Questões de Concurso Público Prefeitura de Vinhedo - SP 2023 para Guarda Civil Municipal (Masculino e Feminino)

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Q3731531 Português
O mundo restaurado


O pai ganha os presentes que um pai costuma ganhar. Camisas, lenços, uma gravata muito parecida com a que deu para alguém no ano passado, meias. Alguns livros, alguns vinhos. Mas fica de olho nos presentes das crianças. Com o ar condescendente de quem tem um saudável interesse nas atividades dos filhos. Mas louco de inveja.

― Meu filho. Um Autorama!

― É, pai.

― Vamos armar agora mesmo!

― Agora não, pai. Amanhã, a gente arma.

― Amanhã, nada. Agora! Arreda essa papelada pra lá. Aqui na sala mesmo tem lugar.

A mãe intervém.

― Você está louco? Armar esse negócio no meio da sala, no meio da festa?! E as crianças precisam ir dormir. Foi excitação demais para um dia só.

O pai fica olhando com ressentimento o Autorama que desaparece da sala embaixo do braço do guri. Pensa, vagamente, em seguir o filho e propor uma barganha. “Escuta, a mãe não está nos ouvindo. Eu te dou todos os meus lenços e tu deixa eu armar o Autorama aqui no teu quarto, com a porta fechada.” Mas não. Os convidados, o que pensariam dele? Na certa que estaria bêbado, como no ano passado. Ele examina o livro que ganhou do cunhado. O Mundo Restaurado, de Henry Kissinger. O cunhado, inexplicavelmente, lhe atribui um grave interesse nos problemas contemporâneos. Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhados e pontos de exclamação na margem. Às vezes, telefona, com recados cifrados.

― Lembra aquela nossa conversa?

― Qual?

― Veja na terceira página do Correio de hoje. Um pequeno tópico no canto inferior direito. É a prova de tudo aquilo que nós discutíamos no outro dia, lembra?

― Não.

― A crise é irreversível, meu filho. Um abração.

Ele só ganha presente de homem sério. De homem preocupado com os problemas contemporâneos. Lenços brancos, camisas sóbrias, meias pretas e marrons. No ano passado, deu para um primo taciturno uma gravata cinza escura com manchas pretas e estrias roxas, como hematomas. Com um cartão gozando a seriedade do primo. Este ano recebeu de volta a mesma gravata. Sem cartão. As pessoas, pensa, me confundem com um adulto. Vê a filha mais velha que passa equilibrando várias caixas de presentes.

― Te desafio para uma partida de damas. Não é uma proposta carinhosa. É um desafio mesmo. Posso derrotar qualquer criança nesta sala! Dama, moinho, bola de gude, palavra-cruzada…

A filha o ignora e também vai para o quarto. Decidiram, ele e a mulher, não dar nenhuma arma de brinquedo no Natal. Nem arco e flecha. Os psicólogos não aconselham. Mas ele agora tem uma lembrança que lhe sobe até a garganta e fica atravessada: aos doze anos ganhou uma metralhadora de latão que cuspia fogo. Tinha uma manivela do lado que a gente girava e a metralhadora cuspia fogo! O cunhado senta ao seu lado, com um copo de uísque na mão. Aponta para o livro.

― Isso aí explica muita coisa. Lembras daquela minha tese?…

Mas ele não ouve mais nada. Ergue o Henry Kissinger até os olhos, como se mirasse uma metralhadora, e começa a girar uma manivela invisível do lado do livro. Ao mesmo tempo, com a boca imita o ruído de tiros, e descobre entusiasmado que ainda não perdeu o jeito. O cunhado fica olhando, entre surpreso e divertido, enquanto ele varre a sala com rajadas imaginárias.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011
O texto retrata desvantagens de ser um adulto, a partir de um episódio de comemoração familiar com troca de presentes. O desagrado do personagem principal, que é pai, é expresso no trecho: 
Alternativas
Q3731532 Português
O mundo restaurado


O pai ganha os presentes que um pai costuma ganhar. Camisas, lenços, uma gravata muito parecida com a que deu para alguém no ano passado, meias. Alguns livros, alguns vinhos. Mas fica de olho nos presentes das crianças. Com o ar condescendente de quem tem um saudável interesse nas atividades dos filhos. Mas louco de inveja.

