Questões de Concurso Sobre psiquiatria

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Q4215421 Psiquiatria

Texto para a questão 


    Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.


    Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.


    Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.


    Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.


    Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.

Se fosse considerada dependente de maconha, Beatriz 
Alternativas
Q4215419 Psiquiatria

Texto para a questão 


    Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.


    Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.


    Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.


    Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.


    Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.

Numa perícia psiquiátrica no processo trabalhista, o perito deveria 
Alternativas
Q4215417 Psiquiatria

Texto para a questão 


    Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.


    Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.


    Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.


    Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.


    Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.

Tendo voltado para sua cidade natal, a perícia psiquiátrica de Tânia 
Alternativas
Q4215416 Psiquiatria

Texto para a questão 


    Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.


    Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.


    Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.


    Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.


    Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.

No processo trabalhista contra os patrões, Tânia alega estar deprimida pelo ocorrido no trabalho e alega danos morais. Com relação aos danos morais, durante uma eventual perícia 
Alternativas
Q4215409 Psiquiatria

Texto para a questão 


    Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.


    Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.


    Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.


    Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.


    Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.

Caso exista suspeita de que Dona Maria tem um quadro demencial inicial e Carlos iniciasse um processo de interdição, cabe ao perito determinar 
Alternativas
Q4215404 Psiquiatria

Texto para a questão 


    Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.


    Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.


    Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.


    Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.


    Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.

Com relação à simulação de amnésia, durante a perícia psiquiátrica, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4215285 Psiquiatria
Mulher, 42 anos de idade, advogada, G5P2A2, com antecedente de 2 partos normais a termo de um relacionamento anterior, sem intercorrências durante a gestação e partos. Com o atual marido, apresentou 2 abortamentos de primeiro trimestre, há cerca de 1 ano, sem causa aparente. Refere quadro depressivo há 15 anos, após a separação do primeiro marido, com tratamento medicamentoso. Na atual gestação, apresentou alteração no ultrassom morfológico de primeiro trimestre, sendo submetida a biópsia de vilo corial e diagnosticada trissomia do cromossomo 21. Comparece à consulta de pré-natal de rotina com 20 semanas, referindo tristeza, perda de ânimo, com dificuldade para realizar as tarefas domésticas e do trabalho. Refere, também, perda de apetite e dificuldade para acordar. Está ansiosa para realizar o ultrassom morfológico de segundo trimestre, devido à possibilidade de malformações cardíacas fetais, sente-se culpada pela alteração fetal. Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica e a conduta adequada para o caso, respectivamente.
Alternativas
Q4215207 Psiquiatria
Homem, 49 anos de idade, etilista importante (meia garrafa de destilado por dia), em tratamento de carcinoma escamoso de laringe, em uso de traqueostomia, comparece no pronto socorro com quadro de piora da secreção traqueal, febre e queda do estado geral. Encaminhado à UTI para antibioticoterapia e monitorização respiratória. Após 48 horas, paciente evoluiu com agitação psicomotora, sudorese, FC de 140 bpm (ritmo sinusal), PA de 170×110 mmHg e um episódio de crise convulsiva tônico-clônico generalizada com reversão em menos de um minuto. 

• Gasometria arterial:
pH: 7,5
pO2: 80 mmHg
pCO2: 32 mmHg
HCO3-: 21 mEq/L
BE: -1
SpO2: 96%
Na+: 154 mEq/L 

