Perde-se, na acepção de Walter Benjamin, um elemento precioso em nossa tarefa de criar sentidos para a vida. Perde-se a capacidade de transformar o fato em narrativa e a vivência em experiência. O vazio que advém da sanha por vivências que não se convertem em experiência talvez ajude a explicar a violência que constantemente ameaça o laço social.



Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/. Acesso em; 02 set. 2025. (texto adaptado)  

Em relação à sociedade do espetáculo, é propósito principal do texto 
Alternativas
Q4253841 Português

Sociedade do espetáculo


Maria Rita Kehl


    Este texto toma emprestado o título de um dos livros mais conhecidos do filósofo e teórico marxista francês Guy Debord (1931–1994). Passados mais de 30 anos de sua morte, o tema mostra-se cada vez mais atual. Para o autor, a sociedade capitalista, em seu estágio avançado, transformou as relações sociais em um grande espetáculo, no qual imagens e aparências se sobrepõem à vida real e às experiências autênticas. Nesse contexto, os sujeitos buscam sempre apresentar-se em sua melhor performance: felizes, endinheirados, desfrutando de viagens interessantes, festas incríveis etc.


    Os “15 minutos de fama” que todos deveriam experimentar uma vez na vida, na visão idílica de Andy Warhol, tornaram-se insuficientes para quem vive neste mundo hiperconectado do século XXI. É preciso exibir-se constantemente, sempre na melhor pose possível. Não basta estar, eventualmente, feliz e desfrutando férias, jantando em um bistrô em Paris ou viajando em um cruzeiro de luxo. É necessário que muita gente saiba disso – e, de preferência, inveje tal privilégio. O espetáculo, escreve Debord, é uma relação social mediada por imagens que, por sua circulação, acabam por “dominar a vida”. A qualidade da inserção social do sujeito passa a ser medida pelas imagens que ele consegue produzir e divulgar.



    Hoje, para o viajante, talvez importe menos o prazer de conhecer lugares novos do que o gostinho de provocar inveja nos amigos. Daí a sanha de registrar, em fotografias e vídeos, momentos supostamente maravilhosos e divulgá-los rapidamente nas redes sociais, ou enviá-los para incontáveis grupos de WhatsApp. Debord não poderia prever o que viria a ser o poder dos telefones celulares nas novas configurações da sociedade do espetáculo. Com um singelo aparelho de comunicação em mãos, as pessoas criam autoficções que lhes conferem prestígio diante dos outros.



    Podemos supor, além disso, uma relação entre a predominância da imagem sobre o pensamento e o declínio das narrativas – tão caras ao meu filósofo favorito, Walter Benjamin. Quem ainda quer ouvir relatos interessantes, se estes podem ser substituídos por fotos e vídeos? Penso que o interesse genuíno em adquirir novos conhecimentos ao viajar, ou mesmo em ampliar a compreensão do mundo em que vivemos, tem sido facilmente substituído pelos efeitos fetichistas de divulgar, o máximo possível, imagens de lugares paradisíacos, restaurantes caríssimos, festas de arromba.



    Outro aspecto que Debord não teria como prever é que essa hiperexposição de cenas banais do cotidiano se transformaria em um grande negócio, à medida que as plataformas digitais passaram a monetizar as publicações dos usuários com maior alcance. Hoje, grande parte dos jovens nutre a ilusão de alcançar fama e fortuna por meio desse espetáculo. E não tardaram a surgir empresários inescrupulosos, dispostos a explorar a imagem de crianças e adolescentes nas redes sociais. Como denunciou recentemente o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, há de tudo um pouco nesse terreno pantanoso: de programas de entrevistas conduzidos por versões mirins de coaches de empreendedorismo a reality shows protagonizados por menores, nos quais eles participam de festas com bebidas alcoólicas, usam roupas provocativas e executam danças sensuais – um prato cheio para os pedófilos e predadores sexuais.



    Nesse cenário, alguns pais talvez não se deem conta de que, ao buscar seus 15 minutos de fama e alguns likes, acabam expondo seus bebês fofinhos a adultos perversos que habitam os ambientes digitais. Outros, como denunciou Felca, parecem não se importar em ganhar alguns trocados com a exposição dos próprios filhos – mesmo em contextos que violam a dignidade de crianças e adolescentes.