― Meu filho. Um Autorama!

― É, pai.

― Vamos armar agora mesmo!

― Agora não, pai. Amanhã, a gente arma.

― Amanhã, nada. Agora! Arreda essa papelada pra lá. Aqui na sala mesmo tem lugar.

A mãe intervém.

― Você está louco? Armar esse negócio no meio da sala, no meio da festa?! E as crianças precisam ir dormir. Foi excitação demais para um dia só.

O pai fica olhando com ressentimento o Autorama que desaparece da sala embaixo do braço do guri. Pensa, vagamente, em seguir o filho e propor uma barganha. “Escuta, a mãe não está nos ouvindo. Eu te dou todos os meus lenços e tu deixa eu armar o Autorama aqui no teu quarto, com a porta fechada.” Mas não. Os convidados, o que pensariam dele? Na certa que estaria bêbado, como no ano passado. Ele examina o livro que ganhou do cunhado. O Mundo Restaurado, de Henry Kissinger. O cunhado, inexplicavelmente, lhe atribui um grave interesse nos problemas contemporâneos. Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhados e pontos de exclamação na margem. Às vezes, telefona, com recados cifrados.

― Lembra aquela nossa conversa?

― Qual?

― Veja na terceira página do Correio de hoje. Um pequeno tópico no canto inferior direito. É a prova de tudo aquilo que nós discutíamos no outro dia, lembra?

― Não.

― A crise é irreversível, meu filho. Um abração.

Ele só ganha presente de homem sério. De homem preocupado com os problemas contemporâneos. Lenços brancos, camisas sóbrias, meias pretas e marrons. No ano passado, deu para um primo taciturno uma gravata cinza escura com manchas pretas e estrias roxas, como hematomas. Com um cartão gozando a seriedade do primo. Este ano recebeu de volta a mesma gravata. Sem cartão. As pessoas, pensa, me confundem com um adulto. Vê a filha mais velha que passa equilibrando várias caixas de presentes.

― Te desafio para uma partida de damas. Não é uma proposta carinhosa. É um desafio mesmo. Posso derrotar qualquer criança nesta sala! Dama, moinho, bola de gude, palavra-cruzada…

A filha o ignora e também vai para o quarto. Decidiram, ele e a mulher, não dar nenhuma arma de brinquedo no Natal. Nem arco e flecha. Os psicólogos não aconselham. Mas ele agora tem uma lembrança que lhe sobe até a garganta e fica atravessada: aos doze anos ganhou uma metralhadora de latão que cuspia fogo. Tinha uma manivela do lado que a gente girava e a metralhadora cuspia fogo! O cunhado senta ao seu lado, com um copo de uísque na mão. Aponta para o livro.

― Isso aí explica muita coisa. Lembras daquela minha tese?…

Mas ele não ouve mais nada. Ergue o Henry Kissinger até os olhos, como se mirasse uma metralhadora, e começa a girar uma manivela invisível do lado do livro. Ao mesmo tempo, com a boca imita o ruído de tiros, e descobre entusiasmado que ainda não perdeu o jeito. O cunhado fica olhando, entre surpreso e divertido, enquanto ele varre a sala com rajadas imaginárias.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011
Considere o excerto: “enquanto ele varre a sala com rajadas imaginárias.” Neste contexto, o pronome pessoal “ele” se refere ao personagem: 
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Q3731533 Português
O mundo restaurado


O pai ganha os presentes que um pai costuma ganhar. Camisas, lenços, uma gravata muito parecida com a que deu para alguém no ano passado, meias. Alguns livros, alguns vinhos. Mas fica de olho nos presentes das crianças. Com o ar condescendente de quem tem um saudável interesse nas atividades dos filhos. Mas louco de inveja.

