Questões de Concurso Sobre vocativo e termos acessórios da oração: adjunto adnominal, diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal, adjunto adverbial e aposto em português

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Q4264014 Português
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Pelé, impossível esquecer

por José Cruz

     Em menos de um mês, o Brasil ganhou destacado espaço na imprensa esportiva internacional. Ironicamente, para registrar duas tristezas. A eliminação da Seleção Brasileira do Mundial do Catar e, a mais recente, a morte do Atleta do Século, Pelé. Entre pódios e alegrias, no futebol e fora dele, o Brasil esportivo também passa por traumas que entristecem a todos. Como a morte de Ayrton Senna, por exemplo, em 1994. O cortejo fúnebre de ontem, em Santos, na despedida de Pelé, lembrou o choro nacional de quando Senna foi sepultado. Nunca mais tivemos um piloto com as características do tricampeão mundial, que nos deixou prematuramente. No futebol, vibramos com outros craques que nos enchem de orgulho. Mas nenhum como Pelé. Nem aqui nem em outro lugar do mundo.
    Sobre Pelé já se escreveu tudo, principalmente os que tiveram o privilégio de com ele conviver, como os cronistas da velha guarda, por exemplo. Pelé foi o tal! Como era craque e famoso, podia ousar. E foi assim que arriscou no cinema e na música. Mas o seu chão, mesmo, era a grama dos estádios onde ele desfilou com classe e jogadas criativas que hoje ainda nos deixam babando diante da TV. Porém, Pelé nunca colocou o seu valorizadíssimo prestígio internacional para combater a discriminação dos negros no esporte, aqui e mundo afora. Chegou a ser criticado por essa omissão. Mesmo assim, raramente falava sobre essa agressão no mais popular dos esportes.
    Quem sintetiza esse tema é a jornalista Angélica Basthi. Em seu livro Pelé: uma estrela negra em campos verdes ela escreveu: "Em 2014, ao comentar o racismo sofrido pelo goleiro Aranha, durante um jogo pelo Santos (time que Pelé também defendeu), disse que, se tivesse parado toda partida em que alguém o chamasse de 'macaco' ou 'crioulo', todos os jogos dos quais participou teriam que ser interrompidos — admitindo, pela primeira vez, que sofria discriminação racial".
    Essa abordagem me lembra de uma entrevista com Pelé, ao lado do também bicampeão mundial, Nilton Santos. Os dois moravam em Brasília. Pelé era ministro extraordinário do Esporte, governo de Fernando Henrique Cardoso. Nilton tinha uma escolinha de futebol no estádio Mané Garrincha. Por sugestão do jornalista André Gustavo Stumpf, a editoria de Esportes do Correio Braziliense reuniu os dois astros numa conversa de quatro horas. Em volta da mesa estavam craques da reportagem, como Ricardo Noblat, José Antônio Alves, Roberto Naves, Ricardo Mendes... A gravação durou quatro horas e o resultado daquele riquíssimo encontro foi publicado numa edição de 16 páginas do Correio, em 1994, se não me engano.
    Quando Pelé chegou para a entrevista, Nilton contava histórias maravilhosas da Seleção Brasileira na Suécia, em 1958, ano da primeira conquista do título mundial. Nilton tratava Pelé de "Negrão". E lembrou que as loirinhas escandinavas "nunca tinham visto um crioulo, jovem (tinha 17 anos), pernas de atleta completo, e por ele logo se apaixonavam". O "Negrão" riu com vontade e confirmou aquela confidência do amigo. E foi assim durante todo o papo, sem que ninguém se ofendesse por usar tais expressões que, hoje, motivam processos e longas reportagens.
    Enfim, Pelé o "Atleta do Século" mereceu todas as homenagens que recebeu "em vida", como sempre desejou.
   Lamentavelmente, Brasília não pôde participar dessa despedida com lembranças que honrem o passado de Pelé por aqui. Num legítimo trambique que envolveu construtoras, a Federação Brasiliense de Futebol e a Câmara Legislativa do Distrito Federal, o Estádio Pelezão, inaugurado em 1966, no Setor de Oficinas Sul, ao lado do Carrefour, foi demolido. O ato criminoso para o esporte em geral ocorreu em 2009, sem qualquer protesto. No lugar estádio, surgiram imponentes edifícios. E o dinheiro dessa transação perdeu-se em distribuições suspeitas entre cartolas de então. Enfim, "vida que segue", como diria João Saldanha, craque do jornalismo esportivo e que, como treinador, de Pelé, inclusive, classificou a Seleção Brasileira para a campanha do tricampeonato mundial, em 1970, no México.
    Pelé não foi só o craque que encantou o mundo. Ele foi mais... Não deixava repórter sem resposta e valorizava o trabalho da imprensa. Era gentil nas relações, fora de campo, claro. Como ministro chegou, certa vez, para uma solenidade no Hotel Nacional, por volta da 19h. A multidão o cercou, abraços e autógrafos. Ao ver os repórteres num "cercadinho" (perdão, leitores...) ele levantou os dois braços e, com sua voz forte e rouca, pediu um pouco de silêncio e lascou: "Vou atender os repórteres, primeiro. Eles têm hora para fechar os jornais e nós temos a noite toda para ficar aqui". E assim foi. Como esquecer de um cara desses?