    Observem o paradoxo: justamente ali, nas situações em que a vida parece, aos olhos dos outros, mais vibrante e interessante, é onde ela acaba por ser mais aviltada. Sim, aviltada. Pois é quando o contato com o mundo deixa de ser uma fonte de experiência e passa a ser apenas uma oportunidade de exibicionismo. Perde-se, na acepção de Walter Benjamin, um elemento precioso em nossa tarefa de criar sentidos para a vida. Perde-se a capacidade de transformar o fato em narrativa e a vivência em experiência. O vazio que advém da sanha por vivências que não se convertem em experiência talvez ajude a explicar a violência que constantemente ameaça o laço social.



Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/. Acesso em; 02 set. 2025. (texto adaptado)  

Uma característica da sequência textual dominante no texto é 
Alternativas
Q4253842 Português

Sociedade do espetáculo


Maria Rita Kehl


    Este texto toma emprestado o título de um dos livros mais conhecidos do filósofo e teórico marxista francês Guy Debord (1931–1994). Passados mais de 30 anos de sua morte, o tema mostra-se cada vez mais atual. Para o autor, a sociedade capitalista, em seu estágio avançado, transformou as relações sociais em um grande espetáculo, no qual imagens e aparências se sobrepõem à vida real e às experiências autênticas. Nesse contexto, os sujeitos buscam sempre apresentar-se em sua melhor performance: felizes, endinheirados, desfrutando de viagens interessantes, festas incríveis etc.


    Os “15 minutos de fama” que todos deveriam experimentar uma vez na vida, na visão idílica de Andy Warhol, tornaram-se insuficientes para quem vive neste mundo hiperconectado do século XXI. É preciso exibir-se constantemente, sempre na melhor pose possível. Não basta estar, eventualmente, feliz e desfrutando férias, jantando em um bistrô em Paris ou viajando em um cruzeiro de luxo. É necessário que muita gente saiba disso – e, de preferência, inveje tal privilégio. O espetáculo, escreve Debord, é uma relação social mediada por imagens que, por sua circulação, acabam por “dominar a vida”. A qualidade da inserção social do sujeito passa a ser medida pelas imagens que ele consegue produzir e divulgar.



    Hoje, para o viajante, talvez importe menos o prazer de conhecer lugares novos do que o gostinho de provocar inveja nos amigos. Daí a sanha de registrar, em fotografias e vídeos, momentos supostamente maravilhosos e divulgá-los rapidamente nas redes sociais, ou enviá-los para incontáveis grupos de WhatsApp. Debord não poderia prever o que viria a ser o poder dos telefones celulares nas novas configurações da sociedade do espetáculo. Com um singelo aparelho de comunicação em mãos, as pessoas criam autoficções que lhes conferem prestígio diante dos outros.



    Podemos supor, além disso, uma relação entre a predominância da imagem sobre o pensamento e o declínio das narrativas – tão caras ao meu filósofo favorito, Walter Benjamin. Quem ainda quer ouvir relatos interessantes, se estes podem ser substituídos por fotos e vídeos? Penso que o interesse genuíno em adquirir novos conhecimentos ao viajar, ou mesmo em ampliar a compreensão do mundo em que vivemos, tem sido facilmente substituído pelos efeitos fetichistas de divulgar, o máximo possível, imagens de lugares paradisíacos, restaurantes caríssimos, festas de arromba.



    Outro aspecto que Debord não teria como prever é que essa hiperexposição de cenas banais do cotidiano se transformaria em um grande negócio, à medida que as plataformas digitais passaram a monetizar as publicações dos usuários com maior alcance. Hoje, grande parte dos jovens nutre a ilusão de alcançar fama e fortuna por meio desse espetáculo. E não tardaram a surgir empresários inescrupulosos, dispostos a explorar a imagem de crianças e adolescentes nas redes sociais. Como denunciou recentemente o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, há de tudo um pouco nesse terreno pantanoso: de programas de entrevistas conduzidos por versões mirins de coaches de empreendedorismo a reality shows protagonizados por menores, nos quais eles participam de festas com bebidas alcoólicas, usam roupas provocativas e executam danças sensuais – um prato cheio para os pedófilos e predadores sexuais.



    Nesse cenário, alguns pais talvez não se deem conta de que, ao buscar seus 15 minutos de fama e alguns likes, acabam expondo seus bebês fofinhos a adultos perversos que habitam os ambientes digitais. Outros, como denunciou Felca, parecem não se importar em ganhar alguns trocados com a exposição dos próprios filhos – mesmo em contextos que violam a dignidade de crianças e adolescentes.



    Observem o paradoxo: justamente ali, nas situações em que a vida parece, aos olhos dos outros, mais vibrante e interessante, é onde ela acaba por ser mais aviltada. Sim, aviltada. Pois é quando o contato com o mundo deixa de ser uma fonte de experiência e passa a ser apenas uma oportunidade de exibicionismo. Perde-se, na acepção de Walter Benjamin, um elemento precioso em nossa tarefa de criar sentidos para a vida. Perde-se a capacidade de transformar o fato em narrativa e a vivência em experiência. O vazio que advém da sanha por vivências que não se convertem em experiência talvez ajude a explicar a violência que constantemente ameaça o laço social.



Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/. Acesso em; 02 set. 2025. (texto adaptado)  

Um aspecto da coerência textual exigido para leitura do texto é 
Alternativas
Q4253843 Português
    Daí a sanha de registrar, em fotografias e vídeos, momentos supostamente maravilhosos e divulgá-los rapidamente nas redes sociais, ou enviá-los para incontáveis grupos de WhatsApp. Debord não poderia prever o que viria a ser o poder dos telefones celulares nas novas configurações da sociedade do espetáculo. Com um singelo aparelho de comunicação em mãos, as pessoas criam autoficções que lhes conferem prestígio diante dos outros.
Sobre os elementos em destaque, é correto afirmar:
Alternativas
Q4253844 Português
    Daí a sanha de registrar, em fotografias e vídeos, momentos supostamente maravilhosos e divulgá-los rapidamente nas redes sociais, ou enviá-los para incontáveis grupos de WhatsApp. Debord não poderia prever o que viria a ser o poder dos telefones celulares nas novas configurações da sociedade do espetáculo. Com um singelo aparelho de comunicação em mãos, as pessoas criam autoficções que lhes conferem prestígio diante dos outros.
Sobre a pontuação do trecho, é correto afirmar:
Alternativas
Q4253845 Português

Sociedade do espetáculo


Maria Rita Kehl


    Este texto toma emprestado o título de um dos livros mais conhecidos do filósofo e teórico marxista francês Guy Debord (1931–1994). Passados mais de 30 anos de sua morte, o tema mostra-se cada vez mais atual. Para o autor, a sociedade capitalista, em seu estágio avançado, transformou as relações sociais em um grande espetáculo, no qual imagens e aparências se sobrepõem à vida real e às experiências autênticas. Nesse contexto, os sujeitos buscam sempre apresentar-se em sua melhor performance: felizes, endinheirados, desfrutando de viagens interessantes, festas incríveis etc.


    Os “15 minutos de fama” que todos deveriam experimentar uma vez na vida, na visão idílica de Andy Warhol, tornaram-se insuficientes para quem vive neste mundo hiperconectado do século XXI. É preciso exibir-se constantemente, sempre na melhor pose possível. Não basta estar, eventualmente, feliz e desfrutando férias, jantando em um bistrô em Paris ou viajando em um cruzeiro de luxo. É necessário que muita gente saiba disso – e, de preferência, inveje tal privilégio. O espetáculo, escreve Debord, é uma relação social mediada por imagens que, por sua circulação, acabam por “dominar a vida”. A qualidade da inserção social do sujeito passa a ser medida pelas imagens que ele consegue produzir e divulgar.



    Hoje, para o viajante, talvez importe menos o prazer de conhecer lugares novos do que o gostinho de provocar inveja nos amigos. Daí a sanha de registrar, em fotografias e vídeos, momentos supostamente maravilhosos e divulgá-los rapidamente nas redes sociais, ou enviá-los para incontáveis grupos de WhatsApp. Debord não poderia prever o que viria a ser o poder dos telefones celulares nas novas configurações da sociedade do espetáculo. Com um singelo aparelho de comunicação em mãos, as pessoas criam autoficções que lhes conferem prestígio diante dos outros.



    Podemos supor, além disso, uma relação entre a predominância da imagem sobre o pensamento e o declínio das narrativas – tão caras ao meu filósofo favorito, Walter Benjamin. Quem ainda quer ouvir relatos interessantes, se estes podem ser substituídos por fotos e vídeos? Penso que o interesse genuíno em adquirir novos conhecimentos ao viajar, ou mesmo em ampliar a compreensão do mundo em que vivemos, tem sido facilmente substituído pelos efeitos fetichistas de divulgar, o máximo possível, imagens de lugares paradisíacos, restaurantes caríssimos, festas de arromba.



    Outro aspecto que Debord não teria como prever é que essa hiperexposição de cenas banais do cotidiano se transformaria em um grande negócio, à medida que as plataformas digitais passaram a monetizar as publicações dos usuários com maior alcance. Hoje, grande parte dos jovens nutre a ilusão de alcançar fama e fortuna por meio desse espetáculo. E não tardaram a surgir empresários inescrupulosos, dispostos a explorar a imagem de crianças e adolescentes nas redes sociais. Como denunciou recentemente o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, há de tudo um pouco nesse terreno pantanoso: de programas de entrevistas conduzidos por versões mirins de coaches de empreendedorismo a reality shows protagonizados por menores, nos quais eles participam de festas com bebidas alcoólicas, usam roupas provocativas e executam danças sensuais – um prato cheio para os pedófilos e predadores sexuais.



    Nesse cenário, alguns pais talvez não se deem conta de que, ao buscar seus 15 minutos de fama e alguns likes, acabam expondo seus bebês fofinhos a adultos perversos que habitam os ambientes digitais. Outros, como denunciou Felca, parecem não se importar em ganhar alguns trocados com a exposição dos próprios filhos – mesmo em contextos que violam a dignidade de crianças e adolescentes.



    Observem o paradoxo: justamente ali, nas situações em que a vida parece, aos olhos dos outros, mais vibrante e interessante, é onde ela acaba por ser mais aviltada. Sim, aviltada. Pois é quando o contato com o mundo deixa de ser uma fonte de experiência e passa a ser apenas uma oportunidade de exibicionismo. Perde-se, na acepção de Walter Benjamin, um elemento precioso em nossa tarefa de criar sentidos para a vida. Perde-se a capacidade de transformar o fato em narrativa e a vivência em experiência. O vazio que advém da sanha por vivências que não se convertem em experiência talvez ajude a explicar a violência que constantemente ameaça o laço social.



Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/. Acesso em; 02 set. 2025. (texto adaptado)  

Leia o período a seguir.


Sim, aviltada. Pois é quando o contato com o mundo deixa de ser uma fonte de experiência e passa a ser apenas uma oportunidade de exibicionismo. 


A palavra em destaque foi empregada com valor de 

Alternativas
Q4253846 Português

Sociedade do espetáculo


Maria Rita Kehl


    Este texto toma emprestado o título de um dos livros mais conhecidos do filósofo e teórico marxista francês Guy Debord (1931–1994). Passados mais de 30 anos de sua morte, o tema mostra-se cada vez mais atual. Para o autor, a sociedade capitalista, em seu estágio avançado, transformou as relações sociais em um grande espetáculo, no qual imagens e aparências se sobrepõem à vida real e às experiências autênticas. Nesse contexto, os sujeitos buscam sempre apresentar-se em sua melhor performance: felizes, endinheirados, desfrutando de viagens interessantes, festas incríveis etc.


    Os “15 minutos de fama” que todos deveriam experimentar uma vez na vida, na visão idílica de Andy Warhol, tornaram-se insuficientes para quem vive neste mundo hiperconectado do século XXI. É preciso exibir-se constantemente, sempre na melhor pose possível. Não basta estar, eventualmente, feliz e desfrutando férias, jantando em um bistrô em Paris ou viajando em um cruzeiro de luxo. É necessário que muita gente saiba disso – e, de preferência, inveje tal privilégio. O espetáculo, escreve Debord, é uma relação social mediada por imagens que, por sua circulação, acabam por “dominar a vida”. A qualidade da inserção social do sujeito passa a ser medida pelas imagens que ele consegue produzir e divulgar.