― Meu filho. Um Autorama!

― É, pai.

― Vamos armar agora mesmo!

― Agora não, pai. Amanhã, a gente arma.

― Amanhã, nada. Agora! Arreda essa papelada pra lá. Aqui na sala mesmo tem lugar.

A mãe intervém.

― Você está louco? Armar esse negócio no meio da sala, no meio da festa?! E as crianças precisam ir dormir. Foi excitação demais para um dia só.

O pai fica olhando com ressentimento o Autorama que desaparece da sala embaixo do braço do guri. Pensa, vagamente, em seguir o filho e propor uma barganha. “Escuta, a mãe não está nos ouvindo. Eu te dou todos os meus lenços e tu deixa eu armar o Autorama aqui no teu quarto, com a porta fechada.” Mas não. Os convidados, o que pensariam dele? Na certa que estaria bêbado, como no ano passado. Ele examina o livro que ganhou do cunhado. O Mundo Restaurado, de Henry Kissinger. O cunhado, inexplicavelmente, lhe atribui um grave interesse nos problemas contemporâneos. Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhados e pontos de exclamação na margem. Às vezes, telefona, com recados cifrados.

― Lembra aquela nossa conversa?

― Qual?

― Veja na terceira página do Correio de hoje. Um pequeno tópico no canto inferior direito. É a prova de tudo aquilo que nós discutíamos no outro dia, lembra?

― Não.

― A crise é irreversível, meu filho. Um abração.

Ele só ganha presente de homem sério. De homem preocupado com os problemas contemporâneos. Lenços brancos, camisas sóbrias, meias pretas e marrons. No ano passado, deu para um primo taciturno uma gravata cinza escura com manchas pretas e estrias roxas, como hematomas. Com um cartão gozando a seriedade do primo. Este ano recebeu de volta a mesma gravata. Sem cartão. As pessoas, pensa, me confundem com um adulto. Vê a filha mais velha que passa equilibrando várias caixas de presentes.

― Te desafio para uma partida de damas. Não é uma proposta carinhosa. É um desafio mesmo. Posso derrotar qualquer criança nesta sala! Dama, moinho, bola de gude, palavra-cruzada…

A filha o ignora e também vai para o quarto. Decidiram, ele e a mulher, não dar nenhuma arma de brinquedo no Natal. Nem arco e flecha. Os psicólogos não aconselham. Mas ele agora tem uma lembrança que lhe sobe até a garganta e fica atravessada: aos doze anos ganhou uma metralhadora de latão que cuspia fogo. Tinha uma manivela do lado que a gente girava e a metralhadora cuspia fogo! O cunhado senta ao seu lado, com um copo de uísque na mão. Aponta para o livro.

― Isso aí explica muita coisa. Lembras daquela minha tese?…

Mas ele não ouve mais nada. Ergue o Henry Kissinger até os olhos, como se mirasse uma metralhadora, e começa a girar uma manivela invisível do lado do livro. Ao mesmo tempo, com a boca imita o ruído de tiros, e descobre entusiasmado que ainda não perdeu o jeito. O cunhado fica olhando, entre surpreso e divertido, enquanto ele varre a sala com rajadas imaginárias.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011
Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:

I. “Isso aí explica muita coisa.”
II. “Meu filho. Um Autorama!”
III. “Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhados”

Nas sentenças dadas, ocorrem, respectivamente, pronomes dos tipos: 
Alternativas
Q3731534 Português
O mundo restaurado


O pai ganha os presentes que um pai costuma ganhar. Camisas, lenços, uma gravata muito parecida com a que deu para alguém no ano passado, meias. Alguns livros, alguns vinhos. Mas fica de olho nos presentes das crianças. Com o ar condescendente de quem tem um saudável interesse nas atividades dos filhos. Mas louco de inveja.

― Meu filho. Um Autorama!

