Questões de Concurso
Sobre função social da escola e compromisso social do educador em pedagogia
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Considere a seguinte situação:
Um aspecto que nos chama a atenção é a ação da professora em anotar no caderno de Gustavo o poema que o grupo dele estava trabalhando. Ela faz pelo aluno aquilo que ele ainda não consegue fazer. Lembramos aqui do tão difundido conceito de zona de desenvolvimento proximal/iminente elaborado por Vygotsky (2006) que denota a indeterminação do processo e a abertura para novas possibilidades. E o aluno percebe ter o registro como os outros. Nessas condições, produz-se o gesto do aluno em imitar as ações dos colegas e tentar registrar o poema escrito em seu caderno na lousa. Considerando a imitação como uma forma de apropriação, essa situação indica-nos a possibilidade de novas formações que podem emergir no trabalho com o conhecimento. Embora não demonstre o domínio das letras, o modo de Gustavo se envolver na atividade mostra-nos como ele ocupa o lugar de aluno e incita-nos a pensar na criação de vias que ampliem as possibilidades de sua participação no trabalho de leitura e escrita.
(Adaptado de: DAINEZ, D; SMOLKA, A. L. B. "A função social da escola em discussão, sob a perspectiva da educação inclusiva". Educação e Pesquisa, vol. 45. São Paulo, abr. 2019)
A partir dessa situação observada no cotidiano de uma escola,
Considerando a perspectiva da teoria crítica da sociedade, assinale a alternativa incorreta.
I. Em nossa sociedade, ainda existe uma visão depreciativa de alguns pais sobre a escola, fato que gera um mal-estar pedagógico na dimensão e na relação escola-família-comunidade. II. A relação escola-família-profissionais liberais tem por principal objetivo levantar esforços para melhorar os resultados na aprendizagem do aluno. III. Um aluno não aprende devido à falta de motivação e apoio familiar. IV. A interlocução entre família-escola-comunidade busca meios de dividir responsabilidades sobre o desenvolvimento da aprendizagem. V. A indisciplina dos alunos é o principal mecanismo para que haja a divisão de responsabilidades entre escola-família-comunidade.
I- Frequência; II- data de matrícula inicial; III- avaliações, notas e/ou conceitos; IV- soma dos dias letivos, soma de feriados previstos no calendário escolar; V- dias letivos; VI- conteúdo programático.
Dos itens acima descritos, estão corretos, apenas:
O pedagogo, como articulador de ações educativas, deve auxiliar à comunidade escolar a redefinir a sua prática, no sentido de desmistificar as relações que se configuram no seu interior, buscando compreendê-las a partir dos pressupostos teóricos que apontem para a democratização do espaço escolar.
Pensar alternativas, criar espaços e tempos de reflexão implica corresponsabilizar-se na efetiva aprendizagem dos alunos. E não perder de vista a perspectiva de que o trabalho pedagógico requer uma capacidade contínua de análise, reflexão e ação contextualizadas. (adaptado: Lucia Cavichioli Pereira e Eliane Cleide da Silva Czernisz)
É fundamental que este profissional supere práticas cotidianas isoladas, sem reflexão e planejamento, que muitas vezes ficam circunscritas a atividades de reorganização de horários, atendimento de salas que estão sem professores etc., deixando em último plano o que seria o foco principal do seu trabalho, que é ser:
“Segundo Amorim Neto e Rosito (2009) o educador, além de sua formação acadêmica, deve trazer em si sinais de amadurecimento moral, afetivo e emocional para que ele possa conhecer-se e encontrar-se em si mesmo para depois dedicar-se verdadeiramente aos educandos. Segundo os autores a questão crucial para uma sociedade mais humana e fraterna é a valorização do convívio solidário entre os seres humanos. Sem isso a sociedade e as relações humanas serão caracterizadas pela indiferença e pela anulação do outro.