Disponível em https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2023/01/5063638- artigo-pele-impossivel-esquecer.html
Assinale a alternativa que apresenta um vocativo.
Alternativas
Q4263867 Português
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Nunca “abra mão” dos seus valores e seja uma eterna aprendiz Na coluna desta semana, conheça a história de Maria Fernanda Teixeira, presidente do Conselho de Administração da Pérola
S.A

Por Fabiana Monteiro

    Natural de Guarda, uma pequena cidade no leste de Portugal, cheguei ao Brasil quando tinha apenas sete anos de idade. Meus pais decidiram atravessar o Atlântico para evitar que os dois filhos mais velhos fossem convocados para a guerra colonial, comandada por Salazar, então, ditador do Estado português. Como imigrante, aprendi cedo o valor do esforço próprio e da estratégia para alcançar minhas metas.
    Aos 9 anos de idade, além de ajudar no atendimento de um bar administrado pela família, eu “abraçava” todas as oportunidades que pudesse para conseguir minha própria renda. Por isso, consegui meu primeiro emprego formal aos 14 anos na área de Tecnologia da Informação (TI) no Banco de São Paulo.
   Três anos depois, recém-casada, ingressei na General Motors (GM) do Brasil, onde desempenhei diversos cargos de gestão no departamento de TI. Seguindo o planejamento que havia feito para minha carreira, e contornando as contingências da vida, como não tinha dinheiro o suficiente para a Faculdade, parei por cerca de 2 anos os meus estudos, com muita lástima. Em seguida, iniciei a graduação em Administração pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e estudei inglês, além de ter me tornado mãe pela primeira vez já no primeiro ano da Faculdade, decidi não parar a Faculdade, nem o Inglês, pois sabia que esses estudos fariam toda diferença na minha carreira.
    Em 1985, fui contratada pela Electronic Data Systems (EDS), onde permaneci por quase 20 anos. Na empresa, atuei em diferentes cargos, desde a gestão de operação e relacionamento com clientes até ser promovida a VicePresidente executiva de operações (COO) da marca em toda a América Latina. Foi nessa época que eu tive minha primeira experiência como conselheira. Assim, recebi um convite para ocupar uma das cadeiras do conselho da Câmara Americana do Comércio (Amcham), em que também participei de diversos comitês, dentre eles o de sustentabilidade. Já nesse período, eu atuava como promotora da diversidade no ambiente empresarial, fundando grupos de mulheres executivas em São Paulo, no Paraná e no Rio de Janeiro. Isso chamou a atenção do Banco Mundial, sediado em Washington, D.C. Assim, torneime representante da América Latina no conselho de “Gender & Development”, responsável por avaliar todos os projetos da instituição e garantir a diversidade neles. Isso me levou a estudar mais a fundo o trabalho dos conselhos de administração.
    Por isso, eu me especializei, por meio da Universidade de Harvard, em conselhos de administração, e me certifiquei no Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, como conselheira. Além disso, fiz cursos de liderança executiva na INSEAD, transformação digital no Massachusetts Institute of Technology (MIT), liderança em economia global na Thunderbird, ESG Competent Boards, dentre outros.
    Ainda ocupei a Presidência do ICT Group para a América Latina entre 2006 e 2009, e atuei como Presidente do First Data Brazil e COO do First Data Corporation para a América Latina entre 2009 e 2013, tornando-me a VicePresidente Sênior (SVP) do grupo nos três anos seguintes. 
    Em 2016, fundei e liderei a Integrow Beyond Numbers. A empresa é uma consultoria que ajuda organizações de diversos setores da economia a criar, a gerir e a aprimorar programas integrados de governança corporativa, gestão de riscos, compliance e ética. No primeiro ano da Integrow, certifiquei a empresa com o selo “B Corporate” que tem as mesmas linhas de atuação do atual ESG. Após quatro anos, fui me dedicar, exclusivamente, aos conselhos e aos comitês que fazia parte.
    Atualmente sou Presidente do conselho de administração da Pérola S.A. e Conselheira de Comitês na Raia Drogasil, do Grupo Simpar, do Grupo Vamos, Claranet Technology. Também tenho uma cadeira no conselho de administração do The Dialogue for Americas, de outras ONG’s e Institutos, além de Conselheira Emérita do Capitalismo Consciente. Consagrada especialista em ESG, sou uma das fundadoras do Grupo Mulheres do Brasil e já fui premiada por três vezes pela Forbes como a mulher executiva mais influente em Tecnologia e Negócios.
     [...]

Adaptado de https://exame.com/colunistas/historias-de-sucesso/nunca-abra-maodos-seus-valores-e-seja-uma-eterna-aprendiz/
Assinale a alternativa cujo trecho tenha utilizado as vírgulas com o mesmo objetivo do seguinte trecho: “Natural de Guarda, uma pequena cidade no leste de Portugal, cheguei ao Brasil quando tinha apenas sete anos de idade.”
Alternativas
Q4263539 Português

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Profissionalização é fundamental para crescimento do mercado de aluguel no Brasil Com o desenvolvimento do país, o mercado de aluguéis tende a crescer, e profissionalização do segmento é o motor central para isso acontecer


        O número de brasileiros que moram de aluguel irá aumentar nos próximos anos. A afirmação pode parecer muito categórica, mas o cenário internacional permite fazer esse tipo de previsão com relativa segurança.


        À medida que um país se desenvolve e suas metrópoles tornam-se maiores, mais diversas e densamente povoadas, o aluguel tende a ser a modalidade predominante de moradia, ao menos nas grandes cidades.


        Peguemos como exemplo a cidade de Nova York, nos Estados Unidos: quase 70% de seus habitantes vivem em imóveis alugados, de acordo com o NYU Furman Center, que pesquisa questões de moradia. Em Manhattan, região central da cidade, mais densa e valorizada, esse índice está na casa dos 76%. Se olharmos para outras grandes metrópoles como Paris, Londres ou Barcelona, encontraremos estatísticas similares. 


        No mercado imobiliário brasileiro isso também acontecerá, mas não a curto prazo. Aqui, não mais do que 30% da população vive em imóveis alugados, sendo uma parte relevante feita sem o apoio devido de um profissional de gestão. Há diferenças importantes também na maneira como esse mercado está organizado: a enorme maioria dos imóveis disponíveis para aluguel pertence a pessoas físicas. Nos Estados Unidos e países da Europa, uma parcela relevante dos imóveis de locação pertence a investidores profissionais, incorporadoras ou fundos imobiliários, que se dedicam exclusivamente à gestão dos aluguéis.


        Em suma, o mercado de locação brasileiro ainda é pouco profissionalizado se comparado ao de países desenvolvidos. Quem já precisou alugar uma casa ou apartamento sabe como a jornada do aluguel, do momento da escolha do imóvel até a entrega da documentação, pode ser desafiadora. Alguns critérios mudam radicalmente de um proprietário para outro, por vezes as partes não têm clareza sobre as obrigações de cada lado, muitos proprietários não conseguem manter seus imóveis atualizados e em bom estado de conservação, além do alto temor em relação à inadimplência.


        Vale pontuar que a gestão de aluguel é também uma especificidade com pouco destaque dentro das imobiliárias e visto como trabalhoso pelos corretores muito por conta dos fatores acima, bem como pelo retorno das transações em comparação à dedicação investida. Mas há oportunidades. Dado que a proporção de brasileiros que vivem de aluguel continuará crescendo, e considerando também essas particularidades do nosso mercado imobiliário, é preciso discutir estratégias para profissionalizar a locação no país. É exatamente aqui que os profissionais do mercado, desde imobiliárias e corretores, até fundos e incorporadores, podem desempenhar um papel decisivo.


        Ampliando a expertise na gestão dos imóveis e utilizando tecnologias para otimização, já é possível tornar a jornada de locação mais simples e eficiente para todos.


        Isso começa com uma boa orientação aos proprietários, e conhecer os desejos dos locatários é essencial. Estudos de mercado, como os do DataZAP+, são boas formas de acompanhar as novidades e antecipar desejos. O levantamento “Tendências do Moradia 2022 - Locação”, por exemplo, revela que quem busca imóveis para alugar tem preferência por bairros planejados e condomínios que disponibilizam lazer e entretenimento em suas dependências, como piscina, academia e churrasqueira, além de novidades no quesito conveniência, como mensageria, espaço pet e minimercados. Essas informações contribuem para oferecer insights para proprietários e atender aos anseios de um locatário que espera ter seus reais interesses contemplados.


        Ao mesmo tempo, os recursos digitais permitem agilizar muitas das etapas do processo de escolha de uma moradia. E já há soluções que entregam uma proposta de locação muito completa, que atende muito bem a parte mais crucial da jornada, desde a captação de potenciais interessados, agendamento de visita, fluxo de proposta e contraproposta até análise de perfil. O ZAPWay+, por exemplo, é uma solução que permite à imobiliária analisar perfil do inquilino, e oferecer garantia de recebimento ao proprietário, contando também com uma esteira de negociação e gerenciamento de oportunidades, assinatura digital de contrato e agendamento de visita. Não à toa, imobiliárias que aderem, relatam um tempo de locação 35% menor se comparados aos anúncios tradicionais.


        Com esta evolução do mercado e o amadurecimento de soluções digitais capazes de simplificar e afunilar muito mais o processo de escolha, a jornada do aluguel torna-se muito mais simples e atrativa para todas as partes.


        A questão, portanto, é que elas precisam se envolver mais na gestão ativa dos aluguéis, pois um país em desenvolvimento como o Brasil, com um mercado imobiliário extremamente relevante, necessitará cada vez mais desse tipo de serviço. A profissionalização do setor de locação é etapa indispensável da nossa busca por cidades mais desenvolvidas, inteligentes e funcionais.


Disponível em https://exame.com/colunistas/genomaimobiliario/profissionalizacao-e-fundamental-para-crescimento-do-mercado-dealuguel-no-brasil/

Analise: “Estudos de mercado, como os do DataZAP+, são boas formas de acompanhar as novidades e antecipar desejos.” E assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q4262384 Português

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O que a Tesla nos ensina sobre a nova fase das startups A Tesla tem crescido absurdamente nos últimos anos e foi responsável em 2020 por catapultar o Elon Musk ao posto de homem mais rico do mundo ultrapassando Jeff Bezos, fundador da Amazon.


    A empresa, que começou em 2003, só foi ter lucro pela primeira vez em 2013 e, mesmo hoje, ainda possui uma receita bem inferior a vários de seus concorrentes. Em 2019, por exemplo, vendeu pouco mais de 192 mil veículos nos Estados Unidos, contra mais de 2 milhões da Toyota.


    Mas, em contrapartida, o seu valor de mercado seguiu uma curva de crescimento diferente:


- Já em 2016 estreou na lista das marcas automotivas mais valiosas do mundo, com um valor de mercado de US$4,4 bilhões. 


- Em Outubro de 2019 ultrapassou a General Motors e se tornou a montadora mais valiosa dos EUA. 


- Em Janeiro de 2020 superou os US$100 bilhões de valor de mercado, ultrapassando a Ford e a General Motors somadas. 