― É, pai.

― Vamos armar agora mesmo!

― Agora não, pai. Amanhã, a gente arma.

― Amanhã, nada. Agora! Arreda essa papelada pra lá. Aqui na sala mesmo tem lugar.

A mãe intervém.

― Você está louco? Armar esse negócio no meio da sala, no meio da festa?! E as crianças precisam ir dormir. Foi excitação demais para um dia só.

O pai fica olhando com ressentimento o Autorama que desaparece da sala embaixo do braço do guri. Pensa, vagamente, em seguir o filho e propor uma barganha. “Escuta, a mãe não está nos ouvindo. Eu te dou todos os meus lenços e tu deixa eu armar o Autorama aqui no teu quarto, com a porta fechada.” Mas não. Os convidados, o que pensariam dele? Na certa que estaria bêbado, como no ano passado. Ele examina o livro que ganhou do cunhado. O Mundo Restaurado, de Henry Kissinger. O cunhado, inexplicavelmente, lhe atribui um grave interesse nos problemas contemporâneos. Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhados e pontos de exclamação na margem. Às vezes, telefona, com recados cifrados.

― Lembra aquela nossa conversa?

― Qual?

― Veja na terceira página do Correio de hoje. Um pequeno tópico no canto inferior direito. É a prova de tudo aquilo que nós discutíamos no outro dia, lembra?

― Não.

― A crise é irreversível, meu filho. Um abração.

Ele só ganha presente de homem sério. De homem preocupado com os problemas contemporâneos. Lenços brancos, camisas sóbrias, meias pretas e marrons. No ano passado, deu para um primo taciturno uma gravata cinza escura com manchas pretas e estrias roxas, como hematomas. Com um cartão gozando a seriedade do primo. Este ano recebeu de volta a mesma gravata. Sem cartão. As pessoas, pensa, me confundem com um adulto. Vê a filha mais velha que passa equilibrando várias caixas de presentes.

― Te desafio para uma partida de damas. Não é uma proposta carinhosa. É um desafio mesmo. Posso derrotar qualquer criança nesta sala! Dama, moinho, bola de gude, palavra-cruzada…

A filha o ignora e também vai para o quarto. Decidiram, ele e a mulher, não dar nenhuma arma de brinquedo no Natal. Nem arco e flecha. Os psicólogos não aconselham. Mas ele agora tem uma lembrança que lhe sobe até a garganta e fica atravessada: aos doze anos ganhou uma metralhadora de latão que cuspia fogo. Tinha uma manivela do lado que a gente girava e a metralhadora cuspia fogo! O cunhado senta ao seu lado, com um copo de uísque na mão. Aponta para o livro.

― Isso aí explica muita coisa. Lembras daquela minha tese?…

Mas ele não ouve mais nada. Ergue o Henry Kissinger até os olhos, como se mirasse uma metralhadora, e começa a girar uma manivela invisível do lado do livro. Ao mesmo tempo, com a boca imita o ruído de tiros, e descobre entusiasmado que ainda não perdeu o jeito. O cunhado fica olhando, entre surpreso e divertido, enquanto ele varre a sala com rajadas imaginárias.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011
Considere o seguinte excerto: “No ano passado, deu para um primo taciturno uma gravata cinza escura com manchas pretas e estrias roxas”. Neste contexto, a palavra “taciturno” é sinônimo de: 
Alternativas
Q3731535 Português
O mundo restaurado


O pai ganha os presentes que um pai costuma ganhar. Camisas, lenços, uma gravata muito parecida com a que deu para alguém no ano passado, meias. Alguns livros, alguns vinhos. Mas fica de olho nos presentes das crianças. Com o ar condescendente de quem tem um saudável interesse nas atividades dos filhos. Mas louco de inveja.

― Meu filho. Um Autorama!

― É, pai.

― Vamos armar agora mesmo!

― Agora não, pai. Amanhã, a gente arma.