Desta forma, verificamos que as relações interpessoais que desenvolvemos ao longo de nossas vidas têm implicações decisivas em nossa maneira de agir e pensar. No ambiente escolar, especificamente, essa relação assume proporções muito significativas e repercute no processo ensino-aprendizagem, uma vez que educadores e educandos precisam estar sintonizados e voltados para um mesmo objetivo, ou seja, a construção e transformação do conhecimento. E esse objetivo só será alcançado de forma eficaz se a relação estabelecida entre os envolvidos no processo for positiva.” (Eliana Garcia)
Assim, vínculos positivos poderão despertar no aluno um interesse especial sobre determinado assunto ou conteúdo, por outro lado, vínculos negativos poderão trazer desinteresse e até mesmo aversão ao tema tratado ou disciplina.
Para a autora, o educador é o:
A Educação Integral é uma concepção de ensino apoiada em um tripé: ampliação do tempo, reflexão sobre as aprendizagens oferecidas e extensão dos espaços onde elas acontecem.
Marta Scarpato, professora (PUC-SP), destaca que, desde o século 18, já se acreditava e defendia que o ser humano deveria ser formado integralmente. "Nessa perspectiva, a escola teria o papel de propiciar um processo de ensino e aprendizagem visando não apenas o desenvolvimento cognitivo, mas também o social, o físico e o afetivo do aluno e de todos os envolvidos na Educação".
Na prática, conceber uma instituição de ensino integral é ir além da ideia de que os estudantes podem aprender e desenvolver, durante mais tempo, habilidades e competências em disciplinas como Língua Portuguesa, História, Ciências etc.
Esse tipo de escola vem para aumentar as diferentes possibilidades de aprendizagens, reafirmar o direito de todas as crianças e todos os adolescentes à Educação e ao acesso aos diversos conhecimentos.
Nesse sentido, podemos afirmar que a Educação Integral contribui para:
Mais do que os discursos, são a prática, o exemplo, a convivência e a reflexão sobre eles mesmos, em situações reais, que farão com que os alunos e as alunas desenvolvam atitudes coerentes com os valores que queremos que aprendam.
Por isso, o convívio escolar é um elemento-chave na formação ética dos estudantes e, ao mesmo tempo, é o instrumento mais poderoso que a escola tem para cumprir sua tarefa educativa nesse aspecto.
Os educadores devem sempre estar atentos à coerência entre o discurso e a ação: respeitar para ser respeitado, assumir e cumprir suas responsabilidades como forma de compartilhar com os estudantes a importância dessas atitudes.
Daí a necessidade de os adultos reverem o ambiente escolar e o convívio social que ali se expressa, a partir das relações que estabelecem entre si e com os estudantes, buscando a construção de ambientes mais:
“Conforme Mantoan, uma escola de qualidade desenvolve um projeto pedagógico centrado no aluno como estratégia de permanência e sucesso na escola assegurando aprendizagem a todos os alunos. Este deve ser o objetivo primordial de uma instituição escolar: garantir a aprendizagem a todos os alunos. Entretanto, sabe-se que este é um direito que não vem sendo garantido.
A escola tem se tornado, cada vez mais, produtora do fracasso escolar e pior, atribuindo aos próprios alunos a culpa pelo seu fracasso. Ceccon explica que “na verdade, a escola produz muito mais fracassos do que sucessos, trata alguns alunos melhor do que outros, e convence os que fracassam de que fracassam, porque são inferiores”.
Não se pode atribuir a culpa do fracasso escolar ao aluno ou às condições adversas que porventura ele enfrente. É preciso ter em mente que os alunos são diferentes, que não se pode esperar o mesmo desempenho de todos os alunos, nem tampouco que se interessem pelas mesmas coisas ou que aprendam no mesmo ritmo.”
(www.imprensaoficial.com.br )
Quando for superado o desejo de uniformidade, reconhecendo não só a existência, mas o valor da diversidade, será possível garantir: