Questões de Concurso Comentadas sobre pedagogia
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Fizemos um estudo da motivação da criança não reprimida [...]. Nossa tarefa era preservá-la, fortificando a criança contra o desânimo. Introduzimos o desânimo tão cuidadosamente quanto introduzimos qualquer situação emocional, iniciando ao redor dos seis meses. Alguns dos brinquedos, em nossos cubículos com ar condicionado, são projetados para criar perseverança. Um trecho de uma melodia de uma caixa de música, ou um padrão de luzes faiscantes, é arranjado de maneira a seguir uma resposta apropriada, digamos, apertar uma campainha. Mais tarde, a campainha deverá ser apertada duas vezes. É possível construir um comportamento fantasticamente perseverante sem mostrar frustração ou raiva. Pode não o surpreender saber que alguns dos nossos experimentos falharam: a resistência ao desânimo tornou-se quase estúpida ou patológica. Corre-se alguns riscos em trabalhos desse tipo, é claro. Felizmente, podemos reverter o processo e restaurar a criança ao nível satisfatório.
O excerto corresponde a uma citação utilizada por Davis e Oliveira (1994) para ilustrar uma perspectiva específica de desenvolvimento. Trata-se da concepção
Na escola tradicional cada um trabalha por si: a classe escuta o professor e, em seguida, cada um deve mostrar o que reteve das lições ou das leituras em casa. A classe, desse modo, nada mais é do que a soma de indivíduos, e não uma sociedade.
(Piaget apud Carvalho, 2001)
Em sua discussão a respeito do discurso pedagógico construtivista, Carvalho (2001) parte da descrição piagetiana sobre as chamadas escolas tradicionais para argumentar que tal descrição
Leia o poema a seguir.
[…] não é um gancho
em que se pendura cada som enunciado,
não é treinamento repetitivo
de uma habilidade,
nem um martelo
quebrando blocos de gramática.
[…] é diversão
é leitura à luz de vela
ou lá fora, à luz do sol.
São notícias sobre o presidente
O tempo, os artistas da TV
e mesmo Mônica e Cebolinha
nos jornais de domingo.
É uma receita de biscoito,
uma lista de compras, recados colados na geladeira,
um bilhete de amor,
telegramas de parabéns e cartas
de velhos amigos.
É viajar para países desconhecidos,
sem deixar sua cama,
é rir e chorar com personagens, heróis e grandes amigos.
É um atlas do mundo,
sinais de trânsito, caças ao tesouro,
manuais, instruções, guias,
e orientações em bulas de remédios,
para que você não fique perdido.
[…] é, sobretudo,
um mapa do coração do homem,
um mapa de quem você é, e
de tudo que você pode ser.
Kate M. Chong (apud Soares, 2009).
De acordo com Soares (2009), esse poema faz referência a qual conceito, que vai além da simples habilidade de ler e escrever, envolvendo a capacidade de usar a leitura e a escrita em diferentes contextos sociais?
[…] é a capacidade diferencial da criança para captar e utilizar os sinais e instruções daqueles que são mais eruditos, mais conscientes e mais experientes do que ela, e que, de fato, colaboram com ela. […] é como se o adulto que interage com a criança lhe emprestasse sua própria consciência ‘organizandolhe’ a situação de aprendizagem, propondo objetivos alcançáveis e ensinando-os adequadamente no curso da tarefa.
BRUNER, J. S. Concepções de infância: Freud, Piaget, Vygotsky. Acción, pensamiento y lenguaje. Madrid: Alianza Psicología, 1984, p. 4-5.
Esse conceito desenvolvido por Vigotski, que se refere à capacidade diferencial da criança para captar e utilizar os sinais dos mais eruditos que colaboram com ela, ou do educador, adulto que organiza as condições sociais favoráveis a seu desenvolvimento, trata-se da
A criança não pensa, no sentido estrito desse termo, mas ela vê mentalmente o que evoca. O mundo para ela não se organiza em categorias lógicas gerais, mas distribui-se em elementos particulares, individuais, em relação com sua experiência pessoal. O egocentrismo intelectual é a principal forma assumida pelo pensamento da criança neste estádio. Seu raciocínio procede por analogias, por transdução, uma vez que lhe falta a generalidade de um verdadeiro raciocínio lógico.