- Em Junho de 2020 já ultrapassou a Toyota e se tornou a maior montadora do mundo valendo US$183 bilhões. 


- Em Dezembro fechou o ano valendo US$640 bilhões. O dobro da Toyota (US$214 bilhões) e da Volkswagen (US$98 bilhões) juntas. 


- Já no início de janeiro de 2021, ultrapassou o valor de US$800 bilhões, ultrapassando o Facebook, se tornando a 5ª maior empresa do mundo e valendo mais do que as 10 maiores montadoras juntas.


    Mas afinal de contas, porque a Tesla vale tanto, mesmo tendo um faturamento absurdamente menor do que as montadoras tradicionais?


    Carros elétricos


    Em primeiro lugar, é preciso entender a pressão pela mudança na matriz energética no mundo. A dependência do petróleo concentra poder na mão dos detentores das reservas e nem sempre isso é bom para as maiores economias. Além disso, existe uma crescente pressão ambiental por soluções mais sustentáveis e hoje se enxerga o carro elétrico como uma melhor solução.


    Carro como um hardware não como um veículo


    Uma das maiores revoluções vividas recentemente foi a incorporação do modelo de vendas de produtos que melhoram com o tempo, pois se atualizam.


    Olhe o seu celular, por exemplo, talvez ele ganhou alguma nova funcionalidade desde que você o comprou? Que podem ir de melhorias na câmera a novos aplicativos que ainda não tínhamos. O seu celular passou a transferir dinheiro para outras pessoas de graça. Isso aconteceu por uma atualização de uma outra instituição (no caso, o Banco Central e os bancos brasileiros), mas o produto que você comprou passou a ter uma nova funcionalidade.


    É isso que acontece com os carros da Tesla hoje, eles ganham novas funcionalidades com atualizações de software. Recentemente a autonomia dos carros aumentou com uma dessas atualizações.


    Que outras montadoras fazem isso?


    [...] 


    Disponível em https://troposlab.com/que-a-tesla-ensina-sobre-startups/ 

Assinale alternativa cujo trecho poderia utilizar uma vírgula para destacar o advérbio ou locução adverbial. 
Alternativas
Q4262296 Português

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A Dama de Ferro


por Francisco Russo


    Meryl Streep já foi polonesa (A Escolha de Sofia), italiana (As Pontes de Madison) e irlandesa (A Dança das Paixões). Interpretou uma freira rigorosa (Dúvida), uma professora dedicada (Música do Coração) e uma psiquiatra (Terapia do Amor), entre tantas outras profissões. Já cantou em cena (Mamma Mia!), foi mocinha e vilã. No auge de seus 62 anos, sem ter mais nada a provar, encarou um de seus papéis mais difíceis: Margaret Thatcher, a ex-primeira-ministra britânica que despertou sentimentos distintos ao longo de seus 11 anos de governo. Difícil não apenas pela natureza da personagem, mas especialmente por seus trejeitos. Streep, sem exagero, personifica Thatcher. É o que segura o filme.



    A Dama de Ferro apresenta a história de Margaret Thatcher usando a velha fórmula de mostrar a protagonista já idosa e, a partir de suas lembranças, exibir seus feitos do passado. Uma tática explorada à exaustão em cinebiografias, como Piaf – Um Hino ao Amor, ressaltada ainda por outro truque: colocar um personagem querido, e já falecido, para conversar com a pessoa retratada. É este o papel de Jim Broadbent, que impõe um tom cômico e provocador ao seu Dennis, marido de Margaret. Junta-se à receita de bolo uma trilha sonora clichê e pronto, eis um filme absolutamente igual a tantos outros. Pior: sem a capacidade de explicar de forma convincente a complexidade da época em que Thatcher governou.



    Os principais eventos do final dos anos 70 e da década seguinte até são apresentados, com rápidas citações e cenas reais da época, captadas pela TV. Era um cenário bem diferente do atual, onde o duelo capitalismo x socialismo ainda imperava. A crise econômica vivida pela Inglaterra é simplificada e até bem apresentada através de comparações envolvendo responsabilidade fiscal (assunto macro) com orçamento doméstico (assunto micro). Tudo para aproximar o espectador a um tema difícil, de forma a também justificar sua baixa popularidade imediata. Situação revertida logo em seguida, com o sucesso na Guerra das Malvinas e a imediata consagração patriota.



    Enquanto se atém aos dois fatos mais marcantes do governo Thatcher, a crise e a guerra, A Dama de Ferro se sai bem, apesar do cansativo e desnecessário vai e vem entre cenas do passado e do presente. É no que há além disto que o filme peca. Por exemplo, o rigor extremo com que Thatcher tratava sua equipe é ressaltado em detrimento das decisões impopulares que tomou, que fizeram com que deixasse o governo. Desta forma o filme dá à sua personagem principal um tom carinhoso, tornando-a vítima dos acontecimentos e uma injustiçada diante da história. Mais tendencioso, impossível.



    Por outro lado, é Meryl Streep quem dá brilho ao filme. Sua primeira aparição, envelhecida graças à excelente maquiagem, surpreende. É através de seu modo de falar, dos trejeitos ao andar e se mover, que percebe-se que a atriz fez um minucioso trabalho de personificação em relação à verdadeira Thatcher. Coisa de perfeccionista mesmo, de buscar o detalhe para ser o mais idêntico possível. Entretanto, trata-se de um trabalho técnico. Extremamente bem feito, mas que não emociona.