    Hoje, para o viajante, talvez importe menos o prazer de conhecer lugares novos do que o gostinho de provocar inveja nos amigos. Daí a sanha de registrar, em fotografias e vídeos, momentos supostamente maravilhosos e divulgá-los rapidamente nas redes sociais, ou enviá-los para incontáveis grupos de WhatsApp. Debord não poderia prever o que viria a ser o poder dos telefones celulares nas novas configurações da sociedade do espetáculo. Com um singelo aparelho de comunicação em mãos, as pessoas criam autoficções que lhes conferem prestígio diante dos outros.



    Podemos supor, além disso, uma relação entre a predominância da imagem sobre o pensamento e o declínio das narrativas – tão caras ao meu filósofo favorito, Walter Benjamin. Quem ainda quer ouvir relatos interessantes, se estes podem ser substituídos por fotos e vídeos? Penso que o interesse genuíno em adquirir novos conhecimentos ao viajar, ou mesmo em ampliar a compreensão do mundo em que vivemos, tem sido facilmente substituído pelos efeitos fetichistas de divulgar, o máximo possível, imagens de lugares paradisíacos, restaurantes caríssimos, festas de arromba.



    Outro aspecto que Debord não teria como prever é que essa hiperexposição de cenas banais do cotidiano se transformaria em um grande negócio, à medida que as plataformas digitais passaram a monetizar as publicações dos usuários com maior alcance. Hoje, grande parte dos jovens nutre a ilusão de alcançar fama e fortuna por meio desse espetáculo. E não tardaram a surgir empresários inescrupulosos, dispostos a explorar a imagem de crianças e adolescentes nas redes sociais. Como denunciou recentemente o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, há de tudo um pouco nesse terreno pantanoso: de programas de entrevistas conduzidos por versões mirins de coaches de empreendedorismo a reality shows protagonizados por menores, nos quais eles participam de festas com bebidas alcoólicas, usam roupas provocativas e executam danças sensuais – um prato cheio para os pedófilos e predadores sexuais.



    Nesse cenário, alguns pais talvez não se deem conta de que, ao buscar seus 15 minutos de fama e alguns likes, acabam expondo seus bebês fofinhos a adultos perversos que habitam os ambientes digitais. Outros, como denunciou Felca, parecem não se importar em ganhar alguns trocados com a exposição dos próprios filhos – mesmo em contextos que violam a dignidade de crianças e adolescentes.



    Observem o paradoxo: justamente ali, nas situações em que a vida parece, aos olhos dos outros, mais vibrante e interessante, é onde ela acaba por ser mais aviltada. Sim, aviltada. Pois é quando o contato com o mundo deixa de ser uma fonte de experiência e passa a ser apenas uma oportunidade de exibicionismo. Perde-se, na acepção de Walter Benjamin, um elemento precioso em nossa tarefa de criar sentidos para a vida. Perde-se a capacidade de transformar o fato em narrativa e a vivência em experiência. O vazio que advém da sanha por vivências que não se convertem em experiência talvez ajude a explicar a violência que constantemente ameaça o laço social.



Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/. Acesso em; 02 set. 2025. (texto adaptado)  

Sobre os discursos presentes no texto, é correto afirmar que, além da voz da autora, percebe-se, de forma explícita, 
Alternativas
Q4253847 Português

Sociedade do espetáculo


Maria Rita Kehl


    Este texto toma emprestado o título de um dos livros mais conhecidos do filósofo e teórico marxista francês Guy Debord (1931–1994). Passados mais de 30 anos de sua morte, o tema mostra-se cada vez mais atual. Para o autor, a sociedade capitalista, em seu estágio avançado, transformou as relações sociais em um grande espetáculo, no qual imagens e aparências se sobrepõem à vida real e às experiências autênticas. Nesse contexto, os sujeitos buscam sempre apresentar-se em sua melhor performance: felizes, endinheirados, desfrutando de viagens interessantes, festas incríveis etc.


