Questões de Concurso
Sobre psicofarmacologia em psicologia
Foram encontradas 197 questões
1. Os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) são a classe de antidepressivos mais amplamente prescrita para o tratamento da depressão e ansiedade, devido ao seu perfil de segunda geração.
2. Os antipsicóticos de segunda geração, como a clozapina, são eficazes no manejo dos sintomas negativos da esquizofrenia, mas requerem monitoramento rigoroso devido ao risco de agranulocitose.
3. O sódio e o potássio, como estabilizador de humor de escolha para o tratamento do transtorno bipolar, e seus níveis plasmáticos devem ser monitorados regularmente para evitar toxicidade.
4. A carbamazepina e o ácido valpróico são anticonvulsivantes frequentemente utilizados no manejo de crises epilépticas e também como estabilizadores de humor em transtornos bipolares.
5. A tolerância e a dependência são riscos associados ao uso prolongado de benzodiazepínicos, que são comumente prescritos para o tratamento de insônia e transtornos de ansiedade.
Alternativas:
1. Os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) são frequentemente usados no tratamento da depressão e dos transtornos de ansiedade.
2. Os antipsicóticos típicos, como o haloperidol, agem principalmente bloqueando os receptores de dopamina no cérebro.
3. Os benzodiazepínicos, usados no tratamento da ansiedade, podem levar à dependência se usados a longo prazo.
4. Os estabilizadores de humor, como o lítio, são eficazes no tratamento do transtorno bipolar, mas requerem monitoramento regular dos níveis sanguíneos.
5. A farmacocinética estuda como os medicamentos são metabolizados pelo corpo, enquanto a farmacodinâmica estuda os efeitos dos medicamentos no corpo.
Alternativas:
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Psicodélicos agem contra a depressão ao estimular conexões entre neurônios
Estudos realizados nos últimos anos com um número ainda modesto de participantes sugerem que os psicodélicos, compostos conhecidos por alterarem a percepção da realidade e causarem alucinações, têm um efeito antidepressivo rápido e potente. Um trabalho internacional publicado em 5 de junho na revista Nature Neuroscience está ajudando a desvendar como eles atuam para amenizar a depressão. O estudo, do qual participaram três pesquisadores brasileiros, indica ainda que o efeito contra a depressão seria independente daquele que causa a distorção da realidade, o que pode, em princípio, levar ao desenvolvimento de medicamentos mais eficazes e livres dos efeitos alucinógenos para tratar um problema que aflige cerca de 300 milhões de pessoas no mundo.
Em experimentos com células e animais de laboratório, o grupo coordenado pelo neurocientista Eero Castrén, da Universidade de Helsinque, na Finlândia, verificou que os psicodélicos preparam os neurônios para responder melhor a uma proteína que estimula a formação de novas conexões com outras células e do reforço das já existentes, o fator neurotrófico derivado de encéfalo (BNDF). Compostos como o ácido lisérgico (LSD) e a psilocina, extraída de cogumelos do gênero Psylocibe, aderem a uma proteína da membrana dos neurônios chamada receptor de quinase B relacionado à tropomiosina (TrkB), que é ativado pelo BDNF. Produzido no próprio cérebro, o BDNF, ao se ligar ao TrkB e ativá-lo, desencadeia uma cascata de comandos químicos que levam as células neuronais a se multiplicar ou a emitir prolongamentos e pontos de contatos com outros neurônios. Esse fenômeno, conhecido como neuroplasticidade, está associado à capacidade do cérebro de aprender e armazenar informações e à melhora dos sintomas depressivos.