    A Dama de Ferro é um filme razoável, que compensa o andamento burocrático da história com uma grande atuação de sua protagonista. Destaque também para a crítica implícita às celebridades de hoje em dia, feita no diálogo sobre a mudança de conceitos entre ser famoso por ter feito algo ou alcançar o sucesso simplesmente por ser alguém, sem qualquer mérito.



Disponível em https://www.adorocinema.com/filmes/filme-127404/criticas-adorocinema/ 

Assinale a alternativa que apresenta um advérbio. 
Alternativas
Q4261980 Português

A questão refere-se ao texto abaixo. 


texto.jpg (686×584)

Segundo Cegalla, advérbio é uma palavra que modifica o sentido do verbo, do adjetivo e do próprio advérbio. A palavra “tão” (l. 04) é um advérbio de:
Alternativas
Q4249684 Português
Médicos alertam que riscos de doenças ameaçam sobreviventes

        Conforme equipes médicas internacionais chegam às regiões devastadas pelo terremoto na Turquia e na Síria, os ferimentos com que os profissionais se deparam são horripilantes, mas não surpreendem: ossos quebrados, braços e pernas esmagados por construções que desabaram, cortes infectados. Mas isso é apenas o início para os médicos e paramédicos que trabalham febrilmente para salvar vidas no desastre, segundo afirmam especialistas. Nas próximas semanas, conforme os esforços de busca se transformarem na lúgubre tarefa de recuperar corpos, incontáveis sobreviventes precisarão de remédios para pressão alta, diabetes e asma que acabaram soterrados. Muitas grávidas darão à luz em abrigos improvisados e campos de refugiados. Pacientes de câncer não receberão tratamento. Temperaturas congelantes resultam em sobreviventes sofrendo hipotermia ou queimaduras de frio nos abrigos. Leitos próximos nas instalações de acolhimento também podem levar à disseminação do coronavírus e outros vírus respiratórios. 

        E há outro risco: doenças transmitidas pela água, como cólera, que já apareceu na zona de guerra no noroeste da Síria em razão da qualidade ruim da água e do saneamento. “É uma situação horrível. Não podemos fazer o que queremos, temos de nos adaptar a uma maneira completamente diferente de tratar as pessoas. É uma situação que exige da gente mentalmente e moralmente”, afirmou Thomas Kirsch, professor de medicina da Universidade George Washington, a respeito dos próximos desafios para os médicos. Paul Spiegel, diretor do Centro para Saúde Humanitária da Faculdade Johns Hopkins Bloomberg de Saúde Pública, afirmou que o período após os esforços de busca e resgate são cruciais, até dramáticos. “Você vai salvar muito mais gente garantindo que haja vigilância e pensando sobre como continuar o cuidado e a ajuda”. 

        Esses esforços já estão sendo coordenados pelo governo turco, pela Organização Mundial da Saúde e por grupos de ajuda que enviam regularmente equipes de emergência para zonas atingidas por terremotos. Os desafios para fornecer assistência médica são especialmente desanimadores. O desastre destruiu hospitais e outras instalações médicas que poderiam ter sido cruciais no tratamento de feridos em desmoronamentos de edifícios. “Estradas arruinadas e intransitáveis não facilitarão nada as condições para as organizações médicas”, afirmou Kirsch.

Fonte: Jornal O estado de São Paulo, Edição de 11 de fevereiro de 2023.
Assinale a alternativa que apresente o tipo de circunstância estabelecida pelo termo em destaque no período: Você vai salvar muito mais gente garantindo que haja vigilância e pensando sobre como continuar o cuidado e a ajuda.
Alternativas
Q4249316 Português
EUA derrubam objeto não identificado sobre o Alasca


   O Pentágono derrubou ontem um objeto não identificado sobre o Alasca por ordem do presidente Joe Biden. O incidente foi confirmado pelo porta-voz da Casa Branca, John Kirby, em entrevista coletiva. Autoridades dos EUA disseram que não foi confirmado se o objeto era um balão, mas estava viajando a uma altitude que o tornava uma ameaça potencial para aeronaves civis. Segundo o porta-voz, o objeto estava a uma altitude de cerca de 40 mil pés. Kirby disse que as autoridades o estavam descrevendo como “objeto” porque essa era a melhor descrição até o momento.

   Uma autoridade dos EUA disse que não havia “nenhuma indicação afirmativa de ameaça militar” para as pessoas no solo. Autoridades disseram que não podiam confirmar se havia algum equipamento de vigilância no objeto abatido. Um esforço de recuperação dos escombros estava sendo conduzido, disse Kirby. Ele disse que o objeto era “aproximadamente do tamanho de um carro pequeno” – muito menor do que o balão espião que tinha uma carga útil do tamanho de um ônibus.

   A ação ocorre menos de uma semana depois que um caça americano derrubou um balão espião chinês que havia atravessado os EUA. A Casa Branca foi criticada por alguns republicanos por não derrubar imediatamente o balão, mas Biden disse que estava agindo por recomendação de oficiais militares, que disseram para esperar até que o balão estivesse sobre a água antes de destruí-lo para não haver riscos para pessoas em solo. Autoridades dos EUA dizem que o balão espião fazia parte de uma frota dirigida pelos militares chineses que sobrevoou mais de 40 países em cinco continentes nos últimos anos.

  Os balões são fabricados por uma ou mais empresas administradas por civis que vendem oficialmente produtos para os militares, disseram autoridades americanas, embora o governo Biden não tenha identificado publicamente a empresa que fabricou o balão derrubado. Autoridades dizem que um balão que estava flutuando sobre a América Latina na semana passada também fazia parte do programa de vigilância chinês.


Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, Edição de 11 de fevereiro de 2023.
Assinale a alternativa que apresente a circunstância estabelecida pelo termo em destaque no período: A ação ocorre menos de uma semana depois que um caça americano derrubou um balão espião chinês que havia atravessado os EUA.
Alternativas
Q4249314 Português
EUA derrubam objeto não identificado sobre o Alasca


   O Pentágono derrubou ontem um objeto não identificado sobre o Alasca por ordem do presidente Joe Biden. O incidente foi confirmado pelo porta-voz da Casa Branca, John Kirby, em entrevista coletiva. Autoridades dos EUA disseram que não foi confirmado se o objeto era um balão, mas estava viajando a uma altitude que o tornava uma ameaça potencial para aeronaves civis. Segundo o porta-voz, o objeto estava a uma altitude de cerca de 40 mil pés. Kirby disse que as autoridades o estavam descrevendo como “objeto” porque essa era a melhor descrição até o momento.

   Uma autoridade dos EUA disse que não havia “nenhuma indicação afirmativa de ameaça militar” para as pessoas no solo. Autoridades disseram que não podiam confirmar se havia algum equipamento de vigilância no objeto abatido. Um esforço de recuperação dos escombros estava sendo conduzido, disse Kirby. Ele disse que o objeto era “aproximadamente do tamanho de um carro pequeno” – muito menor do que o balão espião que tinha uma carga útil do tamanho de um ônibus.

   A ação ocorre menos de uma semana depois que um caça americano derrubou um balão espião chinês que havia atravessado os EUA. A Casa Branca foi criticada por alguns republicanos por não derrubar imediatamente o balão, mas Biden disse que estava agindo por recomendação de oficiais militares, que disseram para esperar até que o balão estivesse sobre a água antes de destruí-lo para não haver riscos para pessoas em solo. Autoridades dos EUA dizem que o balão espião fazia parte de uma frota dirigida pelos militares chineses que sobrevoou mais de 40 países em cinco continentes nos últimos anos.

  Os balões são fabricados por uma ou mais empresas administradas por civis que vendem oficialmente produtos para os militares, disseram autoridades americanas, embora o governo Biden não tenha identificado publicamente a empresa que fabricou o balão derrubado. Autoridades dizem que um balão que estava flutuando sobre a América Latina na semana passada também fazia parte do programa de vigilância chinês.


Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, Edição de 11 de fevereiro de 2023.
Assinale a alternativa que apresente o tipo de circunstância estabelecida pelo termo em destaque no período: Ele disse que o objeto era “aproximadamente do tamanho de um carro pequeno” – muito menor do que o balão espião que tinha uma carga útil do tamanho de um ônibus. 
Alternativas
Q4249275 Português
EUA querem treinar ucranianos para missões ultrassecretas de inteligência


   O Pentágono pediu ao Congresso americano a retomada do financiamento de dois programas ultrassecretos de inteligência na Ucrânia, suspensos antes da invasão da Rússia. Se aprovada, a medida permitirá que militares do setor de Operações Especiais dos EUA treinem agentes ucranianos para monitorar os movimentos militares russos no front e executar missões de contrainformação, além de retomar o cultivo de fontes de inteligência no terreno.

   As missões implicariam um maior envolvimento americano no conflito, num momento em que a ajuda militar de Washington está crescendo. Os programas podem ser retomados em 2024, embora ainda não esteja claro se o governo de Joe Biden permitirá que militares dos EUA voltem à Ucrânia para supervisionar o trabalho ou se terão de fazer isso de um país vizinho. Funcionários do Congresso disseram que é difícil prever o resultado da votação, especialmente com os republicanos divididos sobre as vastas somas gastas na Ucrânia. Outros argumentam que a despesa relativamente pequena dos programas – US$ 15 milhões (cerca de R$ 79 milhões) anuais para tais atividades em todo o mundo – é uma pechincha em comparação com as dezenas de bilhões de dólares comprometidos para treinar e armar as forças ucranianas e reabastecer os estoques dos EUA.

   Oficiais militares estão ansiosos para reiniciar as atividades na Ucrânia para garantir que fontes de inteligência conquistadas com dificuldade não sejam perdidas à medida que a guerra avança, disse Mark Schwartz, general da reserva. Serviços de inteligência americanos por muitos anos pagaram unidades militares e paramilitares estrangeiras selecionadas no Oriente Médio, Ásia e África, empregando-as como “substitutas” em operações de contraterrorismo contra a AlQaeda, o Estado Islâmico e afiliados. Programas mais recentes, como os usados na Ucrânia, são considerados uma forma de “guerra irregular”. Eles são destinados ao uso contra adversários, como a Rússia e a China, com quem os EUA estão em competição, não em conflito aberto.

   Críticos dizem que tais atividades aumentam o risco de levar os EUA a um papel mais direto na guerra da Ucrânia. Mas oficiais de defesa sustentam que, ao contrário do esforço maior e mais aberto do Pentágono para armar os militares ucranianos, os programas secretos não contribuiriam diretamente para a capacidade de combate da Ucrânia, pois os agentes envolvidos e seus financiadores dos EUA seriam restritos a realizar apenas as tarefas não violentas que haviam assumido até sua suspensão no ano passado.


Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, Edição de 11 de fevereiro de 2023.
Assinale a alternativa que apresente a função sintática exercida pelo termo em destaque no período: Oficiais militares estão ansiosos para reiniciar as atividades na Ucrânia para garantir que fontes de inteligência conquistadas com dificuldade não sejam perdidas à medida que a guerra avança, disse Mark Schwartz, general da reserva.
Alternativas
Q4249271 Português
EUA querem treinar ucranianos para missões ultrassecretas de inteligência


   O Pentágono pediu ao Congresso americano a retomada do financiamento de dois programas ultrassecretos de inteligência na Ucrânia, suspensos antes da invasão da Rússia. Se aprovada, a medida permitirá que militares do setor de Operações Especiais dos EUA treinem agentes ucranianos para monitorar os movimentos militares russos no front e executar missões de contrainformação, além de retomar o cultivo de fontes de inteligência no terreno.

   As missões implicariam um maior envolvimento americano no conflito, num momento em que a ajuda militar de Washington está crescendo. Os programas podem ser retomados em 2024, embora ainda não esteja claro se o governo de Joe Biden permitirá que militares dos EUA voltem à Ucrânia para supervisionar o trabalho ou se terão de fazer isso de um país vizinho. Funcionários do Congresso disseram que é difícil prever o resultado da votação, especialmente com os republicanos divididos sobre as vastas somas gastas na Ucrânia. Outros argumentam que a despesa relativamente pequena dos programas – US$ 15 milhões (cerca de R$ 79 milhões) anuais para tais atividades em todo o mundo – é uma pechincha em comparação com as dezenas de bilhões de dólares comprometidos para treinar e armar as forças ucranianas e reabastecer os estoques dos EUA.

   Oficiais militares estão ansiosos para reiniciar as atividades na Ucrânia para garantir que fontes de inteligência conquistadas com dificuldade não sejam perdidas à medida que a guerra avança, disse Mark Schwartz, general da reserva. Serviços de inteligência americanos por muitos anos pagaram unidades militares e paramilitares estrangeiras selecionadas no Oriente Médio, Ásia e África, empregando-as como “substitutas” em operações de contraterrorismo contra a AlQaeda, o Estado Islâmico e afiliados. Programas mais recentes, como os usados na Ucrânia, são considerados uma forma de “guerra irregular”. Eles são destinados ao uso contra adversários, como a Rússia e a China, com quem os EUA estão em competição, não em conflito aberto.

   Críticos dizem que tais atividades aumentam o risco de levar os EUA a um papel mais direto na guerra da Ucrânia. Mas oficiais de defesa sustentam que, ao contrário do esforço maior e mais aberto do Pentágono para armar os militares ucranianos, os programas secretos não contribuiriam diretamente para a capacidade de combate da Ucrânia, pois os agentes envolvidos e seus financiadores dos EUA seriam restritos a realizar apenas as tarefas não violentas que haviam assumido até sua suspensão no ano passado.


Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, Edição de 11 de fevereiro de 2023.
Assinale a alternativa que apresente a circunstância estabelecida pelo termo em destaque no período: O Pentágono pediu ao Congresso americano a retomada do financiamento de dois programas ultrassecretos de inteligência na Ucrânia, suspensos antes da invasão da Rússia.
Alternativas
Q4238684 Português

Texto para a questão.






Na passagem: “Quero que abras os olhos, Eugênio, que acordes enquanto é tempo...” (linha 5), o uso das vírgulas, isolando o termo destacado, justifica-se em decorrência do referido vocábulo apresentar função 
Alternativas
Q4237328 Português
Texto I


    A todo momento o indivíduo está em comunicação. E para comunicar-se, ele usa de vários recursos: palavras, gestos, desenhos, movimentos, imagens e sons.


    Essa capacidade de usar tais recursos chama-se linguagem. É por meio dela que o ser humano transmite as emoções e os pensamentos, conseguindo viver e trabalhar em comunidade. Só a espécie humana fala, o que chamamos de aparelho fonador.


(Língua, Linguagem e Gramática)
“E para comunicar-se, ele usa de vários recursos: palavras, gestos, desenhos, movimentos, imagens e sons.” Os termos destacados fazem parte de um termo acessório denominado: 
Alternativas
Q4228815 Português
A natureza do homem – Um Demônio?

- Anjo e demônio, o Homem vive a epopeia de uma cultura assombrosa. Faz poesia, música, monumentos, máquinas, computadores, veículos espaciais. Descobre o âmago da matéria, explode o átomo, formula teorias, códigos e religiões. Multiplica-se agora até os quatro bilhões e meio. Ocupa ansiosamente toda a Terra. Um Anjo, então?

- Anjo e demônio, feliz e desgraçado, rico e paupérrimo, o Homem ameaça hoje a estabilidade de seu planeta, põe em risco sua própria sobrevivência. Por milênios, ele tem ignorado as condições de manutenção da vida em seu mundo. Embora lute duramente pela liberdade, ainda não soube construir uma sociedade realmente livre. Edifica uma portentosa civilização, mas corre o risco de destruí-la em alguns minutos. Ou em alguns decênios, pela impiedosa devastação da Natureza.

Contudo, qual é a verdadeira face do Homem?

- Animal contraditório, o Homem pesquisa vacinas durante anos e depois fabrica armas que matam milhões num segundo. Média entre São Francisco e Hitler, ele cria um inferno para cada milagre de sua inteligência. É capaz de amar ardentemente tanto quanto odiar até o extermínio de raças e povos irmãos. No ápice de uma evolução de bilhões de anos, ele age como se não dependesse mais da Natureza.

Mas o Homem é feliz?

- No coração e na mente do Homem, Deus se torna abstrato e distante, separado do mundo real, refúgio desesperado de sua desgraça.

Mas, afinal, esse é o Homem?