― Amanhã, nada. Agora! Arreda essa papelada pra lá. Aqui na sala mesmo tem lugar.

A mãe intervém.

― Você está louco? Armar esse negócio no meio da sala, no meio da festa?! E as crianças precisam ir dormir. Foi excitação demais para um dia só.

O pai fica olhando com ressentimento o Autorama que desaparece da sala embaixo do braço do guri. Pensa, vagamente, em seguir o filho e propor uma barganha. “Escuta, a mãe não está nos ouvindo. Eu te dou todos os meus lenços e tu deixa eu armar o Autorama aqui no teu quarto, com a porta fechada.” Mas não. Os convidados, o que pensariam dele? Na certa que estaria bêbado, como no ano passado. Ele examina o livro que ganhou do cunhado. O Mundo Restaurado, de Henry Kissinger. O cunhado, inexplicavelmente, lhe atribui um grave interesse nos problemas contemporâneos. Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhados e pontos de exclamação na margem. Às vezes, telefona, com recados cifrados.

― Lembra aquela nossa conversa?

― Qual?

― Veja na terceira página do Correio de hoje. Um pequeno tópico no canto inferior direito. É a prova de tudo aquilo que nós discutíamos no outro dia, lembra?

― Não.

― A crise é irreversível, meu filho. Um abração.

Ele só ganha presente de homem sério. De homem preocupado com os problemas contemporâneos. Lenços brancos, camisas sóbrias, meias pretas e marrons. No ano passado, deu para um primo taciturno uma gravata cinza escura com manchas pretas e estrias roxas, como hematomas. Com um cartão gozando a seriedade do primo. Este ano recebeu de volta a mesma gravata. Sem cartão. As pessoas, pensa, me confundem com um adulto. Vê a filha mais velha que passa equilibrando várias caixas de presentes.

― Te desafio para uma partida de damas. Não é uma proposta carinhosa. É um desafio mesmo. Posso derrotar qualquer criança nesta sala! Dama, moinho, bola de gude, palavra-cruzada…

A filha o ignora e também vai para o quarto. Decidiram, ele e a mulher, não dar nenhuma arma de brinquedo no Natal. Nem arco e flecha. Os psicólogos não aconselham. Mas ele agora tem uma lembrança que lhe sobe até a garganta e fica atravessada: aos doze anos ganhou uma metralhadora de latão que cuspia fogo. Tinha uma manivela do lado que a gente girava e a metralhadora cuspia fogo! O cunhado senta ao seu lado, com um copo de uísque na mão. Aponta para o livro.

― Isso aí explica muita coisa. Lembras daquela minha tese?…

Mas ele não ouve mais nada. Ergue o Henry Kissinger até os olhos, como se mirasse uma metralhadora, e começa a girar uma manivela invisível do lado do livro. Ao mesmo tempo, com a boca imita o ruído de tiros, e descobre entusiasmado que ainda não perdeu o jeito. O cunhado fica olhando, entre surpreso e divertido, enquanto ele varre a sala com rajadas imaginárias.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011
Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:

I. “A mãe intervém.”
II. “A crise é irreversível”
III. “Eu te dou todos os meus lenços”

Em relação à regência, ocorre verbo intransitivo apenas na(s) sentença(s):
Alternativas
Q3731536 Português
O mundo restaurado


O pai ganha os presentes que um pai costuma ganhar. Camisas, lenços, uma gravata muito parecida com a que deu para alguém no ano passado, meias. Alguns livros, alguns vinhos. Mas fica de olho nos presentes das crianças. Com o ar condescendente de quem tem um saudável interesse nas atividades dos filhos. Mas louco de inveja.

― Meu filho. Um Autorama!

― É, pai.

― Vamos armar agora mesmo!

― Agora não, pai. Amanhã, a gente arma.

― Amanhã, nada. Agora! Arreda essa papelada pra lá. Aqui na sala mesmo tem lugar.

A mãe intervém.