Bioquímicos, farmacologistas e médicos já suspeitavam de que a neuroplasticidade talvez fosse o fator responsável pela ação antidepressiva de muitos medicamentos, inclusive daqueles que aumentam os níveis do neurotransmissor serotonina, como a fluoxetina e similares. Uma das razões para a desconfiança de que o efeito desses compostos não fosse decorrente apenas do aumento da disponibilidade de serotonina ou de outros neurotransmissores é que os níveis deles sobem muito rapidamente após o início do tratamento, mas os sintomas da depressão só começam a diminuir semanas mais tarde. "Já se imaginava que, além do aumento dos níveis de serotonina, existiam outros fatores envolvidos", conta o farmacologista brasileiro Cassiano Ricardo Diniz, coautor do estudo. Ele participou dos experimentos que mostraram a ação antidepressiva dos psicodélicos via TrkB durante a temporada que passou no laboratório de Castrén, na Finlândia. "Evidências obtidas por outros grupos sugeriam que o efeito antidepressivo de vários medicamentos se dava via BDNF, mas achávamos que a ação ocorria de forma indireta, pelo aumento dos níveis desse fator neurotrófico, e não porque os antidepressivos se conectavam à molécula que facilita a ação dele."
O que se viu para o LSD e a psilocina, a forma da psilocibina que chega ao cérebro, já havia sido observado pelo grupo de Castrén em outros tipos de antidepressivo. Experimentos conduzidos pelo farmacologista brasileiro Plínio Casarotto, que integra a equipe finlandesa, e publicados em 2021 na revista Cell mostraram que também a fluoxetina, da categoria dos inibidores de recaptação de serotonina, a imipramina, um antidepressivo tricíclico, e a cetamina, um anestésico com ação antidepressiva, promoviam a neuroplasticidade por aderir ao TrkB e facilitar a ação do BNDF. "Os antidepressivos, sozinhos, não acionam esse receptor, mas o colocam em um estado suscetível à ativação pelo BDNF", conta Casarotto, outro coautor do estudo.
As descobertas desse estudo, dizem os autores, abrem caminho para o desenho de compostos com estrutura análoga à dos psicodélicos, que apresentem alta afinidade com o TrkB e ação antidepressiva de início rápido e duração prolongada, mas sem os efeitos alucinógenos. "Os dados sugerem fortemente essa possibilidade, mas é necessário que outros estudos reproduzam os resultados", afirmou o psiquiatra Jaime Hallak, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (FMRP-USP), que não participou da pesquisa.
Para o psiquiatra Acioly Lacerda, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o desenvolvimento de um antidepressivo apenas com as características desejáveis dos psicodélicos reduziria o risco de haver dependência química e potencialmente diminuiria parte dos custos do tratamento. Hoje os psicodélicos são usados em alguns países para tratar depressão apenas em condições experimentais, em ensaios clínicos que necessitam de aprovação prévia de comitês de ética e de agências regulatórias. "O caminho para se chegar a um novo medicamento com essas características é longo e com elevadas taxas de insucesso", lembra Lacerda. "Mais de 90% das moléculas testadas para tratar doenças psiquiátricas não são aprovadas na fase final de ensaio clínico", conclui.
Retirado e adaptado de: FLORESTI, Felipe. Psicodélicos agem contra a depressão ao estimular conexões entre neurônios. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: oaao-esstimuuaa-conexxoessente-neeuroono
s/
icos-agem-contra-a-depressao-ao-estimular-conexoes-entre-neuronios/ Acesso em: 14 jul., 2023
Sobre o texto "Psicodélicos agem contra a depressão ao estimular conexões entre neurônios", analise as afirmações a seguir e a relação proposta entre elas:
I. Os pesquisadores já haviam desconfiado de que não era exclusivamente o aumento do nível de serotonina que influenciava positivamente no tratamento da depressão.
PORQUE
II. Os estudos indicam que a neuroplasticidade possivelmente seja o fator responsável pela ação antidepressiva de muitos medicamentos.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
1. A D-anfetamina pode ser utilizada no tratamento de hipersonias.
2. Podem aumentar a vigília e exercer efeitos cognitivos em adultos.
3. Podem ser empregadas no tratamento do Transtorno de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Analise as afirmativas abaixo em relação à cafeína.
1. É considerada o produto psicoativo menos consumido no mundo.
2. Apresenta-se regularmente em alguns chás, refrigerantes e no café.
3. Ela não tem implicações nas habilidades cognitivas.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.