Restante dos exames laboratoriais normais, dextro de 90 mg/dL. Assinale a alternativa que apresenta o provável diagnóstico e tratamento indicado.
Alternativas
Q4215117 Psiquiatria
Paciente de 28 anos de idade, apresenta quadro de euforia persistente há 10 dias, com redução da necessidade de sono, aumento da autoestima, comportamento sexual de risco, gastos excessivos e fuga de ideias. Relata episódio prévio de humor deprimido com anedonia e hipersonia por aproximadamente 3 semanas, há 1 ano. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável. 
Alternativas
Q4214494 Psiquiatria
Os sintomas afetivos que estão presentes no paciente com dor crônica 
Alternativas
Q4214017 Psiquiatria
Gabriela, 10 anos de idade, foi encaminhada para avaliação psiquiátrica por dificuldades persistentes no desempenho escolar, linguagem pobre, e dificuldades com habilidades adaptativas, especialmente relacionadas à comunicação e autonomia. Foi avaliada por neuropsicólogo, que identificou QI total de 65 em escala padronizada para a população brasileira. A família relata atrasos em alguns marcos do desenvolvimento. Nega agravos perinatais significativos. Com base nos critérios diagnósticos do DSM-5, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4214016 Psiquiatria
Sobre a psicopatologia do desenvolvimento, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4214015 Psiquiatria
Carolina, 15 anos de idade, foi trazida para atendimento pela mãe, que percebeu uma piora da irritabilidade, além de maior isolamento social e queda no rendimento escolar nos últimos quatro meses, depois que sofreu bullying na escola. No atendimento, Carolina relata tristeza, baixa autoestima, dificuldade de concentração e episódios mais frequentes de choro. Nega uso de substâncias, mas admite pensamentos negativos sobre si mesma, desesperança em relação ao futuro e ideação suicida sem planejamento. A mãe refere preocupação com o futuro de Carolina, pois o pai tem histórico de ansiedade e episódios depressivos recorrentes desde a adolescência, após episódio de abuso sexual, e está passando um momento difícil, pois está desempregado e tem tido dificuldade de encontrar trabalho devido sua baixa escolaridade. 
Alternativas
Q4214014 Psiquiatria
Em relação aos modelos etiopatogênicos contemporâneos dos transtornos mentais, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4214012 Psiquiatria
Paciente do sexo masculino, 16 anos de idade, é trazido pelos pais à consulta devido a uso excessivo de jogos online (MMORPGs - Massively Multiplayer Online Role-Playing Game), com duração diária superior a 10 horas, inclusive durante a madrugada. Relatam importante prejuízo acadêmico, isolamento social progressivo, agressividade quando confrontado e recusa em participar de atividades offline. O paciente admite dificuldade de controle sobre o tempo de jogo, mesmo com tentativas prévias de limitação. Durante a avaliação, observa-se humor deprimido, anedonia, hipersonia, sentimentos de inutilidade e irritabilidade persistente há pelo menos dois meses. Não há história de uso de substâncias, sintomas psicóticos ou transtornos do neurodesenvolvimento. O paciente aceita iniciar acompanhamento, mas demonstra resistência à redução imediata do tempo de jogo. Os pais mostram-se dispostos a participar do tratamento. Com base nas evidências mais recentes, qual é a estratégia terapêutica inicial mais adequada para esse caso? 
Alternativas
Q4214011 Psiquiatria
O tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é baseado em intervenções terapêuticas de acordo com a expressão sintomática de cada paciente, envolvendo, a grosso modo, intervenção comportamental, fonoaudiológica e terapia ocupacional. No entanto, a intervenção medicamentosa em crianças pode ser indicada para a melhora de sintomas alvo e tratamento de comorbidades. Em relação ao uso de psicofármacos em crianças com TEA, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4214010 Psiquiatria
Rafaela, 16 anos de idade, é levada pela mãe à consulta com queixas de recusa escolar, crises de choro matinais associados a sintomas de ansiedade intensa. Quando questionada, a paciente relata preocupação frequente de que algo ruim aconteça com seus pais (doença, ferimentos, desastres ou morte) ou consigo mesma (perder-se, ser sequestrada, sofrer um acidente, ficar doente). Acha que os sintomas se intensificaram após a morte da avó materna há um ano. Antes de apresentar recusa escolar, a paciente tinha bom rendimento escolar, referia poucos amigos, mas não relatava situações de conflitos com colegas. Quando questionada, diz que é caseira, que gosta de ficar com a família, e refere que nunca dormiu fora de casa (na casa de amigos ou parentes), e nunca viajou sem os pais. Está preocupada porque em breve terá uma viagem de estudo do meio com a escola. Com base no caso descrito, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4214009 Psiquiatria
“Ele não tem Transtorno de Oposição Desafiante (TOD), ele é assim por causa dos pais que não dão limite”. Sobre essa fala que expõe a problemática de diagnósticos na infância e adolescência, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4214008 Psiquiatria
Lucas, de 8 anos de idade, foi levado à UBS por sua mãe, devido a preocupações em relação ao comportamento do filho e possíveis impactos em seu desenvolvimento. Segundo a mãe, diariamente o filho se recusa a obedecer, tem dificuldade em aceitar limites, é respondão, discute com adultos, perde a paciência e se descontrola com facilidade. A mãe diz que tenta colocar limites, coloca-o de castigo, no entanto, Lucas culpa os outros por seus erros e não muda o seu comportamento. A mãe acha que estes comportamentos começaram por volta dos 5 anos de idade e se intensificaram nos últimos 12 meses. Na escola, o comportamento de Lucas é semelhante, e a mãe observa prejuízos no relacionamento do filho com professores e colegas. Ela mostra-se cansada, conta que cuida do filho sozinha e percebe um desgaste importante na relação entre os dois. Além disso, tem estado mais nervosa, nos últimos meses, pois está passando por situação financeira difícil, desde que ficou desempregada. Tem tido dificuldade, inclusive, para comprar alimentos. Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4214007 Psiquiatria
Sobre o transtorno afetivo bipolar (TAB), assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
1201: A
1202: B
1203: A
1204: A
1205: C
1206: C
1207: A
1208: C
1209: A
1210: B
1211: D
1212: A
1213: A
1214: A
1215: D
1216: B
1217: B
1218: C
1219: A
1220: C