    Os “15 minutos de fama” que todos deveriam experimentar uma vez na vida, na visão idílica de Andy Warhol, tornaram-se insuficientes para quem vive neste mundo hiperconectado do século XXI. É preciso exibir-se constantemente, sempre na melhor pose possível. Não basta estar, eventualmente, feliz e desfrutando férias, jantando em um bistrô em Paris ou viajando em um cruzeiro de luxo. É necessário que muita gente saiba disso – e, de preferência, inveje tal privilégio. O espetáculo, escreve Debord, é uma relação social mediada por imagens que, por sua circulação, acabam por “dominar a vida”. A qualidade da inserção social do sujeito passa a ser medida pelas imagens que ele consegue produzir e divulgar.



    Hoje, para o viajante, talvez importe menos o prazer de conhecer lugares novos do que o gostinho de provocar inveja nos amigos. Daí a sanha de registrar, em fotografias e vídeos, momentos supostamente maravilhosos e divulgá-los rapidamente nas redes sociais, ou enviá-los para incontáveis grupos de WhatsApp. Debord não poderia prever o que viria a ser o poder dos telefones celulares nas novas configurações da sociedade do espetáculo. Com um singelo aparelho de comunicação em mãos, as pessoas criam autoficções que lhes conferem prestígio diante dos outros.



    Podemos supor, além disso, uma relação entre a predominância da imagem sobre o pensamento e o declínio das narrativas – tão caras ao meu filósofo favorito, Walter Benjamin. Quem ainda quer ouvir relatos interessantes, se estes podem ser substituídos por fotos e vídeos? Penso que o interesse genuíno em adquirir novos conhecimentos ao viajar, ou mesmo em ampliar a compreensão do mundo em que vivemos, tem sido facilmente substituído pelos efeitos fetichistas de divulgar, o máximo possível, imagens de lugares paradisíacos, restaurantes caríssimos, festas de arromba.



    Outro aspecto que Debord não teria como prever é que essa hiperexposição de cenas banais do cotidiano se transformaria em um grande negócio, à medida que as plataformas digitais passaram a monetizar as publicações dos usuários com maior alcance. Hoje, grande parte dos jovens nutre a ilusão de alcançar fama e fortuna por meio desse espetáculo. E não tardaram a surgir empresários inescrupulosos, dispostos a explorar a imagem de crianças e adolescentes nas redes sociais. Como denunciou recentemente o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, há de tudo um pouco nesse terreno pantanoso: de programas de entrevistas conduzidos por versões mirins de coaches de empreendedorismo a reality shows protagonizados por menores, nos quais eles participam de festas com bebidas alcoólicas, usam roupas provocativas e executam danças sensuais – um prato cheio para os pedófilos e predadores sexuais.



    Nesse cenário, alguns pais talvez não se deem conta de que, ao buscar seus 15 minutos de fama e alguns likes, acabam expondo seus bebês fofinhos a adultos perversos que habitam os ambientes digitais. Outros, como denunciou Felca, parecem não se importar em ganhar alguns trocados com a exposição dos próprios filhos – mesmo em contextos que violam a dignidade de crianças e adolescentes.



    Observem o paradoxo: justamente ali, nas situações em que a vida parece, aos olhos dos outros, mais vibrante e interessante, é onde ela acaba por ser mais aviltada. Sim, aviltada. Pois é quando o contato com o mundo deixa de ser uma fonte de experiência e passa a ser apenas uma oportunidade de exibicionismo. Perde-se, na acepção de Walter Benjamin, um elemento precioso em nossa tarefa de criar sentidos para a vida. Perde-se a capacidade de transformar o fato em narrativa e a vivência em experiência. O vazio que advém da sanha por vivências que não se convertem em experiência talvez ajude a explicar a violência que constantemente ameaça o laço social.



Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/. Acesso em; 02 set. 2025. (texto adaptado)  

Considere o período a seguir.


Para o autor, a sociedade capitalista, em seu estágio avançado, transformou as relações sociais em um grande espetáculo, no qual imagens e aparências se sobrepõem à vida real e às experiências autênticas.


As ocorrências do acento grave justificam-se, 

Alternativas
Q4253848 Português
O vazio que advém da sanha por vivências que não se convertem em experiência talvez ajude a explicar a violência que constantemente ameaça o laço social.
A palavra em destaque é
Alternativas
Q4253849 Português
O vazio que advém da sanha por vivências que não se convertem em experiência talvez ajude a explicar a violência que constantemente ameaça o laço social.
A palavra “que”, nas três ocorrências, introduzem estruturas de valor
Alternativas
Q4253850 Matemática

Um trem inicia sua jornada na estação A com 200 passageiros. Ao longo do percurso, ocorrem as seguintes movimentações:


Estação B: descem 30% dos passageiros que chegaram à estação B e, em seguida, sobem 40 novos passageiros.