CAVICCHIA, Durlei de Carvalho. O desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida. Caderno de Formação: Formação de Professores Educação Infantil-Princípios e Fundamentos, v. 1, 2010, p. 10.
Esse trecho faz referência a qual dos estádios do desenvolvimento cognitivo propostos por Jean Piaget?
Leia o texto a seguir.
A partir de 1964, com a implantação da Ditadura Militar, primouse por estabelecer um governo com base no fortalecimento centralizador do Poder Executivo, pautando as ações administrativas pelo primado do econômico sobre os aspectos políticos e sociais. No tocante à questão educacional, defendiase, como pressuposto básico, a aplicação da teoria do capital humano como fundamentação teórico-metodológica instrumental para o aumento da produtividade econômica da sociedade.
FERREIRA JÚNIOR; BITTAR, 2008.
Nesse contexto, o que tomou vulto no âmbito do Estado brasileiro e na educação foi a ideologia
Leia o texto a seguir.
Não deixa de ser elucidativo perceber [o documento] como elemento de coesão de uma frente de educadores que, a despeito de suas diferenças, articulava-se em torno de alguns objetivos comuns, como a laicidade, a gratuidade e a obrigatoriedade da educação. Mas não foi apenas isso. O documento também foi representante de um grupo de intelectuais que abraçava um mesmo projeto de nação, ainda que com divergências internas. O expediente da organização de frentes, aliás, foi comum no final dos anos 1920 e no início da década de 1930, constituindo-se na estratégia utilizada para a conjugação de forças em torno de um ideal comum.
VIDAL, Diana Gonçalves. […]. Educ. Pesqui., São Paulo, v. 39, n. 3, jul./set. 2013, p. 584.
A qual documento o texto se refere?
Leia o texto a seguir.
[…] tende a recusar o modelo de teoria pedagógica inspirado pelo pensamento metafísico, e em particular metafísicoreligioso que – todavia – não desaparece, mas perde terreno, perde a unicidade como modelo para dar espaço também a outros itinerários de teorização. Estes se ligam mais estritamente ao empirismo, ao tempo histórico, às necessidades da sociedade, às ideologias que a percorrem, ativando assim um feixe e tipos, de modelos, de saber pedagógico […].
CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo: FEU, 1999, p. 212.
Essa teoria pedagógica atravessa o período da
Leia o texto a seguir.
[…] formação do homem através do contato orgânico com a cultura, organizada em curso de estudos, com o centro dedicado aos studia humanitatis, que amadurece por intermédio da reflexão estética e filosófica e encontra na pedagogia – na teorização da educação subtraída à influência única do costuma – seu próprio guia. Todo o mundo grego e helenístico, de Platão a Plotino, até Juliano, o Apóstata, e, no âmbito cristão, até Orígenes, elaborará com constância e segundo diversos modelos este ideal de formação humana, que virá a constituir […] o produto mais alto e complexo, mais típico da elaboração cultural grega e um dos legados mais ricos da cultura ocidental por parte do mundo antigo.
CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo: FEU, 1999, p. 49.
Esse ideal de formação humana trata-se
Leia o texto a seguir.
Em diferentes momentos da história da disciplina escolar de História, vemos travados embates entre, por um lado, aquelas/es que defendiam (e defendem) a premência das discussões em torno dos objetivos formativos (por que e para que ensinar História) e, por outro, aquelas/es que desviavam o foco para a questão das maneiras de ensinar (o como ensinar História). Ao observarmos as propostas curriculares para a disciplina elaboradas entre o final da década de 1980 até o ano de 2018, percebemos a forte centralidade que o como ensinar adquiriu, subordinando as discussões em torno do porquê e para que a ponto de possibilitar seu total apagamento, como é possível notar na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (BRASIL, 2018) [...].
SANTOS, Maria Aparecida Lima dos. O ensino de História em perspectiva neotecnicista: sentidos de atitude historiadora nas políticas curriculares hodiernas. In: PINTO JUNIOR, Arnaldo; SILVA, Felipe Dias de Oliveira; CUNHA, André Victor Cavalcanti Seal da (Orgs). A BNCC de História: entre prescrições e práticas. Recife: EDUPE, 2022, p. 155.
A autora crítica a BNCC de História por privilegiar o ensino pautado