― Você está louco? Armar esse negócio no meio da sala, no meio da festa?! E as crianças precisam ir dormir. Foi excitação demais para um dia só.

O pai fica olhando com ressentimento o Autorama que desaparece da sala embaixo do braço do guri. Pensa, vagamente, em seguir o filho e propor uma barganha. “Escuta, a mãe não está nos ouvindo. Eu te dou todos os meus lenços e tu deixa eu armar o Autorama aqui no teu quarto, com a porta fechada.” Mas não. Os convidados, o que pensariam dele? Na certa que estaria bêbado, como no ano passado. Ele examina o livro que ganhou do cunhado. O Mundo Restaurado, de Henry Kissinger. O cunhado, inexplicavelmente, lhe atribui um grave interesse nos problemas contemporâneos. Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhados e pontos de exclamação na margem. Às vezes, telefona, com recados cifrados.

― Lembra aquela nossa conversa?

― Qual?

― Veja na terceira página do Correio de hoje. Um pequeno tópico no canto inferior direito. É a prova de tudo aquilo que nós discutíamos no outro dia, lembra?

― Não.

― A crise é irreversível, meu filho. Um abração.

Ele só ganha presente de homem sério. De homem preocupado com os problemas contemporâneos. Lenços brancos, camisas sóbrias, meias pretas e marrons. No ano passado, deu para um primo taciturno uma gravata cinza escura com manchas pretas e estrias roxas, como hematomas. Com um cartão gozando a seriedade do primo. Este ano recebeu de volta a mesma gravata. Sem cartão. As pessoas, pensa, me confundem com um adulto. Vê a filha mais velha que passa equilibrando várias caixas de presentes.

― Te desafio para uma partida de damas. Não é uma proposta carinhosa. É um desafio mesmo. Posso derrotar qualquer criança nesta sala! Dama, moinho, bola de gude, palavra-cruzada…

A filha o ignora e também vai para o quarto. Decidiram, ele e a mulher, não dar nenhuma arma de brinquedo no Natal. Nem arco e flecha. Os psicólogos não aconselham. Mas ele agora tem uma lembrança que lhe sobe até a garganta e fica atravessada: aos doze anos ganhou uma metralhadora de latão que cuspia fogo. Tinha uma manivela do lado que a gente girava e a metralhadora cuspia fogo! O cunhado senta ao seu lado, com um copo de uísque na mão. Aponta para o livro.

― Isso aí explica muita coisa. Lembras daquela minha tese?…

Mas ele não ouve mais nada. Ergue o Henry Kissinger até os olhos, como se mirasse uma metralhadora, e começa a girar uma manivela invisível do lado do livro. Ao mesmo tempo, com a boca imita o ruído de tiros, e descobre entusiasmado que ainda não perdeu o jeito. O cunhado fica olhando, entre surpreso e divertido, enquanto ele varre a sala com rajadas imaginárias.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011
Considere o seguinte excerto: “Foi excitação demais para um dia só.” Em relação à classe gramatical, as palavras “excitação”, “demais”, “para” e “só” são, respectivamente: 
Alternativas
Q3731537 Português
O mundo restaurado


O pai ganha os presentes que um pai costuma ganhar. Camisas, lenços, uma gravata muito parecida com a que deu para alguém no ano passado, meias. Alguns livros, alguns vinhos. Mas fica de olho nos presentes das crianças. Com o ar condescendente de quem tem um saudável interesse nas atividades dos filhos. Mas louco de inveja.

― Meu filho. Um Autorama!

― É, pai.

― Vamos armar agora mesmo!

― Agora não, pai. Amanhã, a gente arma.

― Amanhã, nada. Agora! Arreda essa papelada pra lá. Aqui na sala mesmo tem lugar.

A mãe intervém.

― Você está louco? Armar esse negócio no meio da sala, no meio da festa?! E as crianças precisam ir dormir. Foi excitação demais para um dia só.