- Esse é o Homem que habita essa esfera azul que gira lentamente sob nossos olhos. Veja: é um frágil planeta. Mas, ao mesmo tempo, maravilhoso, não acha? É uma pena que todos os Homens não possam ver sua Terra daqui. E pensar na sinfonia grandiosa que já existe, no mar, nas florestas, nas montanhas, nos campos, numa pequena lagoa, no voo de um pássaro, no canto da baleia, nas cores de uma borboleta, na interdependência de milhões de espécies de seres microscópicos e gigantes. Na sinfonia da ecosfera, tão complexa quão delicada. Talvez, então os Homens pudessem descobrir que têm uma Terra somente.

Ethevaldo Siqueira – O Estado de São Paulo – p.135
“Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabeça – e em pouco sumia-se pelo portão.” A palavra destacada exprime:
Alternativas
Q4226479 Português
A partida

Osman Lins

   Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava−me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

    Ela vivia a comprar−me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar−me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.

    Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar−me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, mulheres nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

    Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável ela fizesse isso, pois costumava fitar−me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama. 

   Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava−me por começar a entender que não conseguiria afastar−me delassem emoção.

    Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique−taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

    Por fim, ela veio ao meu quarto, curvou−se:

    — Acordado?

    Apanhou o lençol e ia cobrir−me (gostava disto, ainda hoje o faz quando a visito); mas pretextei calor, beijei sua mão enrugada e, antes que ela saísse, dei−lhe as costas.
Não consegui dormir. Continuava preso a outros rumores. E quando estes se esvaíam, indistintas imagens me acossavam. Edifícios imensos, opressivos, barulho de trens, luzes, tudo a afligir−me, persistente, desagradável — imagens de febre.

   Sentei−me na cama, as têmporas batendo, o coração inchado, retendo uma alegria dolorosa, que mais parecia um anúncio de morte. As horas passavam, cantavam grilos, minha avó tossia e voltava−se no leito, as molas duras rangiam ao peso de seu corpo. A tosse passou, emudeceram as molas; ficaram só os grilos e os relógios. Deitei−me.

    Passava de meia−noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava−se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? — perguntava eu. Cobrir−me ainda? Repetir−me conselhos? Ouvi−a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver — pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia−me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto.

    Afinal, ela beijou−me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

   Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara−se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam−me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio−me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

    Com receio de fazer barulho, dirigi−me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei−me e, voltando ao meu quarto, vesti− me. Calcei os sapatos, sentei−me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras… Que me custava acordá−la, dizer− lhe adeus?

    Ela estava encolhida, pequenina, envolta numa coberta escura. Toquei−lhe no ombro, ela se moveu, descobriu−se. Quis levantar−se e eu procurei detê−la. Não era preciso, eu tomaria um café na estação. Esquecera de falar com um colega e, se fosse esperar, talvez não houvesse mais tempo. Ainda assim, levantou−se. Ralhava comigo por não tê−la despertado antes, acusava−se de ter dormido muito. Tentava sorrir.

   Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar−me, prender−se a mim, e à simples ideia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

    Enfim, beijei sua mão, bati−lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei−me, apanhei a maleta e, ao fazê−lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários).

Fonte: Moriconi, Italo. * Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p.190−192. * título omitido propositalmente
“Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama.”

As vírgulas no período acima foram empregadas para:
Alternativas
Q4225192 Português
Assinalar a alternativa que apresenta a ordem ADJUNTO ADVERBIAL + SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO VERBAL na construção da sentença:
Alternativas
Q4223631 Português
Assinalar a frase em que ocorre ERRO de pontuação: 
Alternativas
Q4211839 Português
“Agora dá licença que vou ali tomar meus remédios e depois eu volto para ensinar mais...” Os termos destacados expressam, respectivamente:
Alternativas
Q4211252 Português
Leia, com muita atenção, o poema abaixo:


Lembranças do mundo antigo


Clara passeava no jardim com as crianças.

O céu era verde sobre o gramado,

a água era dourada sob as pontes, outros elementos eram azuis, róseos e alaranjados.

O guarda-civil sorria, passavam bicicletas,...

A menina pisava a relva para pegar um pássaro...



O mundo inteiro, a Alemanha, a China,

tudo era tranquilo em redor de Clara.



As crianças olhavam o céu!

Não era proibido.

A boca, o nariz, os olhos estavam abertos!

Não havia perigos.

Os perigos que Clara temia eram

a gripe, o calor, os insetos...

Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,

esperava cartas que custavam a chegar,

Nem sempre podia usar vestido novo.

Mas passeava no jardim pela manhã!!!

Havia jardins, havia manhãs, naquele tempo!!!


(ANDRADE, Carlos Drummond de. Lembranças do mundo antigo. In: _ Sentimento do Mundo, 1940.)
“Clara passeava no jardim com as crianças.” Os termos destacados expressam, respectivamente, circunstâncias de: 
Alternativas
Q4205473 Português
A respeito da pontuação, numerar a 2ª coluna de acordo com a 1ª e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

(1) Vírgula isola um vocativo.
(2) Vírgula separa oração subordinada adjetiva explicativa.
(3) Vírgula separa oração adverbial condicional. 

(_) Se chover hoje, o campeonato será adiado.
(_) Busque seu casaco, Maria, pois está frio.
(_) A venda do carro, que valia o dobro, fora realizada às pressas.
Alternativas
Respostas
961: D
962: A
963: D
964: A
965: A
966: C
967: D
968: D
969: C
970: D
971: A
972: C
973: A
974: A
975: B
976: D
977: D
978: C
979: B
980: C