Estação C: descem 25% dos passageiros que estavam no trem ao partir da estação B e, em seguida, sobem 30 novos passageiros.


Estação D: o número de passageiros que descem é equivalente a 1/5 do total de passageiros que partiram da estação C, e, após essa descida, sobem 20 novos passageiros.


A quantidade de passageiros no trem, ao sair da estação D, é igual a 

Alternativas
Q4253851 Raciocínio Lógico

Considere as proposições: 


P: Choveu ontem.


Q: O jardim está molhado.


R: As flores estão bonitas.


A alternativa que representa corretamente a expressão lógica "Se choveu ontem e o jardim está molhado, então as flores estão bonitas, mas se as flores não estão bonitas, então não choveu ontem", é:

Alternativas
Q4253853 Raciocínio Lógico
Quatro amigos, Daniel, Eduardo, Felipe e Gabriel estão sentados em quatro cadeiras numeradas sequencialmente de 1 a 4, em uma única fila. Cada amigo ocupa uma cadeira. Sabe-se ainda que:

I. Gabriel não está sentado em uma cadeira vizinha à de Eduardo;

II. Felipe ocupa uma cadeira com número ímpar;

III. Daniel não está sentado na primeira cadeira;

IV. Há exatamente duas cadeiras entre Eduardo e Felipe.

Com base nessas informações, quem está sentado na cadeira 2 é
Alternativas
Q4253854 Raciocínio Lógico

Considere as seguintes informações sobre o estado de um sistema de segurança de uma prefeitura:



A: O sistema está online.


B: Os dados de acesso estão seguros.


C: O firewall está ativado.


D: Houve tentativa de invasão externa. São dadas as seguintes declarações:



I. Se o sistema está online (A), então os dados de acesso estão seguros (B).


II. Se o firewall não está ativado (¬C), então os dados de acesso não estão seguros (¬B).


III. A equipe de monitoramento confirmou que não houve tentativa de invasão externa (¬D).


IV. Se o sistema está online (A) e o firewall está ativado (C), então houve tentativa de invasão externa (D).



Com base exclusivamente nessas declarações, é necessariamente verdadeira a afirmação:

Alternativas
Q4257082 Direito Sanitário
O Decreto n.º 7.508, de 28 de junho de 2011, regulamenta a Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde (SUS). No âmbito da assistência à saúde, estabelece a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), que deverá ser acompanhada pelo 
Alternativas
Q4257083 Saúde Pública
O Programa Agora Tem Especialistas, criado pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria n.º 7.266, de 18 de junho de 2025, objetiva ampliar o acesso e reduzir o tempo de espera na atenção especializada, com gestão integrada, digital e transparente, fortalecendo o financiamento, a rede assistencial e o tratamento do câncer. Um dos componentes do programa é o 
Alternativas
Q4257084 Enfermagem
O novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, aprovado por meio da Resolução COFEN n.º 564/2017, representou um avanço na normatização ética da profissão no território brasileiro. No seu capítulo III, é citado como proibição 
Alternativas
Q4257085 Enfermagem
A implementação do Processo de Enfermagem é indispensável em todo contexto socioambiental em que ocorre o cuidado de enfermagem no Brasil. Na etapa de implementação de enfermagem, acontece, por meio da equipe de enfermagem, a realização das intervenções, ações e atividades previstas no planejamento assistencial, apoiada nos padrões de 
Alternativas
Q4257086 Enfermagem
Fundamentada em um campo de conhecimento teórico, sabe-se que a enfermagem assiste o ser humano em suas necessidades, promovendo sua independência, prestando cuidados quando ele não pode se autocuidar, orientando, ensinando, supervisionando e articulando com outros profissionais e serviços. Nesse contexto, Wanda Horta propôs a teoria  
Alternativas
Respostas
1: D
2: D
3: A
4: A
5: C
6: B
7: B
8: B
9: D
10: A
11: C
12: C
13: B
14: D
15: B
16: C
17: A
18: C
19: D
20: B