O pai fica olhando com ressentimento o Autorama que desaparece da sala embaixo do braço do guri. Pensa, vagamente, em seguir o filho e propor uma barganha. “Escuta, a mãe não está nos ouvindo. Eu te dou todos os meus lenços e tu deixa eu armar o Autorama aqui no teu quarto, com a porta fechada.” Mas não. Os convidados, o que pensariam dele? Na certa que estaria bêbado, como no ano passado. Ele examina o livro que ganhou do cunhado. O Mundo Restaurado, de Henry Kissinger. O cunhado, inexplicavelmente, lhe atribui um grave interesse nos problemas contemporâneos. Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhados e pontos de exclamação na margem. Às vezes, telefona, com recados cifrados.

― Lembra aquela nossa conversa?

― Qual?

― Veja na terceira página do Correio de hoje. Um pequeno tópico no canto inferior direito. É a prova de tudo aquilo que nós discutíamos no outro dia, lembra?

― Não.

― A crise é irreversível, meu filho. Um abração.

Ele só ganha presente de homem sério. De homem preocupado com os problemas contemporâneos. Lenços brancos, camisas sóbrias, meias pretas e marrons. No ano passado, deu para um primo taciturno uma gravata cinza escura com manchas pretas e estrias roxas, como hematomas. Com um cartão gozando a seriedade do primo. Este ano recebeu de volta a mesma gravata. Sem cartão. As pessoas, pensa, me confundem com um adulto. Vê a filha mais velha que passa equilibrando várias caixas de presentes.

― Te desafio para uma partida de damas. Não é uma proposta carinhosa. É um desafio mesmo. Posso derrotar qualquer criança nesta sala! Dama, moinho, bola de gude, palavra-cruzada…

A filha o ignora e também vai para o quarto. Decidiram, ele e a mulher, não dar nenhuma arma de brinquedo no Natal. Nem arco e flecha. Os psicólogos não aconselham. Mas ele agora tem uma lembrança que lhe sobe até a garganta e fica atravessada: aos doze anos ganhou uma metralhadora de latão que cuspia fogo. Tinha uma manivela do lado que a gente girava e a metralhadora cuspia fogo! O cunhado senta ao seu lado, com um copo de uísque na mão. Aponta para o livro.

― Isso aí explica muita coisa. Lembras daquela minha tese?…

Mas ele não ouve mais nada. Ergue o Henry Kissinger até os olhos, como se mirasse uma metralhadora, e começa a girar uma manivela invisível do lado do livro. Ao mesmo tempo, com a boca imita o ruído de tiros, e descobre entusiasmado que ainda não perdeu o jeito. O cunhado fica olhando, entre surpreso e divertido, enquanto ele varre a sala com rajadas imaginárias.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011
Considere as seguintes palavras, retiradas do texto:

I. ressentimento.
II. desaparece.
III. vagamente.

As palavras dadas apresentam marcas que indicam processos derivacionais de formação. Apresenta(m) prefixo em sua(s) estrutura(s) apenas a(s) palavra(s):
Alternativas
Q3731538 Português
Considere as palavras “carnívoros”, “ecólogas”, “linguistas” e “infelizes”. Flexionam apenas em número as palavras: 
Alternativas
Q3731539 Português
Considere as seguintes sentenças:

I. Que modos são esses?
II. Você tem que fazer suas tarefas antecipadamente.
III. Desejo que você seja feliz.

A palavra “que” funciona como conjunção integrante apenas na(s) sentença(s): 
Alternativas
Q3731540 Português
Assinale a alternativa que apresenta a palavra incorreta em relação ao emprego do hífen.
Alternativas
Q3731541 Estatística

A tabela abaixo mostra uma série histórica do desmatamento no Brasil:


Imagem associada para resolução da questão


Analisando a tabela, em quantos km2 a média do desmatamento de 2018 a 2022 foi maior que a média de 2013 a 2017? 

Alternativas
Q3731542 Raciocínio Lógico
Um navio descarregou uma mercadoria desconhecida num porto em uma plataforma dentre as cinco disponíveis: A, B, C, D ou E. Durante as investigações, as autoridades perguntaram aos responsáveis de cada uma delas. Eles responderam:

A: O navio descarregou na plataforma C ou D;
B: O navio não descarregou aqui;
C: O navio não descarregou na plataforma E;
D: O navio não descarregou na plataforma C;
E: O navio descarregou na plataforma B.


Sabendo que apenas um deles mentiu, em qual plataforma o navio descarregou?
Alternativas
Q3731543 Matemática
A professora perguntou a Júlio sobre a sua idade e a da sua irmã. Júlio respondeu:
A soma das nossas idades é igual a 32. Além disso, se minha irmã fosse 12 anos mais velha, teríamos a mesma idade.

Considerando as afirmações, qual a razão entre as idades de Júlio e da sua irmã? 
Alternativas
Q3731544 Matemática
A absorção de luz solar por uma célula fotovoltaica não é a mesma ao longo do dia devido à rotação da Terra. Suponha que a geração de energia y por uma célula é dada pela equação (para y > 0):

y = -x2 + 22x - 85,

Onde x é a hora do dia. Em qual hora do dia, dentre os limites da função, a geração de energia será máxima? 
Alternativas
Q3731545 Matemática
Um condutor faz um teste e verifica que seu automóvel tem um consumo de 15 km/litro quando ele usa combustível comum, e de 18 km/litro quando ele abastece com combustível aditivado. O preço por litro desses combustíveis é R$ 5,50 e R$ 6,00, respectivamente. Numa segunda-feira, com o tanque vazio, o condutor abastece R$ 66,00 de combustível comum e dirige até consumi-lo totalmente no mesmo dia. No dia seguinte, o motorista abastece o mesmo valor, porém usando combustível aditivado, e também consome todo o combustível no mesmo dia. Nesta situação, quantos km a mais o condutor consegue percorrer no dia em que abasteceu com o combustível aditivado? 
Alternativas
Q3731546 Raciocínio Lógico
Emília fez um questionário aos seus colegas de classe. Ela fez três perguntas, de respostas únicas e obrigatórias ‘sim’ ou ‘não’: “Você gosta de sorvete?”, “Você gosta de pizza?”, e “Você gosta de hambúrguer?”. Ela organizou as respostas no diagrama lógico a seguir, onde o retângulo maior agrupa todas as pessoas do conjunto: 
Imagem associada para resolução da questão
O triângulo representa as pessoas que afirmaram que gostam de sorvete, o quadrado representa as pessoas que não gostam de pizza, e o círculo representa as pessoas que gostam de hambúrguer. Qual das seguintes afirmações pode ser deduzida a partir do diagrama? 
Alternativas
Q3731547 Matemática
Observe a seguinte sequência numérica:

2, 3, 5, 7, 11, 13, ...

Indique o próximo elemento desta sequência:
Alternativas
Q3731548 Matemática
Um triângulo isósceles tem razão entre sua base (lado maior) e altura dada por 8/3. Sabendo-se que sua altura vale 1 cm, indique a razão entre a sua área e o seu perímetro: 
Alternativas
Q3731549 Matemática
Um site de revenda de passagens aéreas tem a seguinte estratégia de mercado: Ele retém 15% do preço pago final pelo cliente, e repassa o restante para a companhia aérea. Sabendo-se que os custos operacionais da companhia é 75% do valor que ela recebe e o restante é lucro, quanto o lucro da companhia representa do valor total pago pelo cliente?
Alternativas
Q3731550 Raciocínio Lógico

Observe a seguinte sequência:


  Imagem associada para resolução da questão


Indique a próxima figura da sequência de acordo com as correspondências abaixo:   


Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Respostas
1: E
2: D
3: B
4: A
5: A
6: A
7: D
8: A
9: C
10: C
11: C
12: D
13: B
14: A
15: D
16: E
17: B
18: A
19: